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Lançamento do Livro LEGITÍMAS EM DEFESA Poesia e mais vozes de sobrevivência

DAS DÁDIVAS DE SOBREVIVER

Se ergo os meus braços
É porque elevei aos deuses
A fúria e a paixão
Todas as vezes
Que me levaram ao chão.
Sim, eu me arrastei com a gana
Das víboras
Troquei de pele
Sangrei até o estancar das feridas
E contrariando outros espécimes
– E expectativas –
Cá estou, viva!
Como dói remexer-me
Nas cinzas…
Perceber o pouco e todo acaso
De tudo que já existi
E que antes mesmo do que agora jaz
Já existira…
Mas a minha dor é tão pequena
Ante à impossibilidade de tantas presenças já idas…
Quantos queriam ter um corpo
E ter ossos
E ser matéria livre neste mundo
Pra reencontrar um abraço!?
Se dói, meu Deus,
É porque estou lúcida a ponto
De diferenciar cada uma das sensações,
É porque conheço o bem-estar,
O prazer e o estado de cada coisa
Que me realiza.
Sim, eu ergo meus braços
E agarro o nada
Fosse meu bote salva-vidas
No deserto…
De nada eu preencho
O medo
A dor
E a lembrança da saudade
E do afeto…
– Porque ainda sou digna desta vida –
E, para não esquecer,
Eu faço versos

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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