HOME

Home

Miria Alves: A DJ que envolve com sua música e busca inspirar outras minas

Saiu no site HUFFPOST:

 

Veja publicação original: Miria Alves: A DJ que envolve com sua música e busca inspirar outras minas

.

A DJ toca na noite paulistana e criou um curso de mixagem só para mulheres: “A ideia é abrir os ouvidos delas”, disse, em entrevista ao HuffPost Brasil.

.

Miria sabe que o som sempre se propaga. E o alcance não está totalmente no seu controle – só o volume do toca disco. Logo antes de começar a conversa com a reportagem do HuffPost estranha o silêncio na casa. Sugere colocar uma música. O eco é meio esquisito mesmo, ainda mais para quem vive de música como ela. Um som de fundo torna tudo mais acolhedor. E ela sabe. Miria Alves, 27 anos, é DJ e se dedica exatamente a isso: aproximar pela música. “Quero tocar e envolver as pessoas porque o DJ tem essa missão mesmo de fazer o ambiente ser acolhedor, trazer as pessoas para perto, fazer elas se sentirem bem.”

.

Toda noite quando vai tocar ainda sente um nervosinho. Sabe que atingir o público exige, além de técnica, feeling, sentimento. E não perdeu aquele flerte com os aparelhos, já tão habituais para ela. “O toca disco é muito íntimo… eu e ele somos uma coisa só”. E assim ela faz sua dança e ocupa a pista, sem sair do lugar. O que vai é a música.

.

“Quero tocar e envolver as pessoas porque o DJ tem essa missão mesmo de fazer o ambiente ser acolhedor, trazer as pessoas para perto, fazer elas se sentirem bem.”

.

CAROLINE LIMA/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
A DJ toca na noite paulistana e criou projeto para que mulheres aprendam a mixar e tenham uma relação diferente com a música.

.

E é curioso, porque ela chegou nesse lugar justamente por causa de outra parada, que dava muito mais movimento físico. Foi pelo skate que ela se aproximou desse universo. “Eu tive uma criação gospel, então minha família sempre teve contato com música e depois eu fui para o skate e fui para o toca disco por causa disso. Quando fui para o skate conheci o mundo mais profundo do hip hop, do black music. Até os 16 anos andei e sofri um acidente, fraturei meu fêmur e fiquei muito tempo parada, não podia andar então ia só curtir os eventos e comecei a me interessar pela discotecagem”.

.

Foi atrás de entender melhor aquele movimento e passou a pesquisar, fazer oficinas, workshops. Entrou em um curso de DJ e quando viu já estava tocando em festas, recebendo convites para participar de eventos. Viu que podia realmente fazer daquilo uma profissão. “Fui fazer um som aqui, outro ali e comecei a profissionalizar mesmo. Fazia shows, festivais e a partir disso comecei a tocar, ganhar dinheiro com isso”. Era prazer. Mas era trabalho sério. “Vou completar nove anos tocando e vivendo disso, principalmente nesses últimos três anos. Estou nesse caminho, vivendo disso, tocando projetos, tocando na noite de forma totalmente profissional. Eu tive essa sorte de encontrar pessoas que reconheceram esse talento em mim e me deram essa oportunidade”.

.

“As meninas viviam me pedindo e eu sentia essa necessidade de ver outras mulheres tocando.”

.

CAROLINE LIMA/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
Do skate para a mixagem: Miria entrou em contato com black music, hip hop e outros estilos porque era uma apaixonada pelo esporte.

.

Hoje, Miria tenta, de alguma forma, retribuir essa “sorte”. Criou no começo de 2017 o projeto TPM (Todas Podem Mixar) para ensinar meninas e mulheres como ela técnicas e falar da coisa de forma profissional. “As meninas viviam me pedindo e eu sentia essa necessidade de ver outras mulheres tocando. Eu chegava a dar oficina na escola onde me formei, mas de cada dez inscritos, uma era menina e eu tinha esse objetivo de retornar a oportunidade de viver disso ensinando outras mulheres. Mas as meninas não vinham, era só homem”.

.

Foi quando nasceu esse projeto voltado para as meninas mesmo. Não à toa o nome tão feminino, mas com significado novo. Deu certo. “As meninas abraçaram totalmente, fomos abrindo outras turmas e elas começaram a vir. Cobramos um valor simbólico e a ideia não e só ensinar a técnica da mixagem, mas também falar que precisam estudar, entender como funciona e passar para elas tudo que ninguém me passou. Elas aprendem a ouvir música de outra forma e não só colocar no rádio e ouvir, elas entendem o processo. A ideia é abrir os ouvidos delas.”

.

“A dificuldade é você chegar a um ambiente e ser recebida com a mesma receptividade com que eles recebem um homem. Eles nunca chegam a um ambiente só com mulher e perguntam quem é a DJ. É sempre cadê o DJ?”

.

CAROLINE LIMA/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
O projeto, pioneiro na área, agora precisa de patrocínio para crescer e levar esse tipo de conhecimento e noção profissional a mais mulheres.

.

E o projeto segue neste ano. Miria está atrás de apoio e patrocínio e já conseguiu mostrar que há demanda para esse tipo de formação. Em 12 edições, 150 meninas se formaram. Apesar de saber que o ambiente de festas e de DJs ainda é muito masculino, ela sabe que as coisas estão mudando. “Conseguir fazer [nosso trabalho] com mais autonomia ainda é difícil porque eles subestimam muita sua capacidade de fazer as coisas. Até hoje ainda rola isso. A dificuldade é você chegar a um ambiente e ser recebida com a mesma receptividade com que eles recebem um homem. Eles nunca chegam a um ambiente só com mulher e perguntam quem é a DJ. É sempre cadê o DJ?”

