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Como parar esta engrenagem de violência e morte? Como sensibilizar as famílias, as comunidades e o Estado para o compromisso prioritário de garantia da vida das mulheres? Como incidir para que os marcadores de raça, classe, idade, território e sexualidade deixem de atuar como sentenças de maiores vulnerabilidades?
O padrão racista e patriarcal do mundo moderno instaurou nas sociedades uma lógica seletiva de comoção com a dor, a morte e a tragédia humana. O Brasil, que entre seus mitos de nacionalidade carrega o imaginário de um povo solidário, sensível e acolhedor, convive historicamente em quase silêncio com a violência que atinge desproporcionalmente os grupos minorizados – sobretudo a população negra, as mulheres, a comunidade LGBTQIAPN+, os povos tradicionais e todos os “Outros” do homem branco cis hétero adulto. Nunca foi fácil ser mulher no Brasil, mas, no que tange às violências de gênero, há uma percepção coletiva de que vivemos um cenário a cada dia pior, e os dados atestam. No último mês de abril, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) registrou redução de 42,7% de homicídios.








