Saiu no site METRÓPOLES
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tornou sem efeito a admissão do conselheiro e diplomata Rubem Mendes de Oliveira no Quadro Ordinário da Ordem de Rio Branco, do Itamaraty, no grau de comendador.
O decreto, publicado nesta quinta-feira (17/9) no Diário Oficial da União (DOU) e assinado em conjunto com o ministro das Relações Exteriores, chanceler Mauro Vieira, invalida a honraria – a mais importante da diplomacia brasileira –, concedida em abril deste ano.
A revogação do ato ocorre no esteio das revelações do Metrópoles, que detalharam a conduta do diplomata no exterior. Em fevereiro de 2022, quando atuava como número dois da Embaixada do Brasil no Cairo, no Egito, Oliveira beijou na boca e sem consentimento uma funcionária egípcia de 23 anos ao se despedir.
Embora o processo tenha resultado em uma sanção formal de 40 dias de suspensão por assédio sexual, a penalidade acabou convertida em multa para que o diplomata mantivesse as suas funções operacionais no exterior. Na sequência, Oliveira assumiu postos de chefia nas representações brasileiras em Porto Príncipe, no Haiti, e posteriormente em Berna, na Suíça.
Em abril passado, quatro anos depois do episódio de assédio, o governo Lula concedeu a Ordem de Rio Branco a Oliveira, mesmo punido administrativamente pelo Itamaraty.
A concessão da medalha da Ordem de Rio Branco a um servidor punido por assédio sexual gerou forte repercussão e pressão sobre a cúpula do Ministério das Relações Exteriores. A anulação do ato reflete o recuo do Palácio do Planalto e do Itamaraty diante do desgaste institucional decorrente da condecoração concedida ao diplomata.
Mais alta comenda
A Ordem de Rio Branco é considerada a mais alta e prestigiada comenda da diplomacia brasileira. É a máxima distinção gerada e concedida no âmbito do Ministério das Relações Exteriores para premiar o mérito diplomático, o serviço civil relevante e a projeção do Brasil no exterior.








