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Como a web tenta descreditar cientista responsável por foto do buraco negro

Saiu no site UOL NOTÍCIAS

 

Veja publicação original: Como a web tenta descreditar cientista responsável por foto do buraco negro

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Por Rodrigo Trindade

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RESUMO DA NOTÍCIA

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  • Figura chave no software que montou imagem de buraco negro, Katie Bouman virou vítima de campanha sexista na internet
  • Internautas apontaram Andrew Chael como “mais importante” no projeto, mas o próprio enterrou os boatos
  • Algoritmos do YouTube e comunidades online impulsionaram a dispersão de boatos

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“Meu papel é criar algoritmos que encontrem as imagens mais sensatas que também combinem com as medidas de telescópios. Assim como um artista forense usa descrições limitadas para montar uma imagem usando seu conhecimento de estrutura facial, os algoritmos de imagem que eu desenvolvi usam nossos dados limitados de telescópios para nos levar a uma imagem que parece com as coisas do nosso universo.”

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Esta é Katie Bouman. Hoje, a PhD em engenharia elétrica e ciência da computação é conhecida como a mulher por trás da primeira imagem de um buraco negro já registrada na história. A fala acima é de um TED Talk de novembro de 2016, quando ela apenas vislumbrava que seu trabalho materializaria teorias de Albert Einstein de 100 anos atrás, imaginadas em simulações científicas e reconstruções artísticas, como a do filme “Interestelar”.

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Mas a internet e suas comunidades e algoritmos não perderam tempo em distorcer os fatos a respeito de Bouman. Na mesma semana em que a foto, um resultado de um trabalho de cientistas de todo o mundo ao longo de anos, foi divulgada, comunidades no Reddit e usuários do YouTube decidiram descreditar o papel de Bouman.

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Acessando o GitHub, plataforma usada por programadores, trolls encontraram a munição para iniciar uma campanha cujo objetivo é “provar” que Katie fez uma parcela pequena do trabalho e não merece todo o crédito e exposição recebidos.

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Quando busquei o nome da cientista no YouTube neste sábado (13), os primeiros resultados foram vídeos que contam a história dela, mas ao descer uma tela no computador, surge o primeiro material contestador (em inglês). “A controvérsia de Katie Bouman e o BURACO NEGRO, New York Times diz que a técnica dela não foi usada??!”

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Este era o 13o resultado da busca, mas logo no 18o o YouTube nos fornece outro vídeo conspiratório (também em inglês): “Mulher faz 6% do trabalho mas ganha 100% do crédito: foto do buraco negro.”

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Entre os “argumentos”, há a afirmação que o astrofísico Andrew Chael tinha muito mais linhas de códigos escritas na página aberta do GitHub sobre o software de imagem do Event Horizon Telescope (EHT). Quantas? 850 mil de um total de 900 mil.

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Os “fatos”, no entanto, não condizem com a realidade do projeto, como explicou o próprio Chael em seu Twitter. “Aparentemente algumas (espero que muito poucas) pessoas online estão usando o fato que eu sou o principal desenvolvedor da biblioteca de software de imagem do EHT para lançar ataques horríveis e sexistas contra minha colega Katie Bouman. Parem”, escreveu.

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Chael detalhou que, no trabalho, foram usadas três bibliotecas de software de imagem distintas. Katie, por sua vez, desenvolveu a estrutura que “testou rigorosamente todos os três códigos e deu forma ao trabalho inteiro”.

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Este trabalho não foi feito sozinho, como o astrofísico explicou em uma série de tuítes e a própria Katie creditou naquele TED Talk de 2016 – Chael, inclusive, apareceu entre os astrônomos, físicos, matemáticos e engenheiros mencionados no final da apresentação. Com a publicação da foto, Bouman reforçou, no Facebook, que a imagem não foi feita por uma só pessoa ou algoritmo.

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Reprodução
Cientistas, Chael entre eles, foram creditados em TED Talk de Katie BoumanImagem: Reprodução

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Sobre as 850 mil linhas de códigos no GitHub, ele também esclareceu que a maioria disso estava em arquivos-modelo. O software responsável pela imagem do buraco negro tem, na realidade, “apenas” 68 mil linhas de código. “E eu não ligo quantas dessas eu sou o autor”, completou.

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Para concluir sua fala, Chael agradeceu eventuais elogios, mas pediu para irem embora que aqueles que foram exaltá-lo como uma “vingança sexista contra Katie”. Encerrada a polêmica, ele espera voltar a tuitar sobre as coisas que gosta, como contar como é ser um astrônomo gay ou responder a perguntas sobre o EHT.

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Os resultados de busca por “Katie Bouman” já foram piores no YouTube, conforme registraram usuários americanos na sexta-feira (12). Pelo Twitter, a empresa prestou uma explicação para o ordenamento dos resultados.

