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“Podemos mudar a maré em favor da igualdade de gênero”, afirma diretora executiva da ONU Mulheres

Saiu no site ONU Mulheres

Veja a publicação original: “Podemos mudas a maré em favor da igualdade de gênero”.

 

Por Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU, e chefe de gabinete da OCDE e Sherpa para o G20 Gabriela Ilian Ramos

 

Publicado originalmente por Reuters.com

 

Em um mundo desigual, uma crise de saúde como a que enfrentamos hoje fere desproporcionalmente as mulheres. Chamamos as lideranças a agir agora para incluir fortes dimensões de gênero na resposta.

Olhe em volta e verá que as mulheres formam a maior parte das tropas da linha de frente na guerra contra a pandemia da Covid-19. Elas cuidam de pessoas doentes, idosas, famílias e crianças. Globalmente, as mulheres compõem 70% da equipe médica e de apoio e 85% das enfermeiras em hospitais, e metade dos médicos nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento do Comércio) são mulheres. As mulheres estão salvando milhões de vidas enquanto se expõem a um maior risco de infecção. Além disso, 90% das atividades de assistência a longo prazo e até 10 vezes mais trabalho doméstico não-remunerado são realizadas por mulheres em todo o mundo. Com o fechamento de escolas e creches, a crise da Covid-19 apenas ampliará a pressão dos cuidados não-remunerados e do trabalho doméstico sobre as mulheres. No entanto, essas contribuições essenciais, muitas vezes, passam despercebidas e não são recompensadas, o que significa que as mulheres podem acabar sofrendo mais enquanto salvam o mundo.

Saúde, questões sociais e econômicas estão interconectadas. As mulheres estão potencialmente mais expostas a dificuldades materiais associadas às consequências econômicas da Covid-19. Prevê-se um aumento significativo no desemprego e subemprego globalmente. Muitas mulheres – 740 milhões das quais trabalham na economia informal com empregos que oferecem pouca ou nenhuma proteção social – agora enfrentam grave insegurança econômica e poucas opções. No México, por exemplo, 99% da maioria das trabalhadoras domésticas do país não estão vinculadas em nenhum programa de seguridade social. Algumas indústrias, como a indústria de confecção de roupas em Bangladesh, onde as mulheres constituem 85% da força de trabalho, também serão atingidas com rapidez e força por esses múltiplos choques com maior risco de perda de emprego. A situação é ainda mais angustiante para as mulheres idosas, pois o dobro de mulheres que homens com mais de 65 anos vivem sozinhas nos países do G20, muitas vezes sem uma pensão adequada.

A mensagem é simples. A Covid-19 está afetando todo mundo, mas está afetando mais as mulheres. As respostas precisam considerar esse impacto assimétrico. Caso contrário, corremos o risco de cometer o mesmo erro que cometemos na crise financeira de 2008, quando a nossa resposta não se concentrou nas pessoas mais vulneráveis ​​de nossa sociedade; pessoas como as mães solteiras que terão maior risco de cair abaixo da linha de pobreza após o parto.

Veja a situação das pequenas e médias empresas. Essas empresas estão sofrendo e precisam de suporte econômico, mas as empresas chefiadas por mulheres têm menos capacidade financeira para lidar com a crise e obter autofinanciamento.

A resposta da Covid-19 precisa ouvir as preocupações e ideias das mulheres. Mesmo com a sua alta representação no setor da saúde, as mulheres são extremamente sub-representadas em posições de liderança.

Além disso, as políticas de confinamento para conter a pandemia também estão exacerbando a violência de gênero. Mesmo em tempos normais, é inaceitável a alta taxa de uma em cada três mulheres no mundo sofre violência doméstica e 38% de todos os assassinatos de mulheres são cometidos por seus parceiros. Com o confinamento, vimos um aumento de mais de 30% nas chamadas para as linhas de apoio em alguns países, à medida que os bloqueios para 4 bilhões de pessoas aumentam a pressão. No entanto, isso provavelmente é apenas a ponta do iceberg, já que, em média, globalmente, menos de 40% das mulheres que sofrem violência buscam ajuda de qualquer tipo ou denunciam o crime. A violência contra as mulheres já era uma epidemia assustadora e onerosa em todas as sociedades, estimada em 1,5 trilhão de dólares. Espera-se que esse número aumente agora à medida que os casos aumentem, e continue após a pandemia, criando um impacto em cascata em nossa economia.

A pandemia abalou as nossas economias e sociedades e mostrou o que precisa mudar. Não devemos sair desta crise sem as lições aprendidas. Antes, devemos ver isso como uma oportunidade para corrigir a situação desigual com a qual as mulheres vivem há décadas. Pedimos às lideranças que apliquem a perspectiva de gênero para reduzir as desigualdades existentes em nossas sociedades, à medida que implementam medidas de curto e longo prazo para combater o impacto econômico e social da Covid-19.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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