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Pressão para ser mãe: 6 relatos de mulheres que vivem essa cobrança

Saiu no site UNIVERSA

 

Veja publicação original:  Pressão para ser mãe: 6 relatos de mulheres que vivem essa cobrança

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Por Julia Arbex

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Mulheres são cobradas a pensar sobre a maternidade, a ser bem-sucedidas e atender aos padrões de beleza e sucesso estabelecidos culturalmente. “Por conta desse acúmulo de papéis e pelo alcance do movimento feminista, que luta também pelo direito das mulheres a decidir se e quando serão mães, o cenário está mudando”, diz Adriana Bilate de Carvalho, socióloga e professora da UNISUAM (RJ).

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“A pressão para ser mãe acontece porque o cuidar e o amar são responsabilidades culturalmente associadas ao universo feminino. E o homem, quando exerce a ética do cuidado, é parabenizado por fazer aquilo que mulheres fazem todo dia, o tempo todo.

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Portanto, a mulher é levada a acreditar que é natural ter essa função de se responsabilizar pelos sentimentos do outro e a crueldade está no fato da maternidade acabar se tornando uma imposição”, explica Adriana. Para a psicóloga Ellen Moraes Senra, como a estrutura da sociedade levou séculos para ser construída, infelizmente para desconstruir essa linha de raciocínio deve demorar alguns anos. “Enquanto isso, a única forma viável de lidar com a cobrança pela maternidade é ignorar a pressão e o julgamento dos outros e priorizar os próprios desejos.”

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E quando só a mulher quer ter filho

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“O ideal é não forçar uma situação ou ficar tentando convencer o outro. O melhor a se fazer é tentar descobrir junto com o parceiro se existe a possibilidade de ter uma mudança de opinião. Isso porque muitos fatores podem estar relacionados ao fato de um dos cônjuges não querer ter filhos como, por exemplo, vivências traumáticas na infância, prioridades diferentes, falta de estabilidade profissional e econômica e perda da liberdade”, explica Elaine Di Sarno, psicóloga e neuropsicóloga.

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Veja depoimentos de mulheres que vivem situações parecidas.

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Ele está indeciso

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“Começou quando o único irmão do meu namorado faleceu. Começaram a falar que não podíamos esperar mais porque estávamos ficando velhos. No primeiro momento não levei a sério. Mas depois começou a me irritar. A questão é que eu não penso em ser mãe e, assim como respeito a decisão de quem quer ter filhos, espero que respeitem a minha de não tê-los. Estou cansada de ouvir frases como “você vai mudar de vida quando engravidar” ou “quem vai cuidar de você quando estiver velha?” Meu namorado sempre soube o que eu penso sobre ser mãe. Até pouco tempo me apoiava, mas hoje acredito que tenha mudado de ideia. Apesar disso, a pressão o incomodou também”

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Fabiana Rosado, 27 anos, estudante

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Engravidou aos 40 anos

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“Meu segundo e atual marido sempre insistiu para termos um bebê. Para ele, que já tinha três filhos do primeiro casamento, nossa casa estava muito vazia. Mas eu nunca quis ter essa responsabilidade. Mas de tanto ele falar sobre o assunto, eu cedi. Parei de tomar pílula e engravidei depois de 11 meses, aos 40 anos. Meu filho é minha vida, tudo que tenho de mais valioso. Só que não teria mais um. É difícil cuidar do outro o tempo todo”,

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Vilma Santa Saragoça, gerente de loja

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A sogra insiste

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“Meu namorado tem 34 anos e eu, 23. Estamos juntos há um ano e a mãe dele já fala para termos filhos porque já está ficando velha. Além disso, para ela, o filho já tem idade de ter uma família e eu, que sou nova, aproveitaria mais a maternidade. Eu quero ser mãe e ele quer ser pai. Mas queremos realizar nossos sonhos pessoais primeiro”.

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Karina Vasconcellos*, 23 anos, estudante

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Ele ainda nem pensa nisso

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“Eu quero muito ser mãe. Mas como meu marido tem 24 anos, ele ainda não pensa em ter filho. Às vezes, fala que precisamos nos estabilizar antes. Mas eu já tenho 30 anos, acredito que temos condições de ter um bebê e meu relógio biológico está andando. Ele não associa que não temos a mesma idade. Em relação às famílias, a mãe dele diz que não vê a hora de ter uma neta. Já a família do meu pai não perde uma oportunidade para falar que já está passando a hora de eu engravidar. No meu círculo de amizade, a maioria das mulheres engravidou. Já chorei várias vezes por achar que não vai dar tempo”.

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Amanda Pacheco*, 30 anos, administradora

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Se decidir ter filho, vai adotar um adolescente

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“Engravidar nunca esteve nos meus planos. Meu marido também nunca teve o desejo de ser pai. Então, quando nos conhecemos, foi como um “ufa” sobre esse assunto. Já me perguntaram coisas como “você não quer deixar um pedacinho seu na terra quando se for?” ou acusada por ‘rejeitar um dom que Deus me deu’. Pode ser que mude de ideia, mas aí adotaria uma criança ou um adolescente. E tem gente que julga até isso. Indignada, uma tia falou que a criança não seria ‘sangue do meu sangue’, como se o amor de mãe fosse sobre isso”.

