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Violência política contra mulheres preocupa às vésperas do primeiro turno

Saiu no site CORREIO BRAZILIENSE

Diretora do Ministério das Mulheres, Andreza Xavier destacou ao Podcast do Correio ações de combate às agressões contra candidatas e mandatárias

A violência política contra as mulheres vai de interrupções de fala e ataques pessoais a ameaças de morte e agressões no ambiente digital. Às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para este domingo,  4 de outubro, o Ministério das Mulheres estruturou um grupo de trabalho com plantão 24 horas para acompanhar denúncias e casos divulgados pela imprensa.

Em entrevista ao Podcast do Correio, as jornalistas Sibele Negromonte e Carmen Souza receberam Andreza Xavier, diretora de Articulação Intersetorial, Interfederativa e Participação Política da pasta das Mulheres, para discutir o problema. Segundo ela, a violência pode atingir candidatas, mandatárias e lideranças sociais e contribuir para o afastamento de mulheres dos espaços de decisão.

Andreza explicou que as agressões também aparecem por meio da distribuição desigual de recursos de campanha, restrições ao tempo de rádio e televisão, assédio, difamações, comentários sobre a vida íntima e ameaças de violência sexual. No ambiente digital, o problema inclui fake news, vídeos adulterados, pornografia não consentida e deepfakes.

“Combater a violência política de gênero é uma prioridade do Ministério das Mulheres”, afirmou a convidada. Mulheres negras, indígenas, ciganas, trans e travestis também estão expostas a formas específicas de violência, completou. Durante a entrevista, o assassinato da vereadora Marielle Franco foi citado como um caso extremo desse cenário.

Números

Entre janeiro e agosto, o Ligue 180 registrou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres. Do total, 53,84% envolveram mulheres negras. Os estados com maior número de registros foram São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. O serviço recebe relatos, oferece orientação e encaminha os casos aos órgãos responsáveis. A atuação faz parte de uma articulação com instituições como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e a Defensoria Pública da União (DPU).

“O trabalho envolve busca ativa diária de casos divulgados pela imprensa para alimentar nossas estatísticas e subsidiar políticas públicas”, explicou Andreza. A estratégia também conta com gestoras estaduais e municipais, conselhos de direitos das mulheres, movimentos feministas e pesquisadoras.

O ministério relaciona o enfrentamento da violência à ampliação das condições para que mulheres permaneçam na política. Nesse sentido, a especialista citou a Política Nacional de Cuidados, desenvolvida em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), e ações com o Ministério da Educação (MEC) contra a violência de gênero nas universidades.

Para Andresz, além de combater ameaças e agressões graves, é necessário impedir a naturalização de práticas como piadas constrangedoras, comentários sobre o corpo e interrupções constantes da fala. O ministério também mantém parcerias com organizações como a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e a ONU Mulheres para ampliar a proteção de mulheres de diferentes grupos sociais.

A violência política contra as mulheres é prevista na legislação brasileira e pode ser denunciada por diferentes canais, como o Ligue 180, as ouvidorias do CNJ e do CNMP, a Defensoria Pública e o Comunica PF, da Polícia Federal.

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