Saiu no site Marie Claire
Socióloga analisa como o movimento combina estereótipos sobre estrangeiras e resistência à autonomia feminina
Enquanto passava férias com a mãe em uma praia do Rio de Janeiro, a paulistana Lilian Ramos, de 24 anos, foi abordada por um norte-americano que parecia apenas querer puxar conversa. Aos poucos, porém, as perguntas se tornaram específicas demais — e despertaram sua desconfiança.
“Ele me perguntava onde eu morava, minha profissão, quanto eu ganhava por ano… Coisas que normalmente você não pergunta para uma pessoa que nunca viu”, relembra ela, em entrevista à Marie Claire.
A jovem afirma que o tom da conversa mudou quando ele percebeu que ela falava inglês fluentemente. “Quando viu que eu conseguia me comunicar bem e explicava as coisas com facilidade, mudou totalmente a postura”, diz.
Depois do episódio, Lilian passou a relacionar a abordagem ao discurso dos chamados passport bros, homens que viajam para outros países em busca de mulheres vistas por eles como mais “tradicionais” ou vulneráveis.
“Entendi que aquela abordagem, na verdade, era de alguém que estava buscando um perfil específico de mulher: brasileiras que talvez fossem mais humildes, de baixa renda, com um perfil mais vulnerável”, diz.







