Saiu no site O GLOBO
Manifestações em Nova Délhi foram motivadas por uma sequência de casos de violência sexual, incluindo denúncias envolvendo adolescentes; em Punjab, universidade suspendeu aulas após protestos por suposto estupro no campus.
Centenas de estudantes participaram de protestos em universidades de Nova Délhi, na Índia, contra a violência sexual e as restrições impostas às mulheres após uma série de denúncias de estupro na capital. As manifestações foram motivadas por casos recentes envolvendo adolescentes, mas também expuseram uma insatisfação mais ampla com o assédio sexual e a percepção de insegurança enfrentada diariamente por mulheres no país.
Em cartazes, as manifestantes criticaram medidas que, segundo elas, responsabilizam as mulheres pela própria segurança. “Garotas não precisam de toque de recolher, estupradores precisam de consequências”, dizia um dos cartazes. Outro afirmava: “Tranque seus pênis, em vez de manter as mulheres em casa”. As estudantes também gritaram palavras de ordem como “Queremos justiça”.
A revolta ganhou força após uma sequência de casos de violência sexual em Nova Délhi. Entre eles está a denúncia de que uma adolescente de 17 anos teria sido estuprada por três homens que se passaram por policiais em um parque próximo à Universidade de Délhi.
Uma semana antes, outra adolescente de 17 anos teria sido estuprada e assassinada no bairro de Swaroop Nagar, depois de sair para encontrar amigos. Segundo as acusações, ela teria sido estuprada e esfaqueada até a morte, e seu corpo foi abandonado em um campo, onde foi encontrado dias depois.
Também foram registrados, no mesmo mês, casos envolvendo meninas de 11 e seis anos. No mês anterior, uma adolescente de 16 anos teria sido estuprada pelo motorista e pelo cobrador de um ônibus-leito em Nova Délhi.
Caso Nirbhaya
As manifestações ocorrem 14 anos depois do caso que ficou conhecido como Nirbhaya, em 2012, quando uma mulher foi estuprada coletivamente dentro de um ônibus em Nova Délhi e morreu em consequência das agressões. O crime provocou protestos em todo o país e levou à aprovação de mudanças na legislação e a promessas de reforço no combate à violência sexual.
Segundo estudantes e ativistas, porém, as medidas não foram suficientes para alterar a realidade enfrentada pelas mulheres. Dados divulgados pelo National Crime Records Bureau apontam que mais de 80 estupros são registrados diariamente na Índia. Organizações que atuam na defesa das mulheres afirmam que o número real é maior devido à subnotificação provocada por estigma social, coerção e outros fatores.
Na segunda-feira, a Suprema Corte da Índia afirmou que uma sequência recente de casos de estupro em Nova Délhi e regiões próximas expôs uma “falha da aplicação da lei”. O tribunal também traçou paralelos com o caso Nirbhaya e cobrou responsabilização das autoridades.
Protestos em universidade de Punjab
A onda de manifestações também chegou ao estado de Punjab, no norte da Índia. A Lovely Professional University, em Phagwara, suspendeu as aulas por dez dias e adiou provas após protestos relacionados a uma denúncia de estupro no campus.
Na segunda-feira, a Suprema Corte da Índia afirmou que uma sequência recente de casos de estupro em Nova Délhi e regiões próximas expôs uma “falha da aplicação da lei”. O tribunal também traçou paralelos com o caso Nirbhaya e cobrou responsabilização das autoridades.
Protestos em universidade de Punjab
A onda de manifestações também chegou ao estado de Punjab, no norte da Índia. A Lovely Professional University, em Phagwara, suspendeu as aulas por dez dias e adiou provas após protestos relacionados a uma denúncia de estupro no campus.
Brasileira é vítima de estupro coletivo na Índia
A registradora da universidade, Monica Gulati, negou que o estupro tivesse ocorrido e afirmou que não havia “nenhuma verdade” nas acusações. Em comunicado, orientou os estudantes que permanecessem no campus a ficar em seus alojamentos e evitar deslocamentos desnecessários durante o período de suspensão.
Os protestos se intensificaram no domingo e houve confronto entre manifestantes e policiais. Veículos locais relataram episódios de vandalismo, incluindo quebra de janelas, incêndios e danos a veículos da universidade e da polícia. Estudantes também teriam bloqueado uma rodovia próxima.






