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Por que apenas 21% das cadeiras no Brasil são ocupadas por mulheres.

Saiu no site EXAME

Dado do IBGC mostra avanço lento desde 2021; ranking global recente coloca o Brasil entre os piores do mundo no tema

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) mostra que as mulheres ocupam, em média, 21,1% dos assentos em conselhos de administração de companhias de capital aberto no Brasi

O número avançou pouco em quatro anos. Em 2021, primeiro ano da série histórica do IBGC, a proporção era de 12,8%. Passados quatro ciclos, a curva ainda não chegou a um quarto das cadeiras disponíveis

Menos de uma em cada quatro cadeiras
Quando o recorte é só o conselho de administração, sem somar diretorias e conselhos fiscais, o quadro melhora ligeiramente, mas segue distante da equidade. Das empresas que já têm ao menos uma conselheira, a média de participação feminina nos assentos é de 22,8%. Entre companhias listadas no segmento básico da B3, esse índice sobe para 25,7%, o maior patamar entre os segmentos analisados.

O problema, no entanto, está na base: 82,7% das empresas analisadas têm alguma mulher em algum órgão de administração, mas isso não significa presença consistente em todos os colegiados.

Na diretoria estatutária, onde estão os cargos executivos de maior poder de decisão operacional, a presença feminina é ainda menor do que nos conselhos.

Brasil atrás no ranking global
O recorte internacional aprofunda o problema. De acordo com o relatório Global Trends in Women’s Corporate Leadership 2026, da ISS-Corporate, o Brasil ocupa a penúltima posição entre 28 mercados avaliados, à frente apenas da Coreia do Sul. A média brasileira é de 1,4 mulher por conselho de administração, um indicador de composição, não de percentual, que ainda assim escancara a distância em relação a países com políticas mais avançadas de diversidade em governança.

O comparativo importa porque o conselho é, também, uma questão de competitividade. Empresas com conselhos mais plurais tendem a tomar decisões com mais qualidade de debate e menos viés de grupo, argumento recorrente entre especialistas em governança corporativa.

O que muda com a nova lei
Em 2025, o Brasil deu um passo regulatório sobre o tema. A Lei nº 15.177 alterou a Lei das Estatais e passou a exigir um mínimo de 30% de mulheres nos conselhos de administração e comitês de auditoria de empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias.

A regra será aplicada de forma escalonada, começando em 10% das cadeiras e subindo até atingir o piso de 30%. A obrigatoriedade vale para estatais, mas especialistas em governança avaliam que o movimento deve pressionar também empresas privadas a acelerar suas próprias metas internas de diversidade, sobretudo companhias listadas que já respondem a exigências crescentes de investidores institucionais sobre composição de board.

O gargalo não é falta de preparo, é falta de repertório específico
Os números do IBGC não indicam falta de executivas qualificadas.

O Brasil tem hoje mais mulheres em cargos de liderança executiva do que a média global, segundo a consultoria Grant Thornton.

O gargalo está em outro ponto da cadeia: o caminho até a cadeira de conselheira exige um repertório técnico específico, que muitas vezes não faz parte da trajetória de quem construiu carreira em áreas operacionais ou comerciais.

Governança, gestão de risco, ESG na pauta estratégica e comportamento em ambientes colegiados são competências diferentes das que definem uma boa liderança executiva.

É essa lacuna que iniciativas como o selo Women on Board, que certifica empresas com ao menos duas conselheiras em seus boards, tentam endereçar do lado corporativo. Do lado individual, a resposta passa por formação dirigida.

Um dia dedicado a fechar essa lacuna
É esse o território em que se posiciona o ABP-W One-Day Edition, programa da Saint Paul Escola de Negócios em parceria com a EXAME.

Em um único dia, no dia 28 de julho, em São Paulo, executivas C-level, conselheiras em atuação e acionistas de empresas familiares passam por uma imersão em governança, gestão de risco, ESG e ética em conselhos, com professores que atuam ativamente em boards brasileiros.

A proposta não é prometer uma cadeira ao final do dia. É entregar o que os números do IBGC sugerem estar faltando: preparo técnico específico, repertório de linguagem de conselho e acesso a uma rede de de pares que já ocupam ou estão prestes a ocupar esses espaços.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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