Saiu no site MONEY TIMES
As bets encontraram um novo território para crescer: o público feminino. Para conquistar essas consumidoras, as empresas estão reformulando sua comunicação.
De acordo com uma pesquisa do Serasa realizada em parceria com a Opinion Box, em 2024, 93% das mulheres participavam das finanças da família. Elas realizavam o pagamento de contas básicas, administravam pendências financeiras e organizavam o orçamento da casa. No caso das mulheres de baixa renda, 48% delas eram as únicas responsáveis pela gestão do dinheiro no lar.
De olho nesse novo público-alvo, as bets começaram a mudar sua publicidade. Para além da associação das apostas ao futebol e ao entretenimento, as campanhas que conversam com as mulheres exploram a ideia de renda extra, melhoria da condição financeira e a possibilidade de proporcionar uma vida melhor para a família, explica Beatriz Della Costa, cientista social e cofundadora do Estúdio Clarice, organização que produz estudos e conteúdos culturais sobre mulheres.
A especialista aponta que a diversificação do formato das bets ajudou a aproximá-las das mulheres. Para além do modelo das apostas esportivas, existem plataformas que se aproximam da estética típica de jogos de celular, com cores chamativas, sons, rapidez e partidas curtas.
Esses sites e aplicativos simulam elementos populares no mundo das apostas como caça-níqueis, roletas e cartas, por exemplo. Aqui se incluem os famosos jogos do “Tigrinho” e do “Aviãozinho“.
Na pesquisa “Mulheres & Bets”, divulgada em agosto deste ano, o Estúdio Clarice apontou que 49% das apostadoras estão nos cassinos online e 29% apostam nos jogos de sorte instantânea.
Della Costa esclarece que, ao apresentar elementos associados ao entretenimento, as plataformas de bets induzem as mulheres a entenderem as apostas como uma forma de lazer. Segundo ela, essa característica pode tornar a aposta menos associada à ideia tradicional de jogo de azar e mais próxima de um passatempo cotidiano. Na pesquisa do Clarice, 19% das entrevistadas afirmaram que começaram a apostar online “para se divertir ou se entreter”.
Outro componente importante dessa estratégia é o uso dos influenciadores digitais.
Virgínia Fonseca, Viih Tube, Deolane Bezerra e Gkay são alguns dos principais nomes femininos associados ao mundo das apostas. Todas elas reúnem milhões de seguidores nas redes sociais publicando conteúdos sobre maternidade, moda, humor e estilo de vida dos milionários.
No ano passado, o relatório final da CPI das bets propôs o indiciamento de 16 pessoas, incluindo Fonseca, por estelionato e propaganda enganosa, e Bezerra, por contravenção penal de jogo de azar e loteria não autorizada, estelionato, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa. O texto foi rejeitado pelo plenário da comissão por 4 votos a 3.
Na ocasião, a relatora Soraya Thronicke (Podemos-MS) declarou que ainda enviaria os documentos ao Ministério Público ou à Polícia Federal no papel de senadora.