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“Às vezes, quando uma busca é feita, há muitos resultados frescos. Nossos algoritmos vão, em alguns casos (quando a busca é relacionada a notícias), buscar trazer fontes mais competentes. Neste caso, em alguns minutos, vídeos de diferentes fontes começaram a surgir rumo ao topo. Estas são mudanças que fizemos no nosso algoritmo para combater a desinformação”, disse.

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Este novo incidente vem depois da notícia de que executivos do YouTube ignoraram alertas sobre a dispersão de vídeos conspiratórios, favorecida pelos próprios algoritmos da plataforma.

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Curioso? Veja o TED Talk de Katie Bouman

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O vídeo está em inglês, mas legendas em português podem ser ativadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Preliminares rejeitadas Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora Lucimeire Maria da Silva, afastou inicialmente a alegação de inépcia da inicial. Segundo a magistrada, a petição apresentou de forma lógica a causa de pedir e os fatos e fundamentos jurídicos necessários ao exercício do contraditório. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O voto destacou que os réus participaram virtualmente da audiência e tiveram oportunidade de prestar depoimento pessoal, mas a produção da prova foi inviabilizada por eles próprios. Conforme registrado na ata, os réus foram instados três vezes a abrir a câmera. Quando um deles finalmente o fez, constatou-se que ambos estavam no mesmo ambiente. Mesmo após duas determinações para que permanecessem separados, de modo a preservar a incomunicabilidade entre os depoentes, eles não atenderam à ordem. Provas da espionagem No mérito, a desembargadora afastou a alegação de insuficiência de provas. Além da perícia realizada no aparelho, destacou os depoimentos que descreveram como ocorreu a instalação do programa e a forma de acesso às informações. Conforme ressaltou, tanto a vítima quanto os informantes afirmaram que os réus chegaram a mostrar à mulher informações e imagens obtidas pelo aplicativo, em uma espécie de intimidação. Para a relatora, o conjunto probatório demonstrou suficientemente que a mulher foi submetida a reiterada perseguição pelo ex-companheiro e pelo filho, que instalaram o aplicativo para monitorar suas ligações, localização e outros dados pessoais. Violação da intimidade Ao analisar a responsabilidade civil, a magistrada considerou que o monitoramento clandestino representou ingerência abusiva na esfera privada da mulher e violou direitos da personalidade, especialmente a intimidade, a vida privada e a liberdade individual. Segundo o voto, a instalação de mecanismo de vigilância sem consentimento caracterizou ato ilícito, nos termos do art. 186 do CC. Comprovados também o dano e o nexo causal, incidiu o dever de indenizar previsto no art. 927. A relatora o dano moral in re ipsa. De acordo com ela, a gravidade da violação à esfera íntima torna desnecessária a demonstração específica do prejuízo. Conforme afirmou, a vigilância constante, mediante interceptação de dados pessoais e monitoramento da rotina, ultrapassou mero dissabor e atingiu a dignidade, a autonomia e a segurança emocional da vítima. Violência doméstica Outro ponto destacado foi o enquadramento da conduta na lei Maria da Penha. Para a magistrada, o vínculo familiar não reduz a gravidade dos fatos, ao contrário, aumenta a reprovabilidade do comportamento, diante dos deveres de lealdade, respeito e proteção esperados nas relações familiares. A relatora observou que a instalação do aplicativo para acompanhar comunicações, deslocamentos e a rotina da mulher constitui forma de controle abusivo e invasivo no âmbito familiar. Assim, enquadrou a prática nas modalidades de violência psicológica e moral previstas no art. 7º da lei 11.340/06. Segundo o voto, a vigilância clandestina submeteu a vítima a situação de permanente controle e violação de sua esfera íntima, afetando diretamente sua liberdade e integridade psíquica. “A utilização de mecanismos tecnológicos para vigilância não autorizada intensifica a reprovabilidade do comportamento, evidenciando dolo e deliberada intenção de controle”, registrou. Indenização majorada Ao examinar o recurso da vítima, a relatora concluiu que os R$ 5 mil fixados contra cada réu eram insuficientes diante das circunstâncias do caso. Segundo o voto, a definição do dano moral deve considerar a situação das partes, a extensão do dano e a gravidade da culpa, além de observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem permitir enriquecimento sem causa nem reduzir a condenação a montante incapaz de cumprir sua função preventiva e corretiva. No caso, a desembargadora classificou a conduta dos réus como “extremamente reprovável” e destacou o real constrangimento imposto à vítima. Assim, fixou a reparação em R$ 6 mil por réu, totalizando R$ 12 mil, valor considerado mais adequado para compensar a violação aos direitos da personalidade e desestimular novos atos ilícitos. O entendimento foi acompanhado pelo colegiado. Processo: 0710401-64.2022.8.07.0005 Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/462340/filho-e-ex-indenizarao-por-espionar-celular-de-mulher-apos-termino

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