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Em dois séculos, apenas 348 mulheres foram eleitas entre quase 8.000 deputados

Saiu no site R7

Nas eleições de 2022, Câmara elegeu 91 candidatas, número que representa um aumento de 9.000% na comparação com 1933

Apenas 348 mulheres foram eleitas para a Câmara dos Deputados — que comemorou em maio o bicentenário de sua fundação — em um universo de 7.890 parlamentares que já tiveram mandatos na Casa ao longo de 57 legislaturas.

O número de deputadas eleitas na história do Parlamento é quase 23 vezes menor que o dos homens e equivale a somente 4,4% do total de mandatos, segundo dados da própria Câmara.

Para efeito de comparação, os primeiros deputados do país, eleitos em 1826, foram todos homens. A primeira parlamentar mulher, Carlota de Queirós, foi eleita 107 anos depois do início das atividades na Casa, e um ano após a conquista do voto feminino.

📌A Câmara dos Deputados foi criada pela primeira Constituição brasileira, em 1824, e sua sessão de abertura ocorreu dois anos mais tarde, em 6 de maio de 1826. Imposta pelo imperador D. Pedro 1º, a Constituição do Império instituiu a Assembleia Geral Legislativa, composta pela Câmara dos Deputados, com 102 integrantes escolhidos em eleições indiretas, e pela Câmara dos Senadores, com 50 integrantes de mandato vitalício — membros da nobreza, da magistratura e do clero.

Nas últimas eleições gerais, em 2022, 91 deputadas federais foram eleitas, número que representa um aumento de 9000% na comparação com 1933.

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Apesar do avanço, as mulheres representavam, há quatro anos, apenas 34% das candidaturas, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No pleito de 2018, o índice era ainda menor: 32%.

Ainda considerando o pleito de 2022, de 10.630 candidaturas totais, 3.717 eram mulheres (35%). Destas, apenas 91 foram eleitas.

Mulheres na políticaLuce Costa/ Arte R7

Ao R7, a 1ª Coordenadora Adjunta da bancada feminina, deputada federal Laura Carneiro (PSD/RJ), comenta que a participação feminina tem crescido, principalmente na atual legislatura. Para ela, a atuação das mulheres na política faz parte de um processo de transformação que resulta, principalmente, do empoderamento.

“A verdade é que isso é um processo de conscientização da participação da mulher na política. E se você olha hoje, muitas são filhas e esposas, o que é ruim. A participação começa quando você é jovem. Mas as mulheres têm uma carga de trabalho diferente da do homem, e isso as impede lá na frente. Que horas ela tem para participar?”, questionou.

Voto feminino

As mulheres passaram a ter direito ao voto apenas em 1932, mais de 300 anos depois dos homens. Porém, podiam exercer essa garantia apenas mulheres casadas, com o aval do marido, ou viúvas e solteiras com renda própria. Somente em 1965 o voto passou a ser obrigatório para as mulheres, sendo equiparado ao dos homens.

A representação das mulheres no eleitorado é bem diferente do cenário visto nas candidaturas. Hoje, o Brasil conta com 156 milhões de eleitores, e as mulheres representam mais da metade desse público, com 82 milhões (53%), de acordo com o TSE. Desse universo, a maior parte são solteiras (55%).

Apesar da evolução da participação feminina na política, recentemente, um movimento para proibir o voto das mulheres tem ganhado destaque nas redes sociais. A campanha, que começou nos Estados Unidos, é defendida por influenciadores da extrema direita.

Um dos defensores desse retrocesso é Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo, que chegou a publicar um vídeo nas redes sociais afirmando que mulheres, “principalmente as solteiras, votam muito mal”. Além dele, a influenciadora Pietra Bertolazzi também se mostrou favorável à campanha.

Em resposta a esse movimento, a líder da bancada feminina na Câmara, deputada Jack Rocha (PT-ES), protocolou uma representação junto à PGR (Procuradoria-Geral da República) para apurar declarações que atacam o voto das mulheres e colocam em xeque princípios constitucionais da democracia brasileira.

Apesar do avanço, as mulheres representavam, há quatro anos, apenas 34% das candidaturas, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No pleito de 2018, o índice era ainda menor: 32%.
Ainda considerando o pleito de 2022, de 10.630 candidaturas totais, 3.717 eram mulheres (35%). Destas, apenas 91 foram eleitas.
Ao R7, a 1ª Coordenadora Adjunta da bancada feminina, deputada federal Laura Carneiro (PSD/RJ), comenta que a participação feminina tem crescido, principalmente na atual legislatura. Para ela, a atuação das mulheres na política faz parte de um processo de transformação que resulta, principalmente, do empoderamento.

“A verdade é que isso é um processo de conscientização da participação da mulher na política. E se você olha hoje, muitas são filhas e esposas, o que é ruim. A participação começa quando você é jovem. Mas as mulheres têm uma carga de trabalho diferente da do homem, e isso as impede lá na frente. Que horas ela tem para participar?”, questionou.

Voto feminino

As mulheres passaram a ter direito ao voto apenas em 1932, mais de 300 anos depois dos homens. Porém, podiam exercer essa garantia apenas mulheres casadas, com o aval do marido, ou viúvas e solteiras com renda própria. Somente em 1965 o voto passou a ser obrigatório para as mulheres, sendo equiparado ao dos homens.

A representação das mulheres no eleitorado é bem diferente do cenário visto nas candidaturas. Hoje, o Brasil conta com 156 milhões de eleitores, e as mulheres representam mais da metade desse público, com 82 milhões (53%), de acordo com o TSE. Desse universo, a maior parte são solteiras (55%).

Apesar da evolução da participação feminina na política, recentemente, um movimento para proibir o voto das mulheres tem ganhado destaque nas redes sociais. A campanha, que começou nos Estados Unidos, é defendida por influenciadores da extrema direita.

Um dos defensores desse retrocesso é Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo, que chegou a publicar um vídeo nas redes sociais afirmando que mulheres, “principalmente as solteiras, votam muito mal”. Além dele, a influenciadora Pietra Bertolazzi também se mostrou favorável à campanha.

Em resposta a esse movimento, a líder da bancada feminina na Câmara, deputada Jack Rocha (PT-ES), protocolou uma representação junto à PGR (Procuradoria-Geral da República) para apurar declarações que atacam o voto das mulheres e colocam em xeque princípios constitucionais da democracia brasileira.

 

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