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Mulheres defendem direito a 50% de reservas no Legislativo

Saiu no site REVISTA FÓRUM

 

Veja publicação original:  Mulheres defendem direito a 50% de reservas no Legislativo

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Projeto de Lei foi lançado no Ministério Público de São Paulo por iniciativa de juristas, acadêmicas e movimentos civis organizados e propõe reserva de 50% do número de vagas para deputadas federais, estaduais e distritais para representantes femininas, sendo 25% para mulheres negras

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Por Adriana Mendes

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Foto: Vote Nelas

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O Brasil é majoritariamente feminino e negro já que, segundo o último censo do IBGE, a população brasileira é formada por 52% de mulheres e 57% de negros, sendo que 27% da população é composta por mulheres negras. Mas quando olhamos para as Assembleias Legislativas e para o Congresso Nacional, a realidade é outra, não há representatividade desta maioria. As mulheres ocupam cerca de 14% dos cargos políticos.

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Nesta sexta-feira, 20 de setembro, um grupo de juristas, acadêmicas e movimentos civis organizados lançou um Projeto de Lei para mudar esse cenário desigual. De autoria do Ministério Público de São Paulo e Vote Nelas, Grupo Mulheres do Brasil, GEPO, A Fala/Visibilidade Feminina, AMT-SP, Instituto Update, APPCívico, Elas na Política, Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE/SP), MulherAção, Mulheres com Direito,  Rede Feminista de Juristas, Mulheres Negras Decidem. Instituto Update Brasilianas propõe reserva de 50% do número de cadeiras para deputadas federais, estaduais e distritais para representantes femininas, sendo 25% para mulheres negras.

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A ideia surgiu numa conversa entre Ana Paula Giamarusti Carvalho, mestranda e pesquisadora em Direito Eleitoral, que também foi assessora da procuradoria regional eleitoral de São Paulo, e Vera Taberti, promotora de justiça do Ministério Público de São Paulo. Juntas chamaram representantes da sociedade civil organizada e cientistas políticas, como Luciana Ramos e Hannah Maruci Aflafo. Desde maio, o grupo passou a fazer reuniões regulares no Ministério Público de São Paulo, onde discutiam leis, analisavam dados e redigiram o PL.

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“O Projeto que estamos apresentando assegura o cumprimento de norma constitucional da igualdade fundamental entre homens e mulheres”, afirma Caci Amaral, do MCCE. A ativista lembra o que o país é um dos mais baixos índices de representatividade feminina na política. Em um ranking de 190 países, o Brasil ocupa a 152ª posição em relação ao percentual de parlamentares homens e mulheres na Câmara dos Deputados. “A batalha feminina na política tem longa história em nosso País. Neste momento político cultural essa batalha assume caráter de urgência”, completa.

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Para a socióloga Gisele Agnelli, representante do Vote Nelas e Mulheres do Brasil, já passou da hora de transformar o empoderamento feminino da mulher na política uma agenda central e prioritária da sociedade brasileira. “Os baixos índices de representatividade comparados aos altos números de violência contra a mulher são alarmantes e um indicativo de que precisa haver uma mudança. Somente iniciativas como esta, do MP com a sociedade civil organizada, num PL que deixa para trás a política de cotas de candidaturas (e que há 20 anos não está funcionando) e partir para reversas efetivas de assentos, na proporção de 50% para as mulheres, sendo 25% para mulheres negras conseguirão atingir a equidade de gêneros na política deste país”, considera Gisele.

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“Mulheres negras representam mais de 27% da população brasileira. formando o maior grupo demográfico do País. No entanto, estão sub-representadas, sem suas perspectivas sociais e raciais representadas proporcionalmente no legislativo”, afirma a advogada Laura Astrolábio, do Mulheres Negras Decidem. A partir da próxima semana o grupo, que conta com total apoio do Ministério Público de São Paulo, intensifica o trabalho de sensibilização da sociedade civil e parlamentares, buscando a adesão de câmaras municipais e assembleias legislativas de todo o Brasil.

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Projeto de Lei Mais Mulheres na Política

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“Altera a Lei Complementar n. 78, de 30 de dezembro de 1993, para acrescentar o art. 3-A, que reserva no mínimo 50% (cinquenta por cento) do número de vagas para deputados federais, estaduais e distritais para representantes femininas, sendo 25% (cinquenta por cento) desses 50% (trinta por cento) para representantes femininas negras”.

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Art. 1º A Lei Complementar n. 78, de 30 de dezembro de 1993, passa a vigorar com a seguinte redação:

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Art. 3-A. No mínimo 50% (cinquenta por cento) do número de vagas para deputados federais, estaduais e distritais serão preenchidas por representantes femininas, sendo 25% (cinquenta por cento) desses 50% (trinta por cento) para representantes femininas negras”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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