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Nova Graphic MSP, ‘Tina – Respeito’ discute o assédio sofrido pelas mulheres

Saiu no site METRÔ JORNAL

 

Veja publicação original: Nova Graphic MSP, ‘Tina – Respeito’ discute o assédio sofrido pelas mulheres

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Por Paulo Borgia

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Aos 22 anos, Tina realiza um de seus maiores sonhos, que é ir trabalhar em uma redação e poder exercer uma das coisas que mais ama: o jornalismo. Mas essa alegria começa a desvanecer quando passa a ser assediada por quem deveria estar ao seu lado para apoiá-la.

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Um tema infelizmente comum, mas que precisa ser falado, é a história da vigésima quarta edição da Graphic MSP, em “Tina – Respeito”, desenhada e escrita por Fefê Torquato para a série criada pela Mauricio de Sousa Produções.

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De menina hippie, a jovem foi redesenhada por Fefê como uma mulher que sofre a normal insegurança do começo de uma carreira profissional, mas que ao mesmo tempo mostra determinação para fazer o melhor.

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Porém, sua dedicação profissional passa a não ser prioridade em sua vida, quando as diversas formas de assédio aparecem no dia a dia e tomam conta de seus pensamentos, seja na rua, no mercado, ou no ônibus – quantas mulheres não passaram pela situação ilustrada por Fefê, de um ônibus vazio, e um homem escolhe sentar justamente ao lado de uma mulher sozinha?

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capa tina respeito Reprodução

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Em “Respeito”, a autora coloca o leitor dentro da vida de Tina, em sua casa, com os amigos, no trabalho, criando uma empatia fundamental para entender que, o que a personagem passa, é mais comum do que muitos pensam. Que “uma cantada fora de contexto é uma forma de assédio”, ressalta a ilustradora.

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E, quando Tina passa a ser resistente à situações inconvenientes e descabidas, ela mostra todo seu potencial de luta, sabendo que seu movimento é fundamental para que ela e outras mulheres sejam efetivamente respeitadas.

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Aquarela

Além do ótimo roteiro, é importante também citar a arte de Fefê Torquato, que traz a beleza e leveza de seu trabalho à história, com traço e a finalização em aquarela e lápis de cor. Todo o processo de criação é detalhado no fim do livro, junto de outras informações que deixam a “Tina – Respeito” ainda mais completa.

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Fefê Torquato

A desenhista e escritora começou sua carreira em 2011, como ilustradora. Três anos depois criou a webcomic “Gata Garota”, que teve seu primeiro volume publicado pela Editora Nemo.

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Em 2016 lançou dois projetos independentes, “Estranhos” e “A”.

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fefe torquatoReprodução/Arquivo Pessoal

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Pipa & Rolo

A trama é centrada em Tina, mas claro que não poderiam faltar personagens importantes de sua história, como os amigos Pipa e Rolo, fundamentais nesse momento difícil que a protagonista passa.

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pipa e rolo da ha Reprodução

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A primeira
Tina apareceu pela primeira vez em 15 de fevereiro de 1970, na capa da “Folhinha de S.Paulo”, de um jeito bem hippie. Sua primeira tirinha protagonista veio dois anos depois

primeira aparição de TinaReprodução

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Preliminares rejeitadas Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora Lucimeire Maria da Silva, afastou inicialmente a alegação de inépcia da inicial. Segundo a magistrada, a petição apresentou de forma lógica a causa de pedir e os fatos e fundamentos jurídicos necessários ao exercício do contraditório. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O voto destacou que os réus participaram virtualmente da audiência e tiveram oportunidade de prestar depoimento pessoal, mas a produção da prova foi inviabilizada por eles próprios. Conforme registrado na ata, os réus foram instados três vezes a abrir a câmera. Quando um deles finalmente o fez, constatou-se que ambos estavam no mesmo ambiente. Mesmo após duas determinações para que permanecessem separados, de modo a preservar a incomunicabilidade entre os depoentes, eles não atenderam à ordem. Provas da espionagem No mérito, a desembargadora afastou a alegação de insuficiência de provas. Além da perícia realizada no aparelho, destacou os depoimentos que descreveram como ocorreu a instalação do programa e a forma de acesso às informações. Conforme ressaltou, tanto a vítima quanto os informantes afirmaram que os réus chegaram a mostrar à mulher informações e imagens obtidas pelo aplicativo, em uma espécie de intimidação. Para a relatora, o conjunto probatório demonstrou suficientemente que a mulher foi submetida a reiterada perseguição pelo ex-companheiro e pelo filho, que instalaram o aplicativo para monitorar suas ligações, localização e outros dados pessoais. Violação da intimidade Ao analisar a responsabilidade civil, a magistrada considerou que o monitoramento clandestino representou ingerência abusiva na esfera privada da mulher e violou direitos da personalidade, especialmente a intimidade, a vida privada e a liberdade individual. Segundo o voto, a instalação de mecanismo de vigilância sem consentimento caracterizou ato ilícito, nos termos do art. 186 do CC. Comprovados também o dano e o nexo causal, incidiu o dever de indenizar previsto no art. 927. A relatora o dano moral in re ipsa. De acordo com ela, a gravidade da violação à esfera íntima torna desnecessária a demonstração específica do prejuízo. Conforme afirmou, a vigilância constante, mediante interceptação de dados pessoais e monitoramento da rotina, ultrapassou mero dissabor e atingiu a dignidade, a autonomia e a segurança emocional da vítima. Violência doméstica Outro ponto destacado foi o enquadramento da conduta na lei Maria da Penha. Para a magistrada, o vínculo familiar não reduz a gravidade dos fatos, ao contrário, aumenta a reprovabilidade do comportamento, diante dos deveres de lealdade, respeito e proteção esperados nas relações familiares. A relatora observou que a instalação do aplicativo para acompanhar comunicações, deslocamentos e a rotina da mulher constitui forma de controle abusivo e invasivo no âmbito familiar. Assim, enquadrou a prática nas modalidades de violência psicológica e moral previstas no art. 7º da lei 11.340/06. Segundo o voto, a vigilância clandestina submeteu a vítima a situação de permanente controle e violação de sua esfera íntima, afetando diretamente sua liberdade e integridade psíquica. “A utilização de mecanismos tecnológicos para vigilância não autorizada intensifica a reprovabilidade do comportamento, evidenciando dolo e deliberada intenção de controle”, registrou. Indenização majorada Ao examinar o recurso da vítima, a relatora concluiu que os R$ 5 mil fixados contra cada réu eram insuficientes diante das circunstâncias do caso. Segundo o voto, a definição do dano moral deve considerar a situação das partes, a extensão do dano e a gravidade da culpa, além de observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem permitir enriquecimento sem causa nem reduzir a condenação a montante incapaz de cumprir sua função preventiva e corretiva. No caso, a desembargadora classificou a conduta dos réus como “extremamente reprovável” e destacou o real constrangimento imposto à vítima. Assim, fixou a reparação em R$ 6 mil por réu, totalizando R$ 12 mil, valor considerado mais adequado para compensar a violação aos direitos da personalidade e desestimular novos atos ilícitos. O entendimento foi acompanhado pelo colegiado. Processo: 0710401-64.2022.8.07.0005 Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/462340/filho-e-ex-indenizarao-por-espionar-celular-de-mulher-apos-termino

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