HOME

Home

Relações Tóxicas – Que amor é esse?

Saiu no site MARCIA PELTIER

 

Veja publicação original:   Relações Tóxicas – Que amor é esse?

.

A psicóloga Renata Bento reflete sobre relacionamentos desequilibrados onde existe um fator de abuso, de esgotamento emocional de uma das partes.

.

Por Renata Bento

.

É possível que você esteja vivendo uma relação abusiva ou já tenha escutado que alguém próximo está enredado em um relacionamento tóxico. Muito se tem falado  a respeito desse assunto nas mídias.

.

Parece ter se tornado mais comum notar essa forma de vínculo entre os casais. Mas é importante ressaltar que um relacionamento abusivo pode ocorrer em qualquer tipo de relação humana – não necessariamente entre namorados ou cônjuges, mas também entre pais e filhos, irmãos, amigos, colegas de trabalho, entre outros.

.

Chamamos de relação tóxica “a forma assimétrica de se relacionar entre duas pessoas”, onde uma delas sofre intensamente com o modo de ser da outra, que em nada se modifica a esse respeito. Uma das pessoas sente-se aprisionada e emocionalmente dependente; torna-se refém de um vínculo empobrecido, pouco criativo, pautado no sofrimento, no desrespeito e na falta de confiança e empatia. É uma trama de difícil digestão mental, com esgotamento de energia emocional que potencializa a fragilidade de uma das partes, devido ao alto grau de conteúdo inconsciente existente na dupla. Nesse cenário, a relação não progride e a possibilidade de gratificação com trocas mais ricas fica abalada.

.

Um dos envolvidos ativa no outro pontos específicos. Em psicanálise, podemos pensar se tratar de uma dinâmica destrutiva em que a doença de um necessita ou completa a doença do outro: de um lado, há alguém incapaz de sentir os sentimentos e as emoções, isto é, incapacitado de sentir compaixão, remorso ou culpa. Do outro lado, está alguém empático, preocupado, doador e que carrega em si culpa inconsciente, senso de obrigação e responsabilidade para com os outros e com a vida. Mas seu lado frágil, inconsciente, à espera de reasseguramento está mais agudo. Há uma espécie de relação adicta entre o par tal qual há na de usuários de substância psicoativa.

.

Trata-se de uma trama complexa encenada por uma dupla onde quem se sente ameaçado não consegue enxergar suas qualidades e potenciais e fica à espera de que o outro o perceba, o que não ocorre. As cobranças emocionais são acionadas e viram um círculo vicioso altamente destrutivo e do qual é difícil escapar. Exemplificando: é possível pensar numa relação sadomasoquista onde os papéis podem se alternar; o masoquista, que tem prazer em sofrer, busca o estado de humilhação e o sádico, com prazer em torturar e fazer sofrer, se apresenta.

.

Não é simples conseguir sair de uma relação tóxica, principalmente se existe vínculo econômico que acaba se misturando à dependência emocional. Nesse caso, observa-se que as dificuldades mais comuns são:

.

1-      Econômicas: quando o parceiro (a) não é autônomo e independente;

2-      Emocionais e afetivas: relacionadas à dependência emocional – o medo de se sentir desamparado, medo das reações do parceiro, temor de ficar sozinho e crença de que não conseguirá refazer sua vida amorosa. E, como existe um ciclo de calmaria na relação, a pessoa tende a acreditar que o parceiro (a) irá se modificar, ou que ela (e) será capaz de fazê-lo (a) mudar. Há um receio de se deparar com o desconhecido que pode significar o seu autodesconhecimento, isto é, o próprio não saber sobre si mesmo;

3-      Sociais: a relação abusiva tem por característica o isolamento do casal do seu meio social, afastamento de amigos e familiares.

4-      Questões jurídicas: existe um nó emocional  inconsciente na relação abusiva que cega a vítima. A pessoa então não busca ajuda ou desconhece as questões legais.

.

As pessoas envolvidas nesse tipo de relacionamento devem buscar apoio de seu círculo social e familiar, bem como ajuda psicológica, pois apresentam tendência a experimentar em suas vidas uma dose excessiva de sofrimento que as impossibilita de trocas afetivas mais ricas e verdadeiras e isso está longe de ser o que se procura, que é o amor.

.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

Veja também

“Quando fui infectada pelo Jean, ele não adoeceu somente a mim, ele adoeceu uma família inteira. Há um luto, ele atingiu todas as pessoas que me amam e estão ao meu lado”, complementa. A denúncia do MP-RO contra Jean aponta que ele tem conhecimento do próprio diagnóstico há cerca de 10 anos e optou por não aderir ao tratamento antirretroviral. A hipótese é que o homem não quis se tratar justamente para transmitir o vírus às pessoas com quem se relacionava. 🔎 O tratamento feito corretamente mantém a carga viral indetectável e impede a transmissão. Denúncias e condenação Em busca de assistência e justiça, Maria compareceu ao Navit no dia 28 de maio. O espaço, que funciona na sede do Ministério Público de Rondônia, é estruturado para oferecer um ambiente de acolhimento especializado, sigiloso e humanizado para vítimas de violência. “Estava doendo, mas eu iria fazer o que tivesse que fazer. Ele poderia enfrentar a impunidade de outras pessoas e de outras vítimas, mas da minha parte jamais ele terá impunidade”, afirma Maria sobre a decisão de buscar as autoridades. Os relatos da vítima foram fundamentais para a prisão de Jean no dia 10 de junho. Segundo o MP-RO, o pedido foi feito porque ficou evidente que, mesmo respondendo à primeira ação penal, o homem continuava se relacionando com outras mulheres e transmitindo o vírus.

HOME