Saiu no site VEJA
Após uma líder ter discutido casos em público, elas começam a sair das sombras
O Congresso dos Gideões, tradicional reunião anual de pastores de diversas denominações, transcorria na santa paz em Balneário Camboriú, Santa Catarina, quando um discurso fugiu radicalmente ao roteiro, causando tremores que até agora se fazem sentir no meio evangélico. Era 2 de maio, um sábado de casa cheia, e a pastora Helena Raquel disparou no palco: “Pedófilo não é ungido. Pedófilo é criminoso. Não existe capacidade de se encontrar na mesma figura um pastor e um abusador”. A pregação de uma hora e vinte minutos, proferida pela principal líder da Vida na Palavra, uma das vertentes da Assembleia de Deus, apontava o dedo para dentro do segmento religioso que mais cresce no país, chamando atenção para o fato de os casos de abuso sexual nos templos serem frequentemente varridos para debaixo do púlpito. E, então, o que era para ser mais um encontro pentecostal voltado para quem se dedica a disseminar os escritos bíblicos virou dinamite nas redes ao lançar luz sobre um daqueles tenebrosos tabus envoltos em silêncio e que tanto mal traz às vítimas.
As palavras da pastora não foram apenas notáveis pela coragem, mas também pela raridade. Embora aqui e ali líderes evangélicos tenham defendido junto a seus rebanhos a necessidade de denunciar crimes de cunho sexual, sobretudo quando praticados sob o teto dos fiéis, jamais alguém com tão potente microfone havia puxado publicamente a orelha de seus próprios pares. “A mudança deve vir de dentro, de pastores comprometidos de forma inegociável com a verdade da Bíblia, que repudia a violência e o abuso”, afirmou Helena Raquel a VEJA.








