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Setembro amarelo: por que as mulheres sofrem mais com depressão e ansiedade?

Saiu no site FINANÇAS FEMININAS

 

Veja publicação original:   Setembro amarelo: por que as mulheres sofrem mais com depressão e ansiedade?

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Por Carol Nogueira

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Nos últimos anos, os transtornos mentais ganharam mais atenção, especialmente, a depressão e ansiedade, que tem afetado cada vez mais pessoas. Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo são acometidas pela depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, 5,8% das pessoas sofrem com a doença, que representa 11,5 milhões de pessoas. É a maior taxa da América Latina.

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O quadro é ainda mais alarmante para as mulheres que são duas vezes mais propensas ao diagnóstico de depressão do que os homens. A doença é mais comum entre 5,1% das mulheres do que os homens 3,6%, de acordo com a OMS. Em relação à ansiedade, 18,6 milhões (9,3%) de brasileiros sofrem com o transtorno. No recorte de gênero, o transtorno de ansiedade atinge 7,7% da população feminina e 3,6% dos homens.

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Diversos estudos apontam os fatores do número elevado para as mulheres, que podem estar relacionados com questões sociais que envolvem o mercado de trabalho, a sobrecarga de tarefas e as mudanças hormonais.

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Sobrecarga de trabalhos e machismo

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Trabalhar fora e encarar a desigualdade de gênero no mercado de trabalho é um teste de resistência diário vivenciado por muitas mulheres. Somado a isso, as mulheres ainda dedicam, em média, 21,3 horas por semana com tarefas domésticas e o cuidado de pessoas, segundo o IBGE. Sendo assim, todo o trabalho de planejamento, organização e tomada de decisões fica sob responsabilidade da mulher.

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“Vivemos numa sociedade machista e regida pelo patriarcado. Diante disso, recai sobre a mulher muitas responsabilidades, tarefas e muitas vezes a desvalorização no mercado de trabalho. A mulher não se preocupa só com o seu trabalho, mas com os filhos que deixou em casa e todas as atribuições que terá quando chegar em casa. Tudo isso gera um excesso de cobranças e a pessoa acaba ficando doente”, pondera a psicóloga Alexandra Lelis dos Santos.

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A sobrecarga de trabalhos e o acúmulo da função social, acabam proporcionando poucas horas de sono e má alimentação que podem contribuir com o aparecimento da depressão e ansiedade, alerta Melina Cury Haddad, psicóloga e instrutora de Mindful Eating da Care Plus. “Com mais funções e menos tempo para se cuidar, você acaba pensando nas necessidades dos outros e adoecendo”, completa.

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Qual a relação com os hormônios?

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As fases hormonais do ciclo das mulheres também colaboram com o aparecimento da depressão e outros transtornos mentais. “No período menstrual começa uma alteração hormonal e muitas mulheres tem uma síndrome muito parecida com a depressão, no período que antecede a menstruação. Isso altera o humor, a irritabilidade aumenta, ela fica mais impaciente e  depois passa quando ela menstrua”, explica Haddad.

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Durante a gestação, os hormônios também passam por mudanças importantes que podem levar a transtornos mentais. Após o nascimento da criança, cerca de 25% das mães brasileiras podem desenvolver depressão pós-parto, segundo pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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Suicídio e transtornos mentais

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A depressão pode causar grande sofrimento e afetar o desempenho no trabalho, escola e nas relações sociais. No pior cenário, a depressão é responsável pelo suicídio. Aproximadamente 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano e estima-se que em 90% dos casos, as pessoas tinham algum transtorno mental, como depressão.

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O suicídio é a segunda principal causa de morte das meninas adolescentes de 15 a 19 anos, após condições maternas,  entre os jovens de 15 a 29 anos também. “Acredito que mais importante do que falar dos números, é pensar o que podemos fazer enquanto política pública e tratamento para depressão. As pessoas precisam olhar para o tema quebrando o tabu, tirando esse estigma social de que a depressão é preguiça, frescura e falta de força de vontade. Não é assim, a gente sabe que tem uma mudança neuroquímica no cérebro. É uma doença que precisa de cuidados e tratamento adequado”, enfatiza Haddad.

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Para debater o assunto sem medo e  conscientizar as pessoas sobre a prevenção do suicídio, surgiu a campanha Setembro Amarelo em 2015, idealizada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Durante todo o mês são realizadas inúmeras ações no país para divulgar informações sobre o suicídio, como ajudar alguém que está passando por uma situação difícil e estimular o debate para evitar mais mortes.

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Quais os sintomas da ansiedade e depressão?

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A depressão pode ser resultante de fatores sociais, genéticos e bioquímicos. A pessoa que está deprimida perde o prazer e o interesse, sente culpa, desesperança em relação ao futuro e pode ter alterações no sono e apetite. “Ela acaba ruminando muitos pensamentos e têm uma tendência a ficar se culpando por coisas que já aconteceram”, destaca.

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Já o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é caracterizado pela preocupação excessiva com o futuro e muitas vezes com situações que, talvez, não aconteçam. Sentir um pouco de ansiedade é bom, porque te coloca fora da zona de conforto e em busca de coisas novas para a vida. Contudo, em excesso prejudica o desenvolvimento das tarefas cotidianas.

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A TAG também pode provocar sintomas físicos como palpitações, taquicardia, suor excessivo, mãos e pés frios. Também deixa a pessoa apreensiva, achando que alguma coisa vai acontecer e com medo. “No TAG, a preocupação é desproporcional e isso realmente interfere na qualidade de vida e no social, ela não consegue trabalhar, se relacionar com outras pessoas e isso é sinal de que precisa de ajuda”, diz Haddad.

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Como eu posso te ajudar?

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A pessoa que apresentar sintomas de depressão ou ansiedade por mais de três semanas, com dificuldade de realizar atividades rotineiras, deve buscar apoio de um psicólogo. A depressão sempre começa devagar e aumenta lentamente.

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Se você tem alguma amiga ou familiar passando por essas situações, é importante ter uma conversa livre de julgamentos e acusações. Seja empática e escute o que a pessoa tem a dizer. “Como eu posso te ajudar? É uma pergunta muito boa para iniciar um diálogo, porque muitas vezes ela não tem força para procurar um médico, por isso, é importante estar ao lado de quem precisa, marcar a consulta e, se necessário, ir junto ao médico”, orienta.

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Onde procurar ajuda?

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O primeiro passo é buscar ajuda de um profissional de saúde, seja um psicólogo ou um psiquiatra. Em geral, o tratamento envolve terapia medicamentosa junto com a psicoterapia. Mudanças no estilo de vida, alimentação e inclusão de atividade física também podem colaborar com a saúde mental.

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É muito importante dar apoio a quem precisa para superar essa dificuldade.

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Entre em contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida)
Telefone: 188 – ligações gratuitas a partir de qualquer linha fixa ou de celular.

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Site: www.cvv.org.br/quero-conversar

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Foto: AdobeStock.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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