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A igualdade de gênero como pauta política – Rui Leitão

Saiu no site POLÊMICA PARAÍBA

 

Veja publicação original:  A igualdade de gênero como pauta política – Rui Leitão

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Por Amara Alcântara

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Somos diariamente impactados pelo noticiário que mostra o quanto a violência contra as mulheres tem se acentuado no Brasil. Isso está diretamente relacionado com o que chamamos de “misoginia”: desprezo e ódio contra as pessoas do gênero feminino. São agressões físicas e psicológicas, abusos sexuais, torturas, dentre outras violências que têm vitimado as mulheres em nosso país.

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Esse grave problema que vivenciamos tem suscitado debates sobre os direitos e questões de valores das mulheres. Embora ainda haja muita gente que acha que os homens são melhores e mais capazes que as mulheres. Existe até quem defenda salários menores para elas “porque engravidam”! Mas vem de longe esse preconceito. O alemão Schopenhauer dizia que “a mulher, por natureza, deve obedecer”, ressaltando o conceito machista de que elas deveriam se manter sempre numa posição de submissão aos homens. Por muito tempo a inferiorização da mulher foi encarada com naturalidade, alicerçada em princípios patriarcais. Eram tratadas como moralmente e intelectualmente inferiores aos homens.

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O capitalismo industrial, ao se consolidar, desvalorizou a mão de obra feminina, uma vez que prevalecia o pensamento dos que ainda hoje defendem que não se deve pagar salários iguais para os homens e as mulheres. Só em 1960 que começou a nascer a discussão sobre a igualdade dos papéis sociais, as mulheres passaram a conquistar espaços antes nunca permitidos. O Movimento do feminismo liderado por Simone de Beauvoir despertou a necessidade da luta contra todas as formas de opressão que historicamente eram exercidas sobre elas. As principais bandeiras de luta levantadas foram para por um fim na violência doméstica, da cultura do estupro, pela liberdade sexual e o combate às desigualdades salariais. O empoderamento da mulher ganhou importância nos debates da esfera política. Foi aí que conquistaram o direito de votar. Não obstante tantos avanços, a mulher brasileira continua sendo vítima de um tratamento desigual no mercado de trabalho. Ainda hoje recebem trinta por cento a menos que os homens no desempenho dos mesmos cargos.

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Precisamos reagir contra todo e qualquer discurso que busque atingir a dignidade feminina. Não permitir que os misóginos tentem impor suas idéias preconceituosas em desfavor das mulheres. É necessário que elas se voltem contra os que não lhes dão a importância e as desrespeitam. Não se concebe admitirmos que alguém diga que o nascimento de uma filha foi resultado de uma “fraquejada” do pai. A visão de gênero que vem sendo reformulada de geração a geração, produz uma consciência lúcida de que estamos trilhando o caminho que objetiva a igualdade. Essa é uma reflexão que não pode ficar fora da pauta política. O mundo contemporâneo exige uma postura de respeito e consideração às mulheres. Quem se comporta de forma diferente, nem merece ser considerado como postulante de um cargo de comando na sociedade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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