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Taciana Dias, 35 anos, florista

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Nunca quis ser mãe

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“Quando era adolescente já dizia que não queria ter filhos. Na época, acreditava que eu não gostava de criança, mas com o tempo descobri que não era essa a questão. Na verdade, eu só não queria ter que cuidar de uma. O tempo passou e, além dessa vontade nunca chegar, acumulei mais um motivo para não querer ser mãe: gosto da minha liberdade. Minha mãe e minha avó falam que eu estou sendo egoísta, que a mulher só está completa quando tem filho, mas não ligo muito. Minha avó, por exemplo, é de outra época, de quando a vida da mulher só tinha sentido se ela casasse e engravidasse”.

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Flávia Elisa de Oliveira Câmara, 27 anos, barista

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*Nomes trocados a pedido das entrevistadas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Preliminares rejeitadas Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora Lucimeire Maria da Silva, afastou inicialmente a alegação de inépcia da inicial. Segundo a magistrada, a petição apresentou de forma lógica a causa de pedir e os fatos e fundamentos jurídicos necessários ao exercício do contraditório. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O voto destacou que os réus participaram virtualmente da audiência e tiveram oportunidade de prestar depoimento pessoal, mas a produção da prova foi inviabilizada por eles próprios. Conforme registrado na ata, os réus foram instados três vezes a abrir a câmera. Quando um deles finalmente o fez, constatou-se que ambos estavam no mesmo ambiente. Mesmo após duas determinações para que permanecessem separados, de modo a preservar a incomunicabilidade entre os depoentes, eles não atenderam à ordem. Provas da espionagem No mérito, a desembargadora afastou a alegação de insuficiência de provas. Além da perícia realizada no aparelho, destacou os depoimentos que descreveram como ocorreu a instalação do programa e a forma de acesso às informações. Conforme ressaltou, tanto a vítima quanto os informantes afirmaram que os réus chegaram a mostrar à mulher informações e imagens obtidas pelo aplicativo, em uma espécie de intimidação. Para a relatora, o conjunto probatório demonstrou suficientemente que a mulher foi submetida a reiterada perseguição pelo ex-companheiro e pelo filho, que instalaram o aplicativo para monitorar suas ligações, localização e outros dados pessoais. Violação da intimidade Ao analisar a responsabilidade civil, a magistrada considerou que o monitoramento clandestino representou ingerência abusiva na esfera privada da mulher e violou direitos da personalidade, especialmente a intimidade, a vida privada e a liberdade individual. Segundo o voto, a instalação de mecanismo de vigilância sem consentimento caracterizou ato ilícito, nos termos do art. 186 do CC. Comprovados também o dano e o nexo causal, incidiu o dever de indenizar previsto no art. 927. A relatora o dano moral in re ipsa. De acordo com ela, a gravidade da violação à esfera íntima torna desnecessária a demonstração específica do prejuízo. Conforme afirmou, a vigilância constante, mediante interceptação de dados pessoais e monitoramento da rotina, ultrapassou mero dissabor e atingiu a dignidade, a autonomia e a segurança emocional da vítima. Violência doméstica Outro ponto destacado foi o enquadramento da conduta na lei Maria da Penha. Para a magistrada, o vínculo familiar não reduz a gravidade dos fatos, ao contrário, aumenta a reprovabilidade do comportamento, diante dos deveres de lealdade, respeito e proteção esperados nas relações familiares. A relatora observou que a instalação do aplicativo para acompanhar comunicações, deslocamentos e a rotina da mulher constitui forma de controle abusivo e invasivo no âmbito familiar. Assim, enquadrou a prática nas modalidades de violência psicológica e moral previstas no art. 7º da lei 11.340/06. Segundo o voto, a vigilância clandestina submeteu a vítima a situação de permanente controle e violação de sua esfera íntima, afetando diretamente sua liberdade e integridade psíquica. “A utilização de mecanismos tecnológicos para vigilância não autorizada intensifica a reprovabilidade do comportamento, evidenciando dolo e deliberada intenção de controle”, registrou. Indenização majorada Ao examinar o recurso da vítima, a relatora concluiu que os R$ 5 mil fixados contra cada réu eram insuficientes diante das circunstâncias do caso. Segundo o voto, a definição do dano moral deve considerar a situação das partes, a extensão do dano e a gravidade da culpa, além de observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem permitir enriquecimento sem causa nem reduzir a condenação a montante incapaz de cumprir sua função preventiva e corretiva. No caso, a desembargadora classificou a conduta dos réus como “extremamente reprovável” e destacou o real constrangimento imposto à vítima. Assim, fixou a reparação em R$ 6 mil por réu, totalizando R$ 12 mil, valor considerado mais adequado para compensar a violação aos direitos da personalidade e desestimular novos atos ilícitos. O entendimento foi acompanhado pelo colegiado. Processo: 0710401-64.2022.8.07.0005 Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/462340/filho-e-ex-indenizarao-por-espionar-celular-de-mulher-apos-termino

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