HOME

Home

Veja dicas que podem ajudar a identificar casos de assédio sexual por religiosos

Saiu no site FOLHA DE S.PAULO

 

Veja publicação original:   Veja dicas que podem ajudar a identificar casos de assédio sexual por religiosos 

.

Associação de vítimas sugere estratégias para enfrentar a situação

.

São Paulo O processo de reconhecer e enfrentar o abuso sexual pode consumir muito tempo e energia. Nesse período, vítimas podem ficar completamente esgotadas, irritadiças e sofrer com mudanças bruscas de humor.

.

A associação norte-americana Survivors Network of Those Abused by Priests – Snap (Rede de Sobreviventes de Abusados por Padres, na sigla em inglês) compilou dicas de quem já passou por isso e o que os ajudou no processo. Segundo a rede, como cada vítima é única, não há certo e errado, ou “conselhos”. É preciso ver o que funciona para cada um.

.

.

.

O que torna um adulto vulnerável ao abuso sexual no meio religioso:

.

  • Desejo de pertencimento, de conexão e de ter um mentor espiritual.
  • A cultura da submissão, especialmente para mulheres.
  • Circunstâncias da vida, como uma perda, um período de transição.
  • A crença da vítima de que ela/ele é mau ou um pecador.

.

.

Estratégias comuns de abusadores no meio religioso:

.

  • Isolam e atraem a vítima: Criam oportunidades para estarem sozinhos com as vítimas, fazem com que se sinta especial com elogios e reconhecimento, discutem assuntos conjugais, criticam amigos e familiares.
  • Aproximação: Elogiam de forma sedutora, tocam a vítima de maneiras sexuais, pedem que a pessoa conte informações sobre parceiros, namoros e história sexual.
  • Valorizam a submissão: Ensinam para a vítima a necessidade e a virtude de obedecer, dizem que a submissão vai aproximá-la de Deus, afirmam que a recusa em se submeter é um pecado e uma rebelião.
  • Alimentam o medo: Caso a vítima tente se defender ou denunciar o assédio, abusadores ameaçam com punição divina ou espiritual, com expulsão da comunidade de fiéis, com a rejeição e o afastamento de familiares e amigos. Dizem que a vítima será considerada sedutora ou pecaminosa e que será responsável pelo fim da carreira do líder religioso.
  • Incentivam o silêncio: Mostram arrependimento e pedem perdão, tentam provocar vergonha e culpa (“foi consensual, você que quis, você gostou”), desencorajam a vítima a denunciar (“ninguém vai acreditar, vão dizer que você é louca”).

.

.

O que as vítimas podem fazer para lidar com a situação:

.

  • Reconheça a sua coragem: Requer coragem admitir, até para si mesmo, que o abuso sexual ocorreu.
  • Não se sinta sozinha/o: As vítimas costumam pensar que são as únicas a terem sido abusadas, mas raramente há apenas uma vítima, segundo a SNAP.
  • Evite fazer a denúncia para a própria instituição onde ocorreu o abuso. Se optar por isso, não vá sozinho/a e registre as reuniões.
  • Busque ajuda: Converse com amigos ou familiares de confiança, procure ajuda profissional ou grupos de apoio de vítimas de abuso.
  • Conheça os seus direitos: Informe-se sobre leis, direitos e procedimentos em casos de abuso sexual.
  • Cada vítima é única: A experiência do abuso pode até ser similar, mas os efeitos e o processo de superação variam muito de pessoa para pessoa.
  • Não sinta culpa: Não importa o que a vítima fez ou não fez para impedir o abuso, se pareceu bom ou ruim na hora, se o abusador comprou presentes, se a vítima gostava da companhia ou se foi alertada a ficar longe do abusador. A responsabilidade pelo ato, criminoso, é apenas do abusador.

.

.

O que pode ajudar a vítima a se sentir melhor:

.

  • Cuidar da saúde física e mental: Muitas vítimas desenvolvem vícios, problemas de saúde ou psicológicos, como uso excessivo de álcool e drogas, distúrbios alimentares e do sono, dificuldade de se relacionar e ter intimidade com parceiros, problemas digestivos, depressão, entre outros. Caso a pessoa tenha qualquer um desses problemas, é recomendável buscar ajuda médica e de terapeutas. Alguns mecanismos podem ter ajudado a pessoa a suportar o trauma do abuso na época, mas não são saudáveis. Cuidar desses problemas ajuda a pessoa a enfrentar e se liberar dos efeitos do abuso.
  • Mantenha as pessoas próximas cientes: É importante que parceiros, amigos e pessoas próximas saibam o que a vítima está passando, para que possam apoiar e compreender melhor o desgaste e a gangorra emocional.
  • Reserve tempo para “sentir a dor”: Separe momentos após sessões com terapeutas, grupos de apoio ou ao longo do dia para digerir as emoções, que podem surgir a qualquer momento. Ao mesmo tempo, não é recomendado parar totalmente os hábitos diários. “A vida não pode parar enquanto nos curamos do abuso”, afirma a organização.
  • Faça exercícios: Fazer qualquer coisa para movimentar o corpo, como andar de bicicleta ou caminhar, ajuda a manter o bem-estar, além de ser uma boa válvula de escape para a raiva, culpa e vergonha.
  • Descanse: Lidar com as consequências do abuso pode ser exaustivo. Tire tempo para descansar e não se sinta culpado por isso.
  • Crie oportunidades para rir e relaxar: Muitas vítimas percebem que, durante o processo de denúncia ou enfrentamento do abuso, pararam de rir ou de achar coisas engraçadas. Para muitos, ver filmes de comédia, por exemplo, ou criar o espaço necessário para o riso ajudava a se distrair com assuntos leves e descarregar emoções. Também pode ajudar fazer atividades relaxantes, como tomar um chá, um longo banho ou uma massagem.
  • Estabeleça limites: Pode ser útil para a vítima colocar limites sobre como e quando vai falar sobre o abuso sofrido, se só vai relatar para pessoas íntimas ou por no máximo meia hora de cada vez, por exemplo. Isso ajuda a evitar que a vítima compartilhe mais do que deseja ou ignore suas necessidades. Estabelecer limites e respeitá-los também pode dar uma sensação positiva de controle da própria vida. Durante o abuso, muitas vítimas se sentem impotentes, então retomar esse poder pode ser parte do processo de superação.
  • Faça algo artístico ou escreva um diário: Desenhar ou escrever, por exemplo, podem ajudar a liberar emoções represadas e ser um primeiro passo para romper o sigilo sobre o abuso.
  • Vai melhorar: Pode demorar anos para lidar com as consequências do abuso, mas, aos poucos, a vítima tende a se sentir melhor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Últimas Notícias

Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

Categorias

HOME