HOME

Home

Moradora de rua sofre esterilização mesmo sem consentimento

Saiu no site REVISTA MARIE CLAIRE:

 

Veja publicação original: Moradora de rua sofre esterilização mesmo sem consentimento

.

Janaína Aparecida Aquino é mais uma das muitas mulheres em situação de rua que tem filhos e sofre o preconceito escancarado da sociedade e o abuso do poder público. Segundo caso relatado pelo professor Oscar Vilhena, da FGV Direito SP, em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo, ela foi levada coercitivamente à uma cirurgia de esterilizaçãopor meio de duas ações promovidas por membro do Ministério Público e que não deram à Janaína o direito de defesa.

.

O caso aconteceu no munícipio de Mococa, em São Paulo. Janaína não concediu ou se voluntariou a fazer a cirurgia de esterilização e, sendo assim, o promotor entrou com as ações judiciais contra ela. Por sua vez, o juiz do caso, sem exigir nenhuma audiência, nomear um defensor para Janaína ou exigir documentos que comprovassem o concentimento dela em relação ao procedimento, determinou que o mesmo foi feito coercitivamente.

.

“O caso é escatológico. Em primeiro lugar o promotor utilizou-se de uma ação civil pública, que é um instrumento voltado a proteção de direitos difusos, coletivos ou individuais indisponíveis, para destituir uma pessoa de seu direito à dignidade e à integridade, além de constranger o município a praticar um ato manifestamente ilegal”, explicou Oscar Vilhena em sua coluna.

.

E continuou, manifestando seu total repúdio à condução do caso, em que foi determinada a cirurgia de esterilização de Janaína sem chance de defesa: “Também causa perplexidade o fato do magistrado, dada a condição de vulnerabilidade de Janaina, não ter nomeado um curador especial, no caso um defensor público, que representasse os seus interesses em juízo.”

.

Tal caso mostra que, por mais que o princípio de dignidade determine que todos devam ser tratados de forma igual, com poder de defesa dos seus direitos básicos, a miséria e marginalização inerentes às pessoas em situação de rua faz com que essese direitos sejam totalmente ignorados.

.

.

Decisão do Supremo Tribunal Federal

.

Janaína, infelizmente, foi esterilizada sem o seu concentimento. Depois do ocorrido, porém, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que o instrumento utilizado pelo promotor de justiça neste caso é incompatível com a Constituição Federal. Segundo ele, há exposição e coação arbritárias que interferem e afrontam direitos variados como de locomoção, de defesa, da diginidade humana e da não autoincriminação.

.

Tais ações foram apresentadas pelo PT e pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Depois do voto do relator, o julgamento do caso foi suspenso e deve ser retomado na próxima quarta-feira (13).

.

“Que a contundente decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que infelizmente não pode fazer o tempo voltar para Janaina, sirva de alerta e inspiração para quem têm por responsabilidade proteger direitos e não os violar”, finalizou Vilhena em seu texto. Assim esperamos!

 

 

.

.

.

.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

Veja também

“Quando fui infectada pelo Jean, ele não adoeceu somente a mim, ele adoeceu uma família inteira. Há um luto, ele atingiu todas as pessoas que me amam e estão ao meu lado”, complementa. A denúncia do MP-RO contra Jean aponta que ele tem conhecimento do próprio diagnóstico há cerca de 10 anos e optou por não aderir ao tratamento antirretroviral. A hipótese é que o homem não quis se tratar justamente para transmitir o vírus às pessoas com quem se relacionava. 🔎 O tratamento feito corretamente mantém a carga viral indetectável e impede a transmissão. Denúncias e condenação Em busca de assistência e justiça, Maria compareceu ao Navit no dia 28 de maio. O espaço, que funciona na sede do Ministério Público de Rondônia, é estruturado para oferecer um ambiente de acolhimento especializado, sigiloso e humanizado para vítimas de violência. “Estava doendo, mas eu iria fazer o que tivesse que fazer. Ele poderia enfrentar a impunidade de outras pessoas e de outras vítimas, mas da minha parte jamais ele terá impunidade”, afirma Maria sobre a decisão de buscar as autoridades. Os relatos da vítima foram fundamentais para a prisão de Jean no dia 10 de junho. Segundo o MP-RO, o pedido foi feito porque ficou evidente que, mesmo respondendo à primeira ação penal, o homem continuava se relacionando com outras mulheres e transmitindo o vírus.

HOME