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O luto da mãe que soube da morte da filha ao vivo

Saiu no site REVISTA MARIE CLAIRE

 

Veja publicação no site original: O luto da mãe que soube da morte da filha ao vivo

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A antropóloga Debora Diniz analisa a cobertura de um crime contada ao vivo à mãe da vítima: “Aquele era o espetáculo que Bacci buscava, o desamparo de uma mãe como mercadoria televisiva”

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Por Debora Diniz

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Luiz Bacci, do programa Cidade Alerta, fez espetáculo de um luto. Ao vivo, informou uma mãe que a filha havia sido assassinada. Bacci e Andrea estavam lado a lado na tela. “A senhora quer mesmo saber novidades?”, disse ele, sem afago para o que se anunciava como desastroso, “Seja forte”.

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Andrea era só ela. Uma mulher comum, com cara e jeito de gente do povo que desacredita da polícia, que desconhece advogado privado. Andrea tem rosto de quem jamais será chorada em luto público, como diz Judith Butler. A novidade para Bacci era a tragédia do luto eterno para uma mãe – sua filha Marcela, de 21 anos, havia sido assassinada pelo namorado, grávida.

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Bacci deu voz a outro homem, o advogado do assassino da filha: sem meias palavras, a voz da defesa masculina anunciou que Marcela estava morta. Como seu cliente não era o desamparo da mãe, antecipou-se em defender o matador: “Ele mostrou o corpo, o crime não foi premeditado”, explicou sobre o espírito colaborativo do cliente.

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Andrea arrancou os fones, não ouvir era fugir daquele espetáculo de horrores. Mas aquele era o espetáculo que Bacci buscava: o desamparo de uma mãe como mercadoria televisiva. O matador, o advogado e o apresentador todos falavam entre si e para eles mesmos. Andrea se reduziu a uma peça do espetáculo da dominação masculina: o homem que mata é capturado pelo homem investigador.

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Todos na cena eram homens espoliadores de Andrea, sendo o pior deles o que matou Marcela. O que faziam juntos era o “trabalho de eternização” da dominação masculina, como dizia Pierre Bourdieu: o espetáculo da televisão era o momento em que se alinhavam narcisicamente para intercambiar papeis. Ora um se faz de protetor, enquanto outro é o porta-voz do assassino.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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