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Casos incluem manipulação por IA e extorsão sexual; nove estados ficam fora de acordo de rastreio
A violência contra a mulher no ambiente digital disparou no Brasil, registrando aumento de 188% nas ocorrências de perseguição virtual só nos primeiros cinco meses deste ano. O levantamento inclui desde invasões de contas em redes sociais até o uso de inteligência artificial para manipulação de imagens para praticar violência psicológica.
Um caso emblemático é o de uma jovem que terminou um relacionamento devido a agressões físicas. Ela obteve uma medida protetiva contra o ex-namorado, mas passou a ser perseguida digitalmente. O agressor utilizava mensagens enviadas por meio de transferências bancárias de R$ 0,1 (Pix) para contornar bloqueios. Ele acabou preso.
Para enfrentar essa escalada, o Ligue 180 passou a receber denúncias de violência virtual e a oferecer orientações específicas sobre como as vítimas devem proceder. Atendentes treinadas auxiliam as mulheres na preservação de provas, já que tem detalhes que, para quem não entende de tecnologia, parecem irrelevantes, mas que podem comprometer a cadeia de custódia das provas.
É importante diferenciar os canais de ajuda: enquanto o 180 é focado em denúncias, orientações e acolhimento, situações de emergência e agressões que estejam acontecendo no momento devem ser reportadas à polícia pelo 190.
“Ponto cego” na segurança pública
Apesar do avanço nas diretrizes federais, a eficácia do combate ao crime esbarra na falta de adesão estadual. O Ministério das Mulheres firmou um acordo de cooperação técnica para padronizar procedimentos e compartilhar dados entre o Ligue 180 e os estados. No entanto, nove estados não assinaram o acordo, incluindo São Paulo, que detém o maior índice de casos de violência contra a mulher no país.
Essa ausência de cooperação cria o que especialistas chamam de “ponto cego”: sem o compartilhamento de informações, o governo federal perde o rastro do que acontece com a mulher após o encaminhamento da denúncia às autoridades estaduais, dificultando o acompanhamento da eficácia das medidas de proteção.
Programa Bem Querer Mulher
Uma das opções de atendimento a mulheres vítimas de violência em São Paulo é o programa Bem Querer Mulher. Em 2025, a iniciativa registrou a entrada de 2.024 mulheres e realizou mais de 13 mil atendimentos sociais, psicológicos e jurídicos, alcançando uma taxa de 70% de rompimento do ciclo de violência entre as vítimas e seus agressores, além de promover o fortalecimento emocional de 88% das atendidas.

01/07/2026 • 19:49 • Atualizado em 01/07/2026 • 20:32

Violência contra mulher
Freepik
A violência contra a mulher no ambiente digital disparou no Brasil, registrando aumento de 188% nas ocorrências de perseguição virtual só nos primeiros cinco meses deste ano. O levantamento inclui desde invasões de contas em redes sociais até o uso de inteligência artificial para manipulação de imagens para praticar violência psicológica.
Um caso emblemático é o de uma jovem que terminou um relacionamento devido a agressões físicas. Ela obteve uma medida protetiva contra o ex-namorado, mas passou a ser perseguida digitalmente. O agressor utilizava mensagens enviadas por meio de transferências bancárias de R$ 0,1 (Pix) para contornar bloqueios. Ele acabou preso.
Para enfrentar essa escalada, o Ligue 180 passou a receber denúncias de violência virtual e a oferecer orientações específicas sobre como as vítimas devem proceder. Atendentes treinadas auxiliam as mulheres na preservação de provas, já que tem detalhes que, para quem não entende de tecnologia, parecem irrelevantes, mas que podem comprometer a cadeia de custódia das provas.
É importante diferenciar os canais de ajuda: enquanto o 180 é focado em denúncias, orientações e acolhimento, situações de emergência e agressões que estejam acontecendo no momento devem ser reportadas à polícia pelo 190.
“Ponto cego” na segurança pública
Apesar do avanço nas diretrizes federais, a eficácia do combate ao crime esbarra na falta de adesão estadual. O Ministério das Mulheres firmou um acordo de cooperação técnica para padronizar procedimentos e compartilhar dados entre o Ligue 180 e os estados. No entanto, nove estados não assinaram o acordo, incluindo São Paulo, que detém o maior índice de casos de violência contra a mulher no país.
Essa ausência de cooperação cria o que especialistas chamam de “ponto cego”: sem o compartilhamento de informações, o governo federal perde o rastro do que acontece com a mulher após o encaminhamento da denúncia às autoridades estaduais, dificultando o acompanhamento da eficácia das medidas de proteção.
Programa Bem Querer Mulher
Uma das opções de atendimento a mulheres vítimas de violência em São Paulo é o programa Bem Querer Mulher. Em 2025, a iniciativa registrou a entrada de 2.024 mulheres e realizou mais de 13 mil atendimentos sociais, psicológicos e jurídicos, alcançando uma taxa de 70% de rompimento do ciclo de violência entre as vítimas e seus agressores, além de promover o fortalecimento emocional de 88% das atendidas.
O programa atua com um modelo de acolhimento 360º, que engloba pilares como prevenção, autonomia financeira, engajamento social e suporte especializado à vítima. Para ampliar o amparo no momento de maior vulnerabilidade, equipes de assistência social do Bem Querer Mulher estão alocadas em quatro Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) da capital paulista, realizando a escuta qualificada que auxilia na fundamentação de medidas protetivas e no encaminhamento para a Casa BQM.







