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Viviane Duarte: A dona do plano para dar um futuro às meninas da periferia

Saiu no site HUFFPOST:

 

Veja publicação original: Viviane Duarte: A dona do plano para dar um futuro às meninas da periferia

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“Queremos fazer essa menina olhar no espelho e acreditar em quem ela é para poder provocar essa mudança”, disse, em entrevista ao HuffPost Brasil.

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O primeiro exercício é um teste do espelho. Parece simples. A proposta é olhar para frente e contar para você mesma o que espera para o seu futuro. Ali, olho no olho. Quando Viviane Duarte, 39 anos, fala sobre essa atividade, dá até um arrepio. Ela fica emocionada. Isso porque se encarar não é fácil para todo mundo e ela sabe disso. Tanto que há dois anos convida meninas da periferia de São Paulo a fazer essa atividade no projeto Plano de Menina. “A maioria não tem essa coragem de falar, de se encarar, porque elas foram tão invalidadas… Umas não querem nem olhar no espelho”. Mas depois de alguns meses de trabalho, elas olham. “Nossa ideia é construir meninas fortes para ocupar espaços”.

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Fica fácil entender como esse projeto nasceu. Vivi foi uma menina forte. E ocupou espaços. Reconhece que teve a sorte de ter uma mãe e uma avó que sempre a fizeram acreditar que ela podia realizar seus sonhos. Saiu da periferia e chegou em grandes empresas de publicidade. “Hackeei o sistema”, diz. E com muita propriedade. Virou executiva e empreendedora. Abriu seu próprio negócio em 2010, o Plano Feminino, um trabalho de consultoria para marcas que buscam se posicionar com este público. “O Plano veio de uma frustração minha como executiva de marketing de não conseguir colocar ideias em prática. Meu movimento foi criar um projeto que eu me identificasse como mulher, que eu acreditasse e pudesse fazer coisas importantes”.

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“Meu movimento foi criar um projeto que eu me identificasse como mulher, que eu acreditasse e pudesse fazer coisas importantes.”

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Desde o início do “Plano de Menina”, 400 meninas já passaram pelo processo de empoderamento, autoconhecimento e workshops.

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Nessa época, nem se falava ainda em empoderamento feminino. O papo era sobre reposicionar a mulher na publicidade, fortalecer seu papel e espaço nas empresas. Mas já tinha tudo a ver com poder. “A gente mostrava que valia a pena falar direito com a mulher e conseguimos ser olhadas de forma profissional, sem chacota. No começo não entendiam. Fui muito criticada, meus amigos falavam que eu estava me queimando no mercado e eu continuei acreditando que ia dar certo, pensando muito em resultado. Queria mostrar que falar com a mulher de forma correta, dar protagonismo para ela era valioso”.

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E conseguiu. Com importantes marcas como clientes, a empresa engatou e foi quando Viviane percebeu que queria mais do seu trabalho. “Comecei a pensar em qual era o propósito do meu negócio. O que eu vou deixar de impacto social? Faço sempre esse exercido de olhar de onde eu vim. Isso é tão importante”. Assim pensou que poderia ajudar meninas a ter seus próprios planos, como ela teve. Fez um mapeamento dos lugares mais violentos para mulheres e começou o projeto em duas comunidades de São Paulo.

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“No começo não entendiam. Fui muito criticada e eu continuei acreditando que ia dar certo, pensando muito em resultado. Queria mostrar que falar com a mulher de forma correta, dar protagonismo para ela era valioso.”

Atualmente, o “plano” é começar um trabalho com as mães das garotas e em breve atuar também com os meninos.

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A coisa também vingou muito bem. Desde o início do projeto, 400 meninas já passaram pelo processo de empoderamento, autoconhecimento e workshops – as atividades vão desde educação financeira, planejamento de carreira a trabalho para autoestima e aulas de teatro. E o plano está crescendo e esse ano vai começar um trabalho com as mães dessas garotas e em breve vai atuar também com os meninos. “Percebemos que as meninas empoderadas começaram a achar os meninos chatos e vamos criar um ruído aí. Nosso foco são as meninas, mas precisamos falar com eles também, trabalhar o respeito, a admiração, o papel como homem. A gente esta fazendo isso porque queremos um futuro melhor para elas”.

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E é tudo que Vivi pode desejar. Um futuro diferente para elas. “Queremos fazer essa menina olhar no espelho e acreditar em quem ela é para poder provocar essa mudança”. Olhar no espelho é só o primeiro passo. Precisa de força, ela sabe. Mas Vivi está ali para ajudar, porque isso ela tem de sobra, desde cedo. E dá para ver. Sua força está ali na forma confiante com que ela te olha nos olhos, com profundidade e leveza. E Viviane tem também aquela coisa envolvente de quem sorri delicadamente com os olhos.

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Nossa ideia é construir meninas fortes para ocupar espaços.

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É coisa de menina que sonha.

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Para saber onde atuar, Viviane fez um mapeamento dos lugares mais violentos para mulheres em São Paulo.

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Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Ana Ignacio

Imagem: Caroline Lima

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil

 

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