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Maria da Penha: “Poder público tem compromisso em combater violência doméstica”

Saiu no site GOVERNO DO BRASIL

 

Veja publicação original: Maria da Penha: “Poder público tem compromisso em combater violência doméstica”

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Em entrevista, farmacêutica que deu seu nome a uma das leis mais importantes do mundo no combate às agressões contra a mulher comenta importância da lei do feminicídio e das denúncias contra a violência

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Em 2018, a Lei Maria da Penha completou 12 anos. A legislação foi batizada em homenagem à farmacêutica que, após diversos episódios de agressão que sofreu do marido, tornou-se símbolo da luta pelo fim da violência doméstica no Brasil.

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Maria da Penha reconhece os avanços e as conquistas mais recentes como a Lei do Feminicídio e também o lançamento do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher, anunciado na última terça-feira (27) pelo governo federal. “É mais um compromisso do poder público com o enfrentamento à situação de abusos aos quais muitas mulheres ainda estão sujeitas”, afirmou, após participação na cerimônia no Palácio do Planalto.

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Em entrevista ao portal Governo do Brasil, ela destaca, ainda, a importância dos Centros de Referência a Mulheres em Situação de Violência, espalhados pelas cidades brasileiras e que apoiam aquelas que decidem romper o ciclo de violência e denunciar o agressor. “Com a criação de Centros de Referência, a mulher que sofre violência doméstica vai, por menor que seja o município, ser atendida no posto de saúde, utilizar o serviço médico e, se houver um centro de referência ali dentro, ela pode cuidar de sua saúde física e emocional, que também está abalada pela violência que ela sofre”, reforça.

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Confira, abaixo, a entrevista completa:

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A Lei Maria da Penha completou 12 anos em 2018. De lá para cá, a senhora percebe que houve avanços no combate ao feminicídio?

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Sim, não restam dúvidas. A Lei do Feminicídio é um avanço porque os autores desses assassinatos devem ter uma pena bem maior do que [autores de] homicídio. É muito diferente o homem brigar na rua por uma questão de trânsito, por exemplo, com uma pessoa que tem a mesma força física que ele, de brigar com essa mulher que não tem a complexidade do corpo físico, isto é, a força, igual a dele. Além do mais, [em casos de feminicídio, a mulher] não é assassinada na rua, por um estranho, mas por uma pessoa que a conhece e que se comprometeu, no relacionamento, a respeitá-la. A Lei do Feminicídio veio complementar a efetividade da Lei Maria da Penha, que é considerada uma das melhores do mundo.

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Como o Estado pode ajudar no combate à violência contra a mulher?

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A sociedade civil tem que cobrar, junto ao Estado, que políticas públicas sejam criadas para que a lei funcione e saia do papel. Muitas vezes, há uma omissão muito grande dos gestores públicos de municípios interioranos em criar políticas que vão ajudar a mulher a sair de uma situação difícil. Com a criação de Centros de Referência [a Mulheres em Situação de Violência, os CRMs], a mulher que sofre violência doméstica vai, por menor que seja o município, ser atendida no posto de saúde, utilizar o serviço médico e, se houver um centro de referência ali dentro, ela pode cuidar de sua saúde física e emocional, que também está abalada pela violência que ela sofre. O centro de referência dentro desse posto de saúde também pode encaminhá-la para uma casa de abrigo e fazer com que ela denuncie o agressor.

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Como a senhora avalia o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher?

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Percebo um compromisso do poder público federal em dar continuidade e informar com mais precisão as mulheres sobre os seus direitos em relação a um relacionamento abusivo.

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Os números do Ligue 180 mostram aumento do número de mulheres que vem denunciando os agressores. Qual a mensagem a senhora gostaria de transmitir para aquelas que estão sofrendo algum tipo de violência?

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A mulher que tem a sorte de ter um centro de referência bem estruturado em sua cidade deve procurar o local. Caso ela não tenha, deve ligar para o 180, se orientar sobre o seu caso e seguir o aconselhamento, para que possa então se sentir segura e denunciar o agressor.

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Qual seu conselho para mulheres que, por questões diversas, não conseguem denunciar agressões?

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A Lei Maria da Penha é considerada uma das três melhores do mundo no enfrentamento da violência contra a mulher. A mulher precisa confiar na lei, mas também deve ligar para o 180 para se informar sobre seus direitos e denunciar no local onde lhe indicarem. É importante que ela tenha confiança, firmeza e convicção de que pode, sim, sair de uma situação de violência doméstica. Ela deve tomar a decisão de não sofrer mais uma vez o ciclo da violência, que é aquele momento em que o agressor sempre diz que está arrependido, mas volta, depois de pouco tempo, a cometer violências contra essa mulher. Ela precisa colocar um ponto final nesse relacionamento para o bem dela e para o bem de sua família.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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