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Como os óculos com câmera viraram uma nova ameaça à privacidade das mulheres

Saiu no site MARIE CLAIRE

Dispositivos como os da Meta vêm sendo usados para filmar e expor mulheres; saiba como pedir ajuda

Na última semana, uma consulta ginecológica em Salvador terminou em caso de polícia depois que uma paciente desconfiou que estava sendo filmada pelo médico, que usava um modelo de óculos equipado com câmera durante o atendimento. Ela registrou a situação com o próprio celular, questionou o profissional, que teria ficado “nervoso”, e acionou a polícia. O ginecologista acabou preso em flagrante.

Segundo a Polícia Militar, durante a abordagem, o médico chegou a admitir que usava as imagens para fins de pesquisa e entregou os óculos e o celular aos agentes. Ele foi solto dois dias depois. A defesa e a família negam que tenha havido confissão. Ao analisar o caso, a Justiça entendeu que a prisão em flagrante foi ilegal, pois não foram encontradas fotos ou vídeos nos aparelhos que comprovassem a suspeita. A decisão, no entanto, não encerrou a investigação.

 

O primeiro caso de grande repercussão envolvendo esse tipo de tecnologia aconteceu em junho do ano passado, na Espanha. Um homem foi preso em Barcelona após gravar centenas de mulheres com óculos Ray-Ban Meta sem consentimento. Segundo a investigação, ele usava os vídeos para divulgar cursos de “sedução” vendidos na internet. A polícia analisou 329 gravações, das quais 239 continham conversas com informações pessoais das vítimas.

Dilara, de 21 anos, foi alvo de um caso semelhante. Durante o horário de almoço, a jovem londrina foi abordada por um homem, que puxou assunto e pediu seu número. Sem saber, ela estava sendo filmada por meio de óculos inteligentes. O conteúdo foi publicado no TikTok e alcançou cerca de 1,3 milhão de visualizações, segundo informações da BBC.

Na própria plataforma, vítimas de gravações sem consentimento passaram a publicar relatos semelhantes. “Um homem se aproximou de mim totalmente ciente de que estava ultrapassando um limite, me explorando para conteúdo e me gravando sem meu consentimento. A simpatia virou risco, porque nada vale esse nível de violação”, relatou uma das vítimas em seu perfil.

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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