.

“O TPM me trouxe muito isso. A gente consegue viver em um ambiente sem disputa e sem comparação e não fomos educadas para isso.”

.

CAROLINE LIMA/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
“Vou completar nove anos tocando e vivendo disso, principalmente nesses últimos três anos.”

.

A DJ está aqui. Miria e muitas outras que estão chegando, de ouvidos bem abertos, tenha certeza. E o mais importante é que estão juntas. “O TPM me trouxe muito isso. A gente consegue viver em um ambiente sem disputa e sem comparação e não fomos educadas para isso. Hoje vejo outro caminho, com referência. A referência te inspira, a comparação não, ela trás uma ideia de que você é ruim”.

.

Miria sabe que o caminho não é esse e não vai deixar o disco parar não.

.

Porque para ela, todas podem.

.

.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Ana Ignacio

Imagem: Caroline Lima

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil

.

O HuffPost Brasil lançou o projeto Todo Dia Delas para celebrar 365 mulheres durante o ano todo. Se você quiser compartilhar sua história com a gente, envie um e-mail para editor@huffpostbrasil.com com assunto “Todo Dia Delas” ou fale por inbox na nossa página no Facebook.

 

 

.

.

.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Últimas Notícias

Preliminares rejeitadas Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora Lucimeire Maria da Silva, afastou inicialmente a alegação de inépcia da inicial. Segundo a magistrada, a petição apresentou de forma lógica a causa de pedir e os fatos e fundamentos jurídicos necessários ao exercício do contraditório. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O voto destacou que os réus participaram virtualmente da audiência e tiveram oportunidade de prestar depoimento pessoal, mas a produção da prova foi inviabilizada por eles próprios. Conforme registrado na ata, os réus foram instados três vezes a abrir a câmera. Quando um deles finalmente o fez, constatou-se que ambos estavam no mesmo ambiente. Mesmo após duas determinações para que permanecessem separados, de modo a preservar a incomunicabilidade entre os depoentes, eles não atenderam à ordem. Provas da espionagem No mérito, a desembargadora afastou a alegação de insuficiência de provas. Além da perícia realizada no aparelho, destacou os depoimentos que descreveram como ocorreu a instalação do programa e a forma de acesso às informações. Conforme ressaltou, tanto a vítima quanto os informantes afirmaram que os réus chegaram a mostrar à mulher informações e imagens obtidas pelo aplicativo, em uma espécie de intimidação. Para a relatora, o conjunto probatório demonstrou suficientemente que a mulher foi submetida a reiterada perseguição pelo ex-companheiro e pelo filho, que instalaram o aplicativo para monitorar suas ligações, localização e outros dados pessoais. Violação da intimidade Ao analisar a responsabilidade civil, a magistrada considerou que o monitoramento clandestino representou ingerência abusiva na esfera privada da mulher e violou direitos da personalidade, especialmente a intimidade, a vida privada e a liberdade individual. Segundo o voto, a instalação de mecanismo de vigilância sem consentimento caracterizou ato ilícito, nos termos do art. 186 do CC. Comprovados também o dano e o nexo causal, incidiu o dever de indenizar previsto no art. 927. A relatora o dano moral in re ipsa. De acordo com ela, a gravidade da violação à esfera íntima torna desnecessária a demonstração específica do prejuízo. Conforme afirmou, a vigilância constante, mediante interceptação de dados pessoais e monitoramento da rotina, ultrapassou mero dissabor e atingiu a dignidade, a autonomia e a segurança emocional da vítima. Violência doméstica Outro ponto destacado foi o enquadramento da conduta na lei Maria da Penha. Para a magistrada, o vínculo familiar não reduz a gravidade dos fatos, ao contrário, aumenta a reprovabilidade do comportamento, diante dos deveres de lealdade, respeito e proteção esperados nas relações familiares. A relatora observou que a instalação do aplicativo para acompanhar comunicações, deslocamentos e a rotina da mulher constitui forma de controle abusivo e invasivo no âmbito familiar. Assim, enquadrou a prática nas modalidades de violência psicológica e moral previstas no art. 7º da lei 11.340/06. Segundo o voto, a vigilância clandestina submeteu a vítima a situação de permanente controle e violação de sua esfera íntima, afetando diretamente sua liberdade e integridade psíquica. “A utilização de mecanismos tecnológicos para vigilância não autorizada intensifica a reprovabilidade do comportamento, evidenciando dolo e deliberada intenção de controle”, registrou. Indenização majorada Ao examinar o recurso da vítima, a relatora concluiu que os R$ 5 mil fixados contra cada réu eram insuficientes diante das circunstâncias do caso. Segundo o voto, a definição do dano moral deve considerar a situação das partes, a extensão do dano e a gravidade da culpa, além de observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem permitir enriquecimento sem causa nem reduzir a condenação a montante incapaz de cumprir sua função preventiva e corretiva. No caso, a desembargadora classificou a conduta dos réus como “extremamente reprovável” e destacou o real constrangimento imposto à vítima. Assim, fixou a reparação em R$ 6 mil por réu, totalizando R$ 12 mil, valor considerado mais adequado para compensar a violação aos direitos da personalidade e desestimular novos atos ilícitos. O entendimento foi acompanhado pelo colegiado. Processo: 0710401-64.2022.8.07.0005 Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/462340/filho-e-ex-indenizarao-por-espionar-celular-de-mulher-apos-termino

Categorias

HOME