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Case-se com seu estuprador e livre-o da prisão. Todos contra essa barbaridade na Turquia

Saiu no site GREEN ME

 

Veja publicação no site original:   Case-se com seu estuprador e livre-o da prisão. Todos contra essa barbaridade na Turquia

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Parece inconcebível acreditar que existam leis para defender a violência e o abuso sexual contra crianças, mas infelizmente elas existem!

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E um exemplo disso está ocorrendo na Turquia, um país de costumes e tradições arcaicas, retrógradas e ultrapassadas, onde impera a discriminação contra mulher e a exaltação ao machismo, mesmo às custas do desrespeito e da violência.

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Para se ter uma ideia, a Organização das Nações Unidas estima que cerca de 482 mil meninas menores de 18 anos se casaram naquele país entre 2000 e 2010.

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Nesse contexto, para piorar esse quadro, o governo turco quer instituir uma lei para promover a libertação de homens presos por abuso infantil, caso se casem com suas próprias vítimas. Absurdo, mas é real!

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Pasmem, o Partido Conservador de Justiça e Desenvolvimento (AKP), do presidente Recep Tayyip Erdoğan, com essa proposta, quer introduzir anistia a quem pratica tal ato, desde que o violentador se case com a vítima!

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Em 2016, um projeto semelhante foi proposto e, na época, manifestantes e ativistas humanitários se opuseram, marchando pelas ruas de Istambul. Graças a esse movimento, a legislação proposta NÃO fora aprovada!

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Na primeira tentativa de passar esse tipo de legislação pelo parlamento turco, em 16 de janeiro de 2016,  a proposta consistia em dar aos homens a suspensão das sentenças por crimes sexuais contra menores, desde que ocorresse matrimônio com as vítimas, e que estas não tivessem idade inferior a 10 anos. A proposta provocou indignação tanto dentro do país, como mundo afora!

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Agora surge nesse ano, novamente proposta similar que estimula a violência sexual contra menores e, novamente, partidos de oposição e grupos de defesa dos direitos humanos imediatamente se levantaram contra tamanha atrocidade em forma de lei, que libera a prática do estupro infantil.

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Fidan Ataselim, secretário geral do grupo ativista We Stop Stop Femicide, alegou que esse nova tentativa do governo de aprovar esse tipo de proposta é uma forma de apagar as evidências da crescente onda de violência contra menores.

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O grupo We Stop Femicide, que investiga e rastreia a violência e as mortes envolvendo abuso sexual desde 2009 levantou a estimativa de que mais de 2.600 mulheres foram assassinadas na última década e esse grave problema tem aumentado a cada ano.

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O Dr. Adem Sözüer, chefe do Departamento de Procedimentos Criminais da Universidade de Istambul, disse ao The Guardian que o novo projeto provavelmente aumentaria as taxas de violência contra mulheres e crianças porque “legitima a mentalidade de que mulheres são objetos a possuir ou existem para satisfação sexual”.

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Tamanha reincidente arbitrariedade do governo turco gerou protestos no país inteiro, que se opõe à proposta que tem sido definida pela crítica e opositores como: “case -se com seu estuprador”.

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O Partido Democrata dos Povos (HDP) declarou que esse projeto de lei valida dois graves problemas: o casamento infantil e o estupro, além de contribuir para incentivar o abuso infantil e a exploração sexual.

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Felizmente, graças a anos de campanha de ativistas e defensores pelos direitos humanos países como: Líbano, Egito, Jordânia, Marrocos, Tunísia e Palestina, entre outros, removeram brechas na legislação que promoviam esse tipo de lei que normaliza a injustiça, o preconceito e a desumanidade.

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A Turquia precisa seguir o exemplo desses países que aboliram esse tipo de lei que vai contra os direitos humanos.

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Ainda bem que pessoas e autoridades do mundo inteiro estão se opondo e reagindo a essa barbaridade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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