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Por que tem crescido tanto a violência contra as mulheres?

Saiu no site MAIS PB

 

Não existe uma resposta simples para um fenômeno tão grave e complexo. Desde os primórdios da humanidade, há uma forte cultura patriarcal na sociedade, que privilegia os homens, colocando-os nos espaços de poder. Portanto, essa desigualdade de gênero, estrutural e essa cultura que trata com desigualdade, e que, muitas vezes subjuga as mulheres por seu gênero, é certamente uma das principais causas das violências contra as mulheres.

Alguns autores, inclusive, afirmam que a cultura grega antiga já demostrava a misoginia com o conhecido “Mito de Pandora” – a mulher que espalhou o mal no mundo ao abrir uma misteriosa caixa que não deveria ser aberta. Também na cultura cristã – Eva foi a segunda criação, pois teria sido criada com base em uma costela de Adão para fazer companhia a ele. Ela também foi responsável pelo pecado original ao ser tentada pela serpente e comer o fruto proibido, colocando-os em pecado, o que os fez serem expulsos do paraíso.

Ainda na Idade Média, acontecia a famosa “caça às bruxas”, narrativa esta muito difundida, inclusive pela igreja cristã, que contribuiu para legitimar a perseguição, tortura e a morte de muitas mulheres.

Como já citado, a cultura social, por si só, é extremamente violenta contra a mulher. Este é um problema multifatorial, e certamente não se resume apenas ao fato de vivermos numa sociedade patriarcal, como defendem alguns. Este certamente é apenas um dos fatores. A própria desigualdade social, defendem alguns estudiosos, é também um dos fatores motivadores e ou agravantes destas violências contra as mulheres, cujas ocorrências concentram-se principalmente em bairros pobres, atingindo em proporção muito maior, a população menos favorecida economicamente.

Assim, pode-se dizer que a violência contra a mulher é um problema sistêmico e planetário na sociedade, infelizmente, e que se expressa de várias formas, desde as agressões físicas, sexuais, como o estupro, a violência psicológica, moral, patrimonial e, até mesmo, o feminicídio.

Segundo Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada três mulheres é submetida à violência física ou sexual, em todo o mundo, e o Brasil figura na sétima pior colocação entre todos os países pesquisados.

Das violências registradas contra as mulheres, no Brasil, mais de 70% dos casos foram cometidos por seus companheiros ou ex-companheiros, afirma ainda a OMS.

Quando se trata do crime de feminicídio, que são aqueles homicídios cometidos contra as mulheres por razões da condição de pertencerem ao sexo feminino, armas brancas foram usadas em 38% dos casos, enquanto as armas de fogo representaram 23% dos registros destes assassinatos, é o que afirmam algumas estatísticas nacionais. E, os cinco estados que mais contabilizaram tal crime, entre os oito monitorados, foram São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Pará e Piauí. A coleta de dados também considerou a Bahia, o Maranhão e o Ceará.

Muitas dessas vidas poderiam ter sido salvas e esse ciclo de violências poderia ser minimizado se o poder público promovesse uma intervenção mais efetiva. Mas o que se tem visto é um Estado negligente e omisso, que parece estar de olhos vendados em relação a estes dados.

Uma lei rígida que puna com rigor os infratores é importante, e aqui no país tem a Lei Maria da Penha, mas a legislação por si só não resolverá este grave problema. A falta de estrutura, de pessoal capacitado e de políticas educativas e de apoio às vítimas, faz com que muito daquilo que está previsto na lei fique restrito à teoria e tenha muito pouca efetividade.

É bom lembrar que, a maioria dos estudiosos da ciência criminologia, afirma que, o que mais assusta o criminoso não é o tamanho da pena, mas sim a certeza da punição, e é sabido que o Brasil é campeão mundial no apadrinhamento e leniência em relação a punição dos criminosos e também na reeducação destes infratores.

Assim sendo, vários fatores contribuem para o agravamento desse quadro de violências, começando pela falta de políticas públicas de apoio e conscientização das vítimas para a realização da denúncia. Este ainda é um caminho muito desafiador para as mulheres no Brasil, seja pelo descumprimento da lei que determina que as delegacias da mulher devem funcionar 24 horas, pelos baixos números de delegacias especializadas e de locais de atendimento, e ou mesmo pela falta de capacitação dos agentes públicos na condução e tipificação dos casos das referidas violências.

Além dos fatores já citados, outros contribuem para a continuidade dessas violências, dentre os quais os dados divulgados pela 10ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, divulgada pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV): Entre as mulheres brasileiras entrevistadas, 62% acreditam que as mulheres denunciam cada vez menos para as autoridades devido à sensação de impunidade; 73% disseram ter medo do agressor, e isto faz com que estas, na maioria das vezes, não denunciem a agressão; a falta de punição e a dependência financeira são outras situações citadas por 61% das brasileiras, para não denunciar a agressão na maior parte dos casos.

Como se vê, há um longo caminho a percorrer para que se possa fazer frente a esse problema. Junte-se a isto o fato de que, na sociedade contemporânea, as mulheres, merecidamente, saíram de dentro de casa, das atividades domésticas, e passaram a assumir funções sociais as mais diversas, o que as tornam mais expostas às violências existentes no meio social como um todo.

Assim, faz-se necessário e urgente que o poder público assuma o seu papel de proteção e acolhimento às mulheres, sejam estas vítimas ou não, e também diminua a impunidade em relação aos infratores, mas que tais punições tenham como finalidade principal não apenas a punição pura e simples, mas também a reeducação e conscientização destes criminosos.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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