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“Ele faz isso com muitas”, diziam funcionárias de João de Deus para vítimas abusadas

Saiu no site REVISTA MARIE CLAIRE

 

Veja publicação original:  “Ele faz isso com muitas”, diziam funcionárias de João de Deus para vítimas abusadas

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Os promotores do MP-GO confirmaram uma vítima de 8 anos de idade, e também falaram sobre uma suposta conivência das funcionárias do médium nos abusos.

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Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (15/1), o Ministério Público de Goiás (MP-GO) falou sobre a nova denúncia apresentada contra o médium de Abadiânia, João Teixeira de Faria, o João de Deus. A nova denúncia, protocolada depois do depoimento do médium, prestado ontem (14/1) ao MP-GO, traz novos detalhes chocantes dos casos de abusos praticados por ele. Os promotores do MP-GO confirmaram uma vítima de 8 anos de idade, e também falaram sobre uma suposta conivência das funcionárias do médium, que chegaram a admitir para as mulheres abusadas que ele, João de Deus, “fazia aquilo [os abusos] com muitas”.

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Participaram da coletiva os promotores Luciano Meirelles, Gabriella de Queiroz, Paula Moraes e Augusto César Souza. Os promotores deixaram claro que a apresentação da denúncia não significa o fim dos trabalhos de investigação por parte do Ministério Público.

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A denúncia envolve 13 vítimas ao todos. Das 13, cinco não prescreveram, enquanto as outras oito, pelo tempo decorrido entre o fato criminoso e a denúncia feita, não podem mais ser punidos, segundo o Dr. Luciano Meirelles.

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De acordo com a Dra. Gabriella de Queiroz, cinco delitos foram imputados a João de Deus na denúncia protocolada hoje. “Dos crimes imputados a João de Deus, quatro são por estupro de vulnerável e um por violação sexual mediante fraude”, confirmou.

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A promotora revelou, ainda, que uma dezena de vítimas relatam que chegaram a reportar os abusos para funcionárias da Casa Dom Inácio de Loyola, onde aconteciam as ‘sessões espirituais’ e os abusos. Como resposta, as vítimas ouviam das funcionárias que aquilo era corriqueiro. “Elas [as vítimas] relataram que às vezes saíam dali muito “sujas”, não só com a secreção que aquele ato provocava, mas se sentindo “poluídas, impuras” com aquilo tudo” revela. Ela contou que, ao procurarem as funcionárias para relatar o abuso, elas ouviam o seguinte: “Minha filha, ele faz isso com muitas”.

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O promotor Augusto César confirmou que as supostas participação e conivência das funcionárias nos abusos serão melhor avaliadas no decorrer das investigações.

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João de Deus fez vítimas em mais de cinco estados

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A promotora diz ainda que oito dos 13 casos relatados prescreveram, e, portanto, os relatos das vítimas foram usados somente como corroboração da denúncia. “Temos relatos [de abusos praticados por João de Deus] de 1990 até julho de 2018”, revela. Entre as vítimas, estão crianças, adolescentes e adultos, com idades variando de 8 a 47 anos. Quanto ao caso da vítima que foi abusada quando tinha 8 anos, e posteriormente com 13, entrou em prescrição, e foi usado somente como apoio da denúncia formal.

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Já quanto às cinco vítimas que estão na denúncia, quatro são do Estado de Goiás e uma de São Paulo. As outras, cujos casos já prescreveram, são de vários estados, entre eles Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão, Santa Catarina, São Paulo e Goiás, assim como o Distrito Federal. Os relatos das vítimas foram colhidos pelos Ministérios Públicos respectivos de cada região.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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