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O que devo fazer se acho que sofro assédio moral?

Notícias - 12 de fevereiro de 2020

Tempo de leitura: 4min

Saiu no site VALOR

 

Veja publicação no site original: O que devo fazer se acho que sofro assédio moral?

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A colunista Karin Parodi responde dúvida de leitora que trabalha na área que gosta, possui bons desafios e crescimento profissional, mas vive situações desagradáveis e desmotivantes

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“Olá, sou graduada em design e tenho curso de pós-graduação e mestrado na área de marketing e inovação. Atualmente, respondo a um gerente e, eventualmente, aos diretores. Recebi feedbacks positivos do CEO, dos sócios e consegui crescer bastante profissionalmente. Porém, nos últimos 6 meses, a demanda de trabalho triplicou e fiz diversas horas extras, inclusive aos fins de semana. Havíamos previsto a contratação de um estagiário, porém meu gestor vetou, justificando instabilidade do mercado. O nível de pressão e exigência nas minhas entregas aumentou. E, com tudo isso, veio o descontentamento, a desmotivação e o descontrole emocional. Houve uma ocasião em que meu gestor me ligou para me xingar pela falta de qualidade de um produto e eu precisei buscar ajuda de um psicólogo. No fim do ano passado, em um happy hour, presenciei vários deboches de colegas homens com relação à outras pessoas. Em uma conversa sobre feedback, um colega se intrometeu e me expôs, dizendo que eu tinha “mais de mil problemas e ele poderia citar todos”. Em outro momento, o gestor brincou que eu não podia namorar porque era muito chata. Estou um beco sem saída, acho que sofro assédio moral, mas tenho medo de ser demitida se falar algo. O que fazer?”

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Analista de marketing, 29 anos

Tome uma atitude urgente para mudar essa situação. Essa pessoa está tendo vários comportamentos totalmente inadequados e fora de qualquer contexto, seja pelo lado profissional e pessoal. Tudo que causa constrangimento, humilhação, perseguição, deboches, inferiorização, xingamentos, estresse em demasia e que seja repetitivo, causa um dano tremendo na nossa autoestima e a partir daí afeta nossa saúde física e emocional.

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Você já está entrando nesta seara perigosa e só você tem a perder. Também não acredito que os colegas de trabalho estejam confortáveis com os comentários descritos por você. Claramente essa pessoa tem valores e atitudes que são condenáveis mas, infelizmente, ainda temos pessoas nas organizações que acreditam que é aceitável ter comportamentos como estes que você descreveu. Por isso avalie se esse tipo de situação faz parte da cultura ou do dia a dia e de outros gestores também.

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Feito isso, organize as informações para se preparar para acessar um canal de denúncia da organização ou, se não houver, a área de Recursos Humanos. Essa preparação inclui levantamento das situações desconcertantes, dia e horário e quem estava presente na ocasião. Você precisa de fatos e dados seja qual for o canal que você irá usar, para eliminar ao máximo a subjetividade. Combine o prazo de apuração e avalie se houve mudança de comportamento.

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Se nada caminhar, dê mais uma chance para a empresa e consiga uma reunião com o diretor que você tem mais proximidade. Se ainda nada mudar, vá em frente com teu plano de buscar um novo desafio profissional, afinal esta não é uma empresa para se trabalhar e admirar pois faz descaso com situação relatada. Muitas vezes estamos muito bem na empresa e infelizmente um gestor cruza nosso caminho, mudando totalmente a nossa história de sucesso e realizações na organização. Boa sorte!

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Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não a do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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