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Em uma semana, MP-SP ouve mais de 20 mulheres que acusam João de Deus de abusos sexuais

Saiu no site G1

 

Veja publicação original:  Em uma semana, MP-SP ouve mais de 20 mulheres que acusam João de Deus de abusos sexuais

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Segundo Ministério Público de São Paulo, 21 vítimas já foram ouvidas e mais 14 prestarão depoimentos em dezembro. Denúncias irão à Promotoria em Goiás, onde médium está preso.

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Por Kleber Tomaz

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Em uma semana, o Ministério Público (MP) de São Paulo ouviu mais de 20 mulheres que acusam João de Deus de abusos sexuais cometidos durante sessões espirituais em Abadiânia, Goiás.

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Segundo a assessoria de imprensa do MP-SP, desde a última terça-feira (11), 21 vítimas foram ouvidas por promotores do grupo de apoio à força-tarefa criada pelo Ministério Público de Goiás para receber denúncias contra o médium.

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As denúncias estão sendo encaminhadas para a Promotoria de GO. Basicamente elas contam que foram a Casa Dom Inácio em busca de cura física e espiritual, mas acabaram abusadas pelo líder religioso.

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Por decisão da Justiça, João Teixeira de Faria, o João de Deus, de 76 anos, está preso preventivamente suspeito de crimes sexuais contra 15 vítimas. Ele se entregou à Polícia Civil de Goiás no domingo (16). Segundo sua defesa, o médium nega as acusações e alega inocência.

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Mais 14 ex-fiéis deverão prestar depoimentos na capital paulista ainda neste ano, possivelmente até quarta-feira (19). Em janeiro, quando termina o recesso judicial, a Promotoria em São Paulo retomará os trabalhos ouvindo mais mulheres que se dizem vítimas de João de Deus. O número ainda não foi divulgado.

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Mais de 500 vítimas no país

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Até a publicação desta reportagem, o Ministério Público de Goiás havia recebido mais de 500 denúncias de mulheres acusando o médium de assédios. São vítimas de 13 estados brasileiros e do Distrito Federal. Algumas delas disseram ter sido abusadas quando eram crianças ou adolescentes.

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Também há ex-pacientes estrangeiras de seis países que disseram ter sido molestadas pelo médium, que também é chamado de ‘pai’ por seus seguidores.

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Segundo a comunicação do MP-SP, a promotora Gabriela Manssur aguarda o retorno de uma ONG internacional que poderia auxiliar a ouvir os depoimentos dessas estrangeiras fora do Brasil.

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Ana Maria Azevedo diz que foi abusada pelo médium João de Deus em Abadiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV GloboAna Maria Azevedo diz que foi abusada pelo médium João de Deus em Abadiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Globo

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Quatro funcionários envolvidos

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Até a publicação desta reportagem, parte das vítimas citou o possível envolvimento de ao menos quatro funcionários do médium nos crimes. Segundo elas, eles seriam coniventes com os abusos sexuais em Abadiânia. Por esse motivo, essas pessoas também podem ser responsabilizadas pelos mesmos crimes.

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Além de Gabriela, a promotoria Valéria Scarance também integra o grupo de apoio do MP-SP. Segundo ela, o número de vítimas ainda pode aumentar, já que foi aberto um canal de denúncia por e-mail (somosmuitas@mpsp.mp.br).

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O MP-SP também recebeu o relato de um grupo que reúne mais de 200 mulheres que teriam sofrido abuso, mas nem todas quiseram se identificar ou formalizar as queixas. Entre os prováveis crimes que João de Deus pode responder estão estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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