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Livro de ensaios sobre feminismo pode se tornar referência

Saiu no site COMÉRCIO DO JAHU

 

Veja publicação original: Livro de ensaios sobre feminismo pode se tornar referência

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Em seu novo livro, a escritora e professora Heloisa Buarque de Hollanda, uma das vozes brasileiras mais ativas nas lutas das mulheres, conta ter descoberto seu feminismo no início da década de 1980. São, no entanto, pouquíssimos os detalhes que a autora compartilha sobre si mesma na recém-lançada publicação – é que “Explosão Feminista” (Companhia das Letras) não trata de uma feminista, mas, sim, de todas, e tampouco é sobre um feminismo apenas.

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Apresentado como um “livro-ocupação”, ele abre espaço para quase 30 mulheres assinarem, com suas colaboradoras, textos a respeito da chamada quarta onda feminista, que, no Brasil, teve início após as manifestações de 2013, e que, no mundo, já se desenhava havia cerca de dois anos, apoiada na força da internet e das redes sociais.

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Exemplos marcantes da quarta onda foram, por exemplo, a criação da Marcha das Vadias em 2011, no Canadá, e, em caráter nacional, a veloz mobilização após a aprovação, em 2015, do projeto de lei de Eduardo Cunha que dificultava o acesso de vítimas de estupro a cuidados médicos.

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Na primeira das quatro partes, três subcapítulos cuidam justamente de contextualizar o movimento. No comandado por Cristiane Costa, professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, surge a conexão com a tecnologia, exemplificada por meio do poder de hashtags como #PrimeiroAssédio e #MeuAmigoSecreto.

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A segunda parte aponta o curso atual nas artes, poesia, cinema, teatro, música e na academia. Aparecem temas como o pós-pornô consequente das porn wars (embates entre militantes pró-sexo e antipornografia) dos anos 1980, o levante em Hollywood e no audiovisual brasileiro, e os casos de assédio no ambiente acadêmico.

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Antes de abrir espaço para as “veteranas”, na parte final, o livro cumpre o que talvez seja seu mais importante papel ao enumerar os feminismos das minorias. Com análises dos grupos indígena, asiático, trans e lésbico, um profundo ensaio do feminismo negro joga luz sobre a opressão do próprio movimento ao insistir no conceito universal de mulher baseado na mulher branca.

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A obra ressalta que nenhum fluxo da humanidade é construído sozinho, e sim com o acúmulo de experiências e aprimoramento constante. É uma publicação rica e que, embora não tenha sido escrita com esse propósito, tem potencial para se transformar em uma obra de referência, além de demonstrar a importância não só de se lutar como uma garota, mas também de se escrever como uma. (Marcella Franco/Folhapress)

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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