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Violência doméstica: 93,6% das vítimas estão fora dos registros oficiais

Saiu no site METRÓPOLES

Três em cada 10 brasileiras vivenciaram situações de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses

Atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) do Senado Federal, mostra que 29 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses. Ainda assim, 93,6% das vítimas nunca procuraram uma delegacia, o Ligue 180 ou o 19

O levantamento revela uma lacuna preocupante entre a experiência da violência e a forma como ela é reconhecida pelas próprias vítimas. Apenas 4% das entrevistadas afirmam espontaneamente ter sofrido violência doméstica no período. Quando, porém, são questionadas sobre situações específicas — sem que a palavra “violência” apareça na pergunta —, o percentual sobe para 33%.O número de casos que nunca chegou ao conhecimento das autoridades é cerca de 14,6 vezes maior que o grupo que formalizou denúncia ou acionou algum instrumento de proteção (6,4%).

De acordo com a pesquisa, 33% das brasileiras vivenciaram alguma situação de violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa — cerca de três em cada 10 mulheres. Apesar disso, mais de um terço das brasileiras já foi vítima de violência doméstica ou familiar ao longo da vida.

Em 2025, 4% das entrevistadas declararam ter sofrido violência doméstica, enquanto outras 29% relataram ter vivenciado situações de violência sem classificá-las como tal. O índice representa uma redução de um ponto percentual em relação a 2023, quando era de 34%.

 

Entre os tipos de agressão, as violências psicológica (88%), moral (81%) e física (81%) lideram entre os casos, seguidas pela violência patrimonial (41%) e sexual (30%).

O vínculo mais comum entre agressor e vítima é o afetivo — marido, companheiro ou namorado. A proporção, entretanto, aumentou de 58%, em 2023, para 70% na edição mais recente da pesquisa.

Crianças lideram entre as testemunhas

Pela primeira vez, a pesquisa também investigou a presença de testemunhas no momento da agressão. Do total de violências declaradas nos últimos 12 meses, 71% ocorreram na presença de outra pessoa – o equivalente a pelo menos 2.601.861 episódios.

Segundo o levantamento, boa parte dessas agressões acontece diante de quem menos deveria presenciá-las: os próprios filhos das vítimas.

Ao menos 71% das testemunhas de violência doméstica são crianças, e quatro em cada cinco delas são filhos da vítima

Em nota, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), associou a divulgação dos dados aos 20 anos da Lei Maria da Penha e às ações do Agosto Lilás, e destacou a importância de conhecer a fundo o fenômeno para enfrentá-lo. Segundo ele, “os resultados revelam uma dimensão ainda pouco visível da violência”.

Violência contra mulheres trans

A 11ª edição da pesquisa também trouxe um estudo exploratório sobre violência contra mulheres trans e travestis. De acordo com o levantamento, o grupo segue pouco representado nas estatísticas oficiais brasileiras por falhas de registro, ausência de dados públicos consistentes e dificuldade de acesso a políticas de proteção.

O estudo ouviu 43 mulheres trans e travestis, das quais 70% se declararam pretas, pardas ou indígenas e 26%, brancas.

Mais da metade (56%) sofreu violência doméstica no último ano. Apesar disso, apenas 9% reconheceram espontaneamente o episódio como violência.

Entre os tipos de agressão relatados, a violência psicológica lidera, presente em 95% dos casos. As violências física e moral aparecem em seguida, ambas registradas em 88% dos relatos.

O perfil do agressor segue como concentrado em relacionamentos amorosos: marido, companheiro ou namorado da vítima. Em 60% dos relatos, no momento da agressão mais grave, o autor estava com ciúmes; em 50% estava inconformado com término ou tentativa de término do relacionamento.

 

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A Polícia Civil cumpriu, nessa terça-feira (20.10), um mandado de prisão preventiva contra um homem, de 44 anos, investigado pela prática reiterada de crimes de violência doméstica e familiar contra sua companheira, de 49 anos, bem como pelo constante descumprimento de medidas protetivas de urgência. O suspeito já havia sido preso anteriormente pela equipe da Delegacia de Nobres por agredir e ameaçar a ex-companheira no dia 14 de outubro. No dia foram concedidas medidas protetivas de urgência, com o intuito de garantir a integridade física e psicológica da vítima. No entanto, o investigado, demonstrando total desrespeito às ordens judiciais, voltou a praticar novos atos de violência física e psicológica contra a vítima, violando a distância fixada judicialmente. Diante da gravidade dos fatos e da necessidade de garantir a segurança da vítima, o delegado titular da Delegacia de Nobres, Marcus Vinícius Ferreira Silva, representou pela prisão preventiva do agressor. O pedido foi acolhido, o mandado foi expedido pelo Juízo da Vara Única da Comarca de Nobres e o suspeito preso pela equipe da Delegacia de Nobres, ficando à disposição da Justiça.

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