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“Legislação avançou, mas ainda falta sensibilidade para apoiar vítimas de abuso”

Saiu no CONJUR.

Veja a Publicação Original.

As alterações legislativas que passaram a considerar a mulher como sujeito de direito são bastante recentes, e, por isso, ainda há um longo caminho a trilhar para que sua aplicação seja eficaz no sistema judicial como um todo.

Ainda assim, a maior visibilidade alcançada com as denúncias e as redes de apoio que têm se formado para evitar o que se chama de revitimização das mulheres são sinais positivos de que estamos caminhando para essa sensibilização.

A avaliação é da diretora jurídica do projeto MeToo no Brasil e liderança do projeto Justiceiras, Luciana Terra Villar, em entrevista exclusiva para a ConJur. Inspirado no MeToo dos Estados Unidos — iniciado após reportagem sobre os abusos cometidos pelo produtor de filmes de Hollywood Harvey Weinstein —, o projeto conta com uma rede de atendimento que inclui psicólogas, assistentes sociais e profissionais de saúde voluntárias atuando em conjunto para atender vítimas de violência.

A intenção é evitar que a mulher que sofreu abuso ainda tenha que passar por novos abusos quando for denunciar o crime, como aconteceu, por exemplo, no caso da influencer Mariana Borges Ferreira (Mari Ferrer), que foi insultada pelo advogado na frente do juiz, do promotor e de seu defensor, todos homens; e do juiz que, diante de uma mulher vítima de violência, afirmou não estar “nem aí” para a Lei Maria da Penha. Isso só deve mudar quando mais mulheres atingirem postos de liderança, opina a advogada.

Leia a íntegra da entrevista:

ConJur — Como que surgiu a ideia e essa iniciativa de fundar o movimento Me Too no Brasil?
Luciana Terra Villar —
 O Me Too Brasil foi dealizado pela advogada Marina Ganzarolli, que se uniu comigo e outras advogadas para amplificar a voz das mulheres vítimas de abuso sexual. Estávamos fazendo a denúncia do produtor cultural Gustavo Beck, que abusou sexualmente de atrizes, e vimos aí uma forma de dar visibilidade, amplificar a voz dessas vítimas.

ConJur — Quando vocês recebem alguma denúncia, quais são os procedimentos? Que medidas vocês tomam imediatamente?
Luciana Terra Villar —
 O Me too tem parceria com o Projeto Justiceiras, que surgiu na pandemia, no final de março, como uma plataforma para atendimento de vítimas de violência doméstica. O que aconteceu foi a união das voluntárias que queriam ajudar — hoje somos quatro mil voluntárias — com as vítimas que precisavam de ajuda. Então abrimos as inscrições para voluntárias, advogadas, psicólogas, assistentes sociais, rede de apoio e acolhimento e médicas. O Justiceiras é viabilizado pela promotora de Justiça Gabriela Manssur, pela advogada Anne Wilians e também por mim. E o Me Too, com essa parceria, encaminha os casos para as Justiceiras, então as vítimas têm todos esses atendimentos.

Veja a Matéria completa Aqui!

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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