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‘Se você cala, você está aceitando, então não cale’, diz vítima de violência doméstica

Saiu no site G1

 

Veja publicação original:   ‘Se você cala, você está aceitando, então não cale’, diz vítima de violência doméstica

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Na segunda reportagem da série ‘Mulher: Um pedido de socorro’, da TV Asa Branca, entenda como a denúncia é importante para dar um basta na violência doméstica.

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Por Ana Rebeca Passos

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Quando a mulher decide não continuar no relacionamento, e quer dar um basta nas perseguições do ex-companheiro, a medida protetiva é uma das formas de coibir a violência e garantir a proteção. Se compararmos os meses de janeiro e fevereiro de 2018 com 2019, só na Delegacia da Mulher de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, houve um aumento de 9% nos registros de boletins de ocorrência relacionados à violência contra a mulher, e 18% a mais de requerimento de medidas protetivas.

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“Ele começou a mudar, a me agredir fisicamente, e o meu psicológico já tava abalado. Eu quero viver e na mão desse psicopata eu não quero estar, e não quero que outras pessoas estejam”. Foi o que relatou umas das vítimas da violência doméstica. Atualmente ela está em medida protetiva e por isso não pode ser identificada.

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Segundo a advogada Any Ferreira, o número de denúncias cresceu bastante comparado a anos anteriores. Isso acontecia por vários fatores, dentre eles medo ou achar que consegue resolver sozinha.

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Segundo episódio da série de reportagem "Mulher: Um pedido de socorro", da TV Asa Branca — Foto: TV Asa Branca/ReproduçãoSegundo episódio da série de reportagem “Mulher: Um pedido de socorro”, da TV Asa Branca — Foto: TV Asa Branca/Reprodução

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Any também explicou que com a medida protetiva as mulheres têm se sentido cada vez mais seguras e denunciam. Além de que colocar em prática essas políticas públicas é uma forma de garantir proteção a essas vítimas.

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“Com a implementação da medida protetiva, que obriga o agressor a se afastar, mas também pode ocasionar a ele a detenção à prisão, trouxe mais segurança e querendo ou não melhorou a aplicabilidade da Lei Maria da Penha e tantas outras leis que vão coibir a agressão contra a mulher, seja física ou mental“, concluiu a advogada.

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Como ajudar

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Quem sofre ou sofreu violência, apresenta características que podem ser observadas por qualquer pessoa. Identificar o problema, além de ser importante, pode mudar a realidade da vítima. A psicóloga Taciana Cavalcante orienta como ajudar essas vítimas e identificar quando elas estiverem sofrendo algum tipo de violência.

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“Existem várias questões que apontam para uma possibilidade de existência de violência. Entre elas a mudança de humor, a baixa auto estima, a tristeza excessiva e alterações de comportamento, mesmo que possam ser um indicador de uma possível situação de violência, que na verdade seriam alterações de comportamentos pode vir apresentar”, afirma a psicóloga.

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Além desses fatores, é possível identificar também através do diálogo, mas deve-se entender que nem sempre a vítima consegue relatar o que esta acontecendo. Em muitos casos é necessário um acompanhamento psicológico para ajudar a vítima.

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“A partir do diálogo, a gente consegue entender o sofrimento do sujeito, mas muitas vezes ele não fala, existe uma grande resistência dessas vítimas, em relatar, em falar dessa situação, principalmente quando existe uma violência psicológica. Então, em algumas situações é necessário um acompanhamento psicológico para o fortalecimento dessa vítima e a partir disso ela se sentir a vontade para falar sobre essa questão”, pontua a advogada.

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Pensando em ajudar essas vítimas de violência, um grupo de profissionais de Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, resolveu criar uma rede de apoio no intuito de lutar pela causa. Elas são psicólogas, estudantes, advogadas, policiais civis que perceberam que unidas podem fazer a diferença em uma realidade cruel onde mulheres ainda são vítimas de violência.

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Segunda reportagem da série "Mulher: Um pedido de socorro", da TV Asa Branca — Foto: TV Asa Branca/ReproduçãoSegunda reportagem da série “Mulher: Um pedido de socorro”, da TV Asa Branca — Foto: TV Asa Branca/Reprodução

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Através de dados, essas profissionais identificaram que os números de denúncias sobre os crimes tinham dobrado no período entre 2015 e 2016 e decidiram a partir disso criar a iniciativa. “A intenção da gente é passar o conhecimento que a gente tem. O meu, o das outras meninas, para o maior número de mulheres possível, para que não aconteça mais esses casos de violência, ou no mínimo se acontecer elas tenham a quem recorrer”, afirma Flávia Pires, uma das participantes do grupo.

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“Vai melhorar, sim, vai melhorar. E eu vou até o fim, eu não vou parar por aí. De jeito nenhum, por que eu não quero ser um vítima amanhã. Eu não quero ser. E a mulher tem que falar. Primeiramente com a família, se reunir e falar, que o bom é falar, se você cala, você está aceitando, então não cale”, conclui a vítima.

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*Esta é a segunda reportagem da série “Mulher: Um pedido de socorro”, que contou com imagens de Matheus Guerra e Edivaldo Coelho e edição de Tânia Marinho.

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