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Manifesto de mulheres no futebol acaba em machismo e viraliza: “Beija!”

Saiu no site UNIVERSA

 

Veja publicação original: Manifesto de mulheres no futebol acaba em machismo e viraliza: “Beija!”

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Por Débora Miranda

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17 de fevereiro de 2017. É dia de Re-Pa em Belém. Torcedores de Remo e Paysandu dividem espaço no estádio Mangueirão. A menos de um mês do Dia Internacional da Mulher, líderes de torcida de ambos os times e algumas torcedoras entram em campo, antes de o jogo começar, carregando uma faixa com os dizeres: “Lugar de mulher é onde ela quiser. Inclusive no estádio”. Em baixo, a hashtag #respeitaasminas.

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Ao passarem pela torcida do Remo, são recebidas com gritos de “Beija, beija, tá calor, tá calor. Eu só quero enrabar as mulecas da Terror.” Terror Bicolor é uma torcida organizada do Paysandu. A situação foi registrada em um vídeo que só agora, dois anos depois, viralizou na internet, escancarando o machismo e o desrespeito que ainda existem nos estádios de futebol.

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A designer gráfico Victoria Luiza Santos de Oliveira, 22 anos, foi uma das mulheres que participaram da ação naquele dia. Ela faz parte do grupo Bicolindas, de líderes de torcida do Paysandu. “Era um protesto pela inclusão das mulheres no meio do futebol. Nos reunimos com algumas meninas do Remo e demos a volta no campo carregando aquela faixa. Foi quando a torcida começou a cantar. Além disso, atiraram objetos em nós. Foi muito difícil, eu me senti mal, nunca tinha passado por aquilo, ouvi muitos xingamentos”, lembra.

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Ana Carolina Alves Camara Silva, 24 anos, professora, é coordenadora das Bicolindas (o nome é uma combinação das palavras bicolor, em referência ao azul e branco do Paysandu, e linda). Ela explica que a cultura das líderes de torcida –também conhecidas como cheerleaders— está se fortalecendo na região. No Pará, Castanhal e São Raimundo, além de Remo e Paysandu possuem projetos desse tipo.

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“É costume aqui as líderes de torcida se unirem, apesar da rivalidade dos times, para fazerem algumas campanhas. Temos aliança com As Mais Queridas, que são as líderes de torcida do ABC, com as Leoas da Barra, que são do Vitória, e também com as Gloriosas, do Botafogo. Essa parceria funciona justamente para fortalecer essa cultura de líderes de torcida dentro do nosso país e para ter esse amparo, essa força, poder uma ajudar a outra diante de situações como essa do vídeo, por exemplo.”

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Ana Carolina conta que a seletiva para fazer parte do grupo é rigorosa e, antes de avaliar o talento para a dança, são testados os conhecimentos das meninas a respeito do time. Elas se consideram torcedoras e são assíduas. Mas se o preconceito na arquibancada ainda é grande, com relação às meninas que dançam dentro de campo a situação pode ser ainda pior.

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“É uma luta constante. As meninas são sempre analisadas de forma pejorativa. Infelizmente, o trabalho delas não é visto como uma modalidade artística e, sim, como vulgaridade. Mas temos uma grande força ao nosso lado que é o clube, que nos apoia muito”, revela.

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O Paysandu divulgou uma nota nesta quarta (30), destacando torcedoras históricas e se posicionando contra o machismo. “Repudiamos qualquer ato de desrespeito contra toda e qualquer mulher, seja ela bicolor ou não, dentro ou fora do estádio, como mostra um vídeo antigo que curiosamente passou a circular hoje nas redes sociais, no qual as nossas líderes de torcida foram xingadas em uma partida. Preconceito tem de ser combatido e não tolerado! Meninas, mulheres, senhoritas, senhoras, o Papão também é e sempre será de vocês! Vocês sempre serão bem-vindas em qualquer lugar!”

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Segundo Ana Carolina, as líderes de torcida também recebem apoio de torcedoras organizadas. “Nós temos uma relação muito boa com a Apayxonadas e a Charme Bicolor –que, inclusive, estava conosco na manifestação mostrada no vídeo. Principalmente nessa questão da luta pelo espaço das mulheres dentro do estádio. As meninas das organizadas participam de eventos, fazem palestras. A maior organizada do Paysandu é a Terror Bicolor, que também respeita muito as meninas. O nosso maior obstáculo é justamente a sociedade, é a cultura.”

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Mas Victoria diz que, desde o traumático 2017, pouca coisa mudou. “Continua a mesma coisa, pelo menos é o que eu presencio. Vou a 90% dos jogos em casa e vejo até comentários machistas de mulheres. Nós tiramos dinheiro do nosso bolso para estar ali, trabalhamos debaixo de chuva e de sol. Temos muito amor ao clube”, afirma ela. As meninas não recebem salário. Beneficiam-se apenas de parcerias que o projeto faz.

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A resistência, no entanto, segue forte. Especialmente nas redes sociais. Um post recente assinado pelas Bicolindas no Instagram responde a questionamentos desrespeitosos a respeito da forma física das meninas. E elas esperam que a divulgação do vídeo possa gerar reflexão e mudanças. Dentro de campo, nos intervalos dos jogos, as Bicolindas continuam mostrando suas coreografias e tradicionalmente formam uma pirâmide humana. No fim, levantam plaquinhas com letras que formam a palavra RESPEITO.

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“É uma coisa básica e muito importante que, infelizmente, nem sempre existe”, conclui Ana Carolina.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Preliminares rejeitadas Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora Lucimeire Maria da Silva, afastou inicialmente a alegação de inépcia da inicial. Segundo a magistrada, a petição apresentou de forma lógica a causa de pedir e os fatos e fundamentos jurídicos necessários ao exercício do contraditório. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O voto destacou que os réus participaram virtualmente da audiência e tiveram oportunidade de prestar depoimento pessoal, mas a produção da prova foi inviabilizada por eles próprios. Conforme registrado na ata, os réus foram instados três vezes a abrir a câmera. Quando um deles finalmente o fez, constatou-se que ambos estavam no mesmo ambiente. Mesmo após duas determinações para que permanecessem separados, de modo a preservar a incomunicabilidade entre os depoentes, eles não atenderam à ordem. Provas da espionagem No mérito, a desembargadora afastou a alegação de insuficiência de provas. Além da perícia realizada no aparelho, destacou os depoimentos que descreveram como ocorreu a instalação do programa e a forma de acesso às informações. Conforme ressaltou, tanto a vítima quanto os informantes afirmaram que os réus chegaram a mostrar à mulher informações e imagens obtidas pelo aplicativo, em uma espécie de intimidação. Para a relatora, o conjunto probatório demonstrou suficientemente que a mulher foi submetida a reiterada perseguição pelo ex-companheiro e pelo filho, que instalaram o aplicativo para monitorar suas ligações, localização e outros dados pessoais. Violação da intimidade Ao analisar a responsabilidade civil, a magistrada considerou que o monitoramento clandestino representou ingerência abusiva na esfera privada da mulher e violou direitos da personalidade, especialmente a intimidade, a vida privada e a liberdade individual. Segundo o voto, a instalação de mecanismo de vigilância sem consentimento caracterizou ato ilícito, nos termos do art. 186 do CC. Comprovados também o dano e o nexo causal, incidiu o dever de indenizar previsto no art. 927. A relatora o dano moral in re ipsa. De acordo com ela, a gravidade da violação à esfera íntima torna desnecessária a demonstração específica do prejuízo. Conforme afirmou, a vigilância constante, mediante interceptação de dados pessoais e monitoramento da rotina, ultrapassou mero dissabor e atingiu a dignidade, a autonomia e a segurança emocional da vítima. Violência doméstica Outro ponto destacado foi o enquadramento da conduta na lei Maria da Penha. Para a magistrada, o vínculo familiar não reduz a gravidade dos fatos, ao contrário, aumenta a reprovabilidade do comportamento, diante dos deveres de lealdade, respeito e proteção esperados nas relações familiares. A relatora observou que a instalação do aplicativo para acompanhar comunicações, deslocamentos e a rotina da mulher constitui forma de controle abusivo e invasivo no âmbito familiar. Assim, enquadrou a prática nas modalidades de violência psicológica e moral previstas no art. 7º da lei 11.340/06. Segundo o voto, a vigilância clandestina submeteu a vítima a situação de permanente controle e violação de sua esfera íntima, afetando diretamente sua liberdade e integridade psíquica. “A utilização de mecanismos tecnológicos para vigilância não autorizada intensifica a reprovabilidade do comportamento, evidenciando dolo e deliberada intenção de controle”, registrou. Indenização majorada Ao examinar o recurso da vítima, a relatora concluiu que os R$ 5 mil fixados contra cada réu eram insuficientes diante das circunstâncias do caso. Segundo o voto, a definição do dano moral deve considerar a situação das partes, a extensão do dano e a gravidade da culpa, além de observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem permitir enriquecimento sem causa nem reduzir a condenação a montante incapaz de cumprir sua função preventiva e corretiva. No caso, a desembargadora classificou a conduta dos réus como “extremamente reprovável” e destacou o real constrangimento imposto à vítima. Assim, fixou a reparação em R$ 6 mil por réu, totalizando R$ 12 mil, valor considerado mais adequado para compensar a violação aos direitos da personalidade e desestimular novos atos ilícitos. O entendimento foi acompanhado pelo colegiado. Processo: 0710401-64.2022.8.07.0005 Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/462340/filho-e-ex-indenizarao-por-espionar-celular-de-mulher-apos-termino

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