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Violência contra a mulher: como agressões afetam físico e mental — e por que são uma crise de saúde pública Leia mais em: https://saude.abril.com.br/medicina/violencia-contra-a-mulher-como-agressoes-afetam-fisico-e-mental-e-por-que-sao-uma-crise-de-saude-publica/

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Assédios, ataques físicos, sexuais e feminicídios cometidos por homens não são só crimes: são uma epidemia silenciosa que adoece e mata milhões de brasileiras

“O namoro sempre foi conturbado, mas ele dizia que o ciúme excessivo era demonstração de amor”, conta Juliana Soares, de 35 anos.

Bonitos e vaidosos, ela e o então companheiro Igor Cabral, ex-jogador de basquete, se conheceram numa academia de Natal, no Rio Grande do Norte. Treinavam juntos, iam ao cinema, se davam bem. Mas, nos fins de semana, quando o álcool entrava na história, a mudança era nítida.

“Comecei a agir igual a ele, achando que as reações exageradas eram a condição natural de um relacionamento”, relata a jovem.

Eis que, em um sábado como qualquer outro, após irem se divertir na piscina do condomínio, mais uma discussão por ciúme começou. Dentro do elevador, ao perceber o estado agressivo do namorado, Juliana o alertou para que não fizesse nada, já que havia câmeras no local.

“Ele olhou, deu tchau para a câmera e começou a me espancar.” Foram 61 socos.

Juliana é uma entre milhões. E os casos chocam, como o de Alana Rosa, que levou mais de 30 facadas em casa, em São Gonçalo (RJ), após recusar um pedido de namoro; o da adolescente de 17 anos que foi e que foi estuprada por cinco homens em seu apartamento no Rio de Janeiro; o de Tainara Santos, de 31 anos, que foi atropelada pelo ex-companheiro e arrastada por mais de 1 quilômetro, em São Paulo, tendo que amputar as duas pernas e morrendo em seguida; ou o da freira Nadia Gavronsky, de 82 anos, estuprada e morta por um homem dentro do convento onde vivia, no Paraná.

Não existe um perfil de vítima: a violência contra a mulher atravessa idade, classe social, religião, território… tudo.

E os números atuais retratam uma escalada: no ano passado, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que foram requeridas quase 950 mil medidas protetivas de urgência, instrumento da Lei Maria da que visa proteger mulheres em risco de violência.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, quase 4 milhões de brasileiras sofreram com ataques diretos de gênero em 2025.

E esses dados são subestimados. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1 568 feminicídios ocorreram no país ano passado, contando registros oficiais das polícias.

Já o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, que considera monitoramento de mídia, tribunais e registros diversos, elaborado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), aponta para 2 149 vítimas.

Para além de um problema de segurança individual, a violência de gênero já constitui uma grave questão de saúde pública.

Somadas às jornadas duplas de trabalho, mulheres ainda convivem com o medo de serem violentadas por homens cotidianamente: na rua, no emprego ou dentro de casa. Esse estado permanente de tensão e os traumas sofridos se traduzem em uma epidemia silenciosa que adoece, exaure e corrói a vitalidade física e mental delas.

“A violência de gênero não afeta só a esfera pessoal”, diz o médico Lucas Naufal, coordenador do Programa de Assistência Multiprofissional à Violência Doméstica (Provid) do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

“Essas mulheres têm menor inserção no trabalho, vão mais a serviços de saúde e revelam uma série de complicações que afetam toda a sociedade”.

Preservar a integridade feminina depende de entender a origem, as feridas e o que de fato pode ser feito para interromper esse ciclo nefasto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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