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Gêmeas americanas buscam espaço na política em partidos diferentes

Saiu no site AFP:

 

Veja publicação original: Gêmeas americanas buscam espaço na política em partidos diferentes

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As gêmeas Monica Sparks e Jessica Ann Tyson, 46 anos, são idênticas em quase tudo, a ponto de se vestirem quase da mesma forma e saberem como a outra terminará suas frases. Tanta semelhança esconde, porém, uma diferença que exibem como um sinal de tolerância: sua orientação política.

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Em um país devastado pela polarização, Monica é candidata pelo Partido Democrata, e sua irmã, Jessica, concorre no distrito vizinho pelo Partido Republicano, no condado de Kent, em Michigan, nordeste dos Estados Unidos.

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“Nos confunde muito o fato de que as pessoas se odeiem. São mães que não falam com os filhos, mães que não reconhecem as filhas… Nós não vamos permitir que isso aconteça com a nossa família”, disse Jessica à AFP, em uma entrevista conjunta com sua irmã.

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Sparks e Tyson vivem em uma região eleitoral tradicionalmente conhecida como “Rust belt” (o “cinturão da ferrugem”, em referência às inúmeras indústrias fechadas).

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Essa é uma região onde os democratas sempre tiveram muita força, mas, paradoxalmente, a maioria de seus eleitores apoiou o republicano Donald Trump na disputa pela Casa Branca em 2016.

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As duas gêmeas disputam uma vaga no diretório que supervisiona o condado de Kent, onde vivem cerca de 640.000 pessoas e é o segundo condado em termos populacionais de Michigan, atrás de Detroit.

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A primária será em 7 de agosto, e ambas têm condições diferentes de disputa: Monica sofre uma dura concorrência no Partido Democrata, enquanto Jessica não tem rivais entre os republicanos.

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Ambas concordam em que querem levar adiante uma vida de serviços à comunidade e ajudar a reduzir a polarização política. Todo o restante pode ser negociado.

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“Precisamos começar a buscar um terreno comum, se quisermos sair na frente como sociedade”, disse Monica.

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– Apoiar minha irmã? –

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Monica e Jessica afirmam que sempre foram muito próximas. Nascidas em 1972 na cidade de Lansing, foram enviadas para um lar adotivo horroroso quando tinham cinco anos, porque sua mãe biológica era dependente de heroína.

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Sparks afirma que as duas sofreram abuso “emocional, físico e sexual”, e Tyson ainda se lembra da imagem de sua irmã revirando as latas de lixo em busca de comida.

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“Passamos por muito abuso juntas. E juntas superamos isso”, afirmou Tyson.

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AFP / Steven M. HerppichTyson (esq.) não apoiou sua irmã, mas o candidato republicano

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Finalmente, foram adotadas por uma família que lhes deu carinho e incutiu nelas o senso do dever cívico.

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Já adultas, foram voluntárias em várias causas, atuaram como conselheiras escolares e até conseguiram alavancar um pequeno negócio. Agora, esperam poder ajudar a comunidade no âmbito político.

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O laço entre as duas foi posto à prova quando Tyson apoiou publicamente um candidato republicano no distrito onde sua irmã era pré-candidata, mas as duas decidiram pôr a relação familiar acima de tudo.

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“Eu a celebro como mulher, com tudo o que ela conseguiu. Não haverá vitória, nem derrota, nem orientação política que apague o amor que sinto por ela”, disse Tyson de sua irmã.

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– Discórdia por causa de Trump –

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Nem mesmo as diferenças em relação ao presidente Donald Trump, que provocaram acaloradas discussões, puseram a relação em risco.

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De acordo com Sparks, foi Trump a origem de tanta discórdia familiar, e a razão pela qual ela própria decidiu se lançar à política.

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“Não me agrada em nada o que está acontecendo no nosso país. e não podia ficar parada. Tinha que fazer alguma coisa”, explicou.

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Já Tyson admira Trump. “Acredito plenamente no nosso presidente”, declarou, afirmando, contudo, que entende as preocupações daqueles que se opõem, incluindo Monica.

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Para as duas irmãs, o respeito pelas opiniões diferentes e a habilidade de ouvir é algo que os americanos precisam abraçar no pesado clima político que domina o país.

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“As pessoas estão feridas. Estão amargas, sentem que tiraram a voz delas”, avalia Monica.

 

 

 

 

 

 

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