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Secretaria da Segurança Pública afirma que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do governo do Estado
O Estado de São Paulo teve alta de 41% nos casos de feminicídio no primeiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 30, pela Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP). Foram 86 ocorrências de janeiro a março deste ano, ante 61 no mesmo recorte do ano passado. Trata-se do recorde para o período desde o começo da série histórica, que teve início em 2012.
- Na capital, não houve oscilação, com 17 registros no primeiro trimestre. Ao mesmo tempo, a cidade de São Paulo registrou aumento de casos de estupro (mais abaixo).
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirma que os indicadores criminais são monitorados de forma permanente e que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do governo de São Paulo, que, continua a pasta, tem “intensificado de forma contínua a rede de proteção e os mecanismos de prevenção”.
Primeira mulher a assumir a Polícia Militar de São Paulo, a coronel Glauce Anselmo Cavalli disse nesta semana, durante discurso na cerimônia de posse, que quer priorizar o combate à violência doméstica e familiar. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) reforçou as palavras da coronel, como mostrou o Estadão.
No ano passado, o Estado registrou aumento de 8,1% nos casos de feminicídio, atingindo o maior patamar da série histórica para crimes desse tipo, iniciada em 2018. Foram 266 ocorrências, entre casos como o de Tainara Santos, de 31 anos, que morreu na véspera do Natal após ser atropelada e arrastada por um quilômetro na Marginal Tietê, zona norte da capital.
As ocorrências do tipo continuaram chamando atenção ao longo deste ano, como no caso envolvendo o tenente-coronel PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. Ele é apontado como principal suspeito de matar a soldado da PM Gisele Alves Santana, de 32, com um tiro na cabeça, dentro do apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. O caso aconteceu em 18 de fevereiro.
Nesta semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o tenente-coronel, réu por feminicídio, será julgado pela Justiça Comum, na 5ª Vara do Júri de São Paulo. O tenente-coronel sempre negou o crime e sustenta que Gisele teria cometido suicídio após receber a notícia de que o marido queria a separação. A versão é contestada pelos investigadores.
Capital tem alta de estupros
Apesar de não ter registrado aumento nos feminicídios, a cidade de São Paulo registrou alta de 1,6% nos casos de estupro no primeiro trimestre deste ano, segundo o balanço oficial. As ocorrências foram de 815, de janeiro a março do ano passado, para 828, no período mais recente.
Em março, as ocorrências subiram 8,28%, com 327 registros. No Estado, também houve aumento no último mês (de 5,82%). Ainda assim, diferentemente da capital, os casos de janeiro a março oscilaram para baixo, com queda de 0,26%.
Em paralelo, o Estado voltou a registrar queda do número de casos de homicídios, com redução de 5,6% no primeiro trimestre. Ao todo, foram 605 crimes do tipo, menor índice da série histórica, iniciada em 2001, para esse período. No ano passado, o total chegou a 641. Um caso pode ter mais de uma vítima (veja números abaixo).
Ainda com a melhora, os assassinatos subiram 1,7% e 32,4%, respectivamente, na capital paulista e no Estado em março deste ano, último mês para o qual se tem dados.








