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Ser Mulher Negra: trabalho e esforço dobrado

Saiu no site FINANÇAS FEMININAS: 

 

Veja publicação original: Ser Mulher Negra: trabalho e esforço dobrado

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Por Barbara Hannelore

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Esse assunto começou como uma luz logo após gravar um vídeo com a Carol Sandler

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Assim que terminamos de gravar veio a questão: a mulher negra precisa reivindicar seus direitos e ocupar o seu espaço, e por que a mulher negra ainda tem que fazer muito mais esforço para ser reconhecida?

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Decidimos que esse seria o assunto deste mês na minha coluna. Para começar esse desbravamento do nosso mundo interno, observe se alguma dessas questões já aconteceu com você:

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*Sobrecarga de trabalho por aceitar tudo que as pessoas te pedem, muitas vezes deixando suas prioridades de lado para não falar “não”;

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*horas extras, muitas vezes sem registro, para poder superar as marcas do mês passado;

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*jornada dupla, ou tripla, muitas vezes trabalhando em dois lugares, estudando e ainda cuidando dos filhos e da família;

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*cuidados e preocupação com todos à sua volta – ao mesmo tempo que se deixa de lado;

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*medo recorrente de perder o emprego, sem nenhum motivo aparente, mas esse medo permeia o seu inconsciente o tempo inteiro te fazendo trabalhar cada vez mais.

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Eu poderia trazer mais alguns exemplos, mas a maioria das situações que vivenciamos em relação ao trabalho e ao esforço dobrados são escolhas baseadas na crença de que não somos boas o suficiente – e por isso precisamos sempre nos sobressair de alguma forma.

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Eu sei o quanto sofri com isso me sobrecarregando de todas as formas, cursando duas faculdades ao mesmo tempo e ainda trabalhando de tarde para ter dinheiro para a gasolina da moto. Esse é só um exemplo.

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É assim em casa, no trabalho, nos relacionamentos, e se não ficarmos atentas estaremos sempre fazendo mais e mais em busca de um pouquinho de reconhecimento externo por não nos enxergarmos como merecedoras.

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E por que isso acontece? Desde a infância muitas de nós fomos criadas com as crenças de nossos pais e pessoas próximas, acreditando que deveríamos ser domésticas, faxineiras, e sempre servir aos patrões de alguma forma.

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Temos em nosso DNA toda essa herança genética, e muito dessa herança ancestral está ligada ao sofrimento, ao abuso físico e sexual. Vou deixar esse assunto para outro momento porque ele necessita de um carinho especial para que possamos aceitar o nosso momento e nos curar, deixando essas dores para os nossos ancestrais e aprendendo a trazer e a honrar a força deles em nós.

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Se acreditamos inconscientemente que o nosso lugar é o servir, mesmo quando conquistamos outro lugar através do nosso esforço, nos sentimos deslocadas. E mesmo que ocupemos cargos menos favorecidos, fazemos tudo com mais esforço e trabalho dobrado porque inconsciente alguma coisa ruim pode estar prestes a acontecer, ou simplesmente não reconhecemos tudo que fazemos, louco isso né?

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Para começarmos a trabