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Ribeirão Preto registra ao menos 2 vítimas de violência doméstica por dia, diz GCM

Saiu no site G1

 

Veja publicação no site original:  Ribeirão Preto registra ao menos 2 vítimas de violência doméstica por dia, diz GCM

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Justiça estima que cerca de 100 medidas protetivas são concedidas por mês no município. Patrulha Maria da Penha conta com 148 agentes que monitoram e protegem mulheres.

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Por Laura Scarpelini

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O programa Patrulha Maria da Penha atende em média dois casos de violência doméstica por dia em Ribeirão Preto (SP). A estimativa é da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que trabalha em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social, o Ministério Público e a Justiça na proteção dessas vítimas.

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De janeiro a dezembro, 247 mulheres foram atendidas, enquanto em 2018 o total de ocorrências chegou a 141 – crescimento de 75%. Ao mesmo tempo, os feminicídios também aumentaram em Ribeirão, passando de um para três casos nos últimos dois anos, segundo a Secretaria de Segurança Pública.

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“A violência doméstica é muito preocupante. É um fenômeno de extrema gravidade que impede o desenvolvimento social e coloca em risco mais da metade da população do país”, diz a superintendente da GCM, Mônica Noccioli. “Nós estamos prontos para ajudar essas mulheres”, completou.

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Ao todo, 148 guardas já foram capacitados para atuar no atendimento a mulheres em situações de risco: aquelas que têm medidas protetivas concedidas pela Justiça, ou seja, que já denunciaram os companheiros à Polícia Civil. Para Mônica, a garantia de direitos tornou as vítimas mais confiantes.

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“As mulheres estão cada vez mais criando coragem e pedindo socorro. A violência doméstica sempre existiu, mas a mulher era submissa. Elas estão clamando mais por socorro e estão criando coragem em para pedir socorro, para ir delegacia da mulher, para falar das ameaças”, afirma.

A superintendente da Guarda Civil Metropolitana de Ribeirão Preto, Mônica Noccioli — Foto: Laura Scarpelini/G1

A superintendente da Guarda Civil Metropolitana de Ribeirão Preto, Mônica Noccioli — Foto: Laura Scarpelini/G1

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Ainda segundo a chefe da GCM, o crescimento do índice de violência doméstica não representa aumento de vítimas, mas o empoderamento das mulheres que há muito tempo são agredidas por companheiros, pais, familiares e até pelos próprios filhos, e não registravam boletim de ocorrência contra eles.

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“Para acabar com esses crimes, acho que deve haver leis cada vez mais endurecidas, com penas mais longas. Recomendados que, quando a mulher sofre a violência, no começo, na primeira violência, ela deve pedir ajuda. Não existe só a violência física, tem a violência psicológica também”, diz.

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Implantada em julho de 2018, a Patrulha Maria da Penha monitora mulheres com medidas protetivas de urgência contra ex-companheiros – geralmente, as decisões determinam que o ex-parceiro mantenha distância da mulher. Em caso de descumprimento, os homens podem ser presos em flagrante.

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“Eles acompanham dia a dia, fazem o primeiro atendimento, se colocam à disposição, deixam o telefone da GCM, caso precise de algum atendimento de urgência. Isso garante o atendimento humanizado, inclusive para as mulheres em situação de violência doméstica”, afirma Mônica.

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Mulher vítima de violência doméstica — Foto: Agência Brasil/Divulgação

Mulher vítima de violência doméstica — Foto: Agência Brasil/Divulgação

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Medida protetiva: de afastamento a ioga para agressores

Os casos de agressão em Ribeirão Preto resultam, em média, na emissão de 100 medidas protetivas por mês, segundo o Anexo da Violência Doméstica do Fórum, órgão que também atua no atendimento a vítimas.

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Desde 2015, essa divisão do judiciário já recebeu cerca de 7 mil processos relacionados a violência doméstica.

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“O número é bastante expressivo, mas o aumento da demanda é sinal de mudança, mostra que elas conhecem os direitos. Após o relato da mulher sobre a violência, a medida é concedida em até 48 horas. Não deixamos passar muito tempo. Sabemos o quanto é importante para elas”, afirma a juíza Carolina Gama, do Anexo da Violência.

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Entre as regras previstas pela medida protetiva, o ofensor não pode se aproximar da vítima, não deve se comunicar com ela por qualquer meio e, por vezes, deve se afastar da casa em que vivia com a mulher. Em situações mais extremas, quando o casal tem filhos, a Justiça pode suspender as visitas às crianças.

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Em outros casos, a determinação pode ser substituída por palestras sobre a Lei Maria da Penha, orientações de advogados ou da Defensoria Pública na área de família, álcool e drogas, e até técnicas de meditação, ioga e autoconhecimento.

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Oferecidos por projetos como o Serviço de Reeducação do Autor de Violência de Gênero (Seravig), esses encontros são ministrados para até 15 pessoas, geralmente réus primários e suspeitos de envolvimento em casos que não resultaram em lesões graves.

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A reincidência entre os que participaram desses cursos, segundo a juíza, é de menos de 3%. “Nessas palestras eles conseguem entender a si próprios, o porquê de agirem dessa forma com as companheiras. Já vimos a diferença na vida dos acusados, pois fazemos o acompanhamento”, diz.

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‘Cultura machista’

Para Carolina, a incidência dos casos de violência e a necessidade de emissão de tantas medidas protetivas estão associadas à maneira como parte dos homens se enxerga no relacionamento, com a concepção equivocada de que agredir a mulher é algo normal.

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“Os conflitos ainda ocorrem porque o homem não entende ou não aceita as prerrogativas da mulher, o que faz parte da cultura machista. Por isso, as medidas visam equilibrar essa situação, deixando a mulher fortalecida”, diz.

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Segundo a juíza, a violência contra a mulher é uma problemática que permeia todos os espaços da sociedade, mas a questão só terá fim quando a população começar a tratar melhor o assunto.

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“Quando se fala em casos de violência doméstica, a quantidade, em números de feitos ou estatística, segue elevada. No entanto, lembro que até há pouco tempo sequer havia pesquisa desse tipo, não se tratava de um delito que a sociedade ou mesmo a Justiça tinha como relevante. Essa conquista é feminina”, diz.

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A magistrada completa que o cenário só vai mudar quando for desafiada a cultura que ainda se baseia na desigualdade para os papeis de gênero. “Por isso creditamos tanto à educação e ao fortalecimento de discussões, inclusive com os mais jovens, sobre respeito e tolerância”, afirma a juíza.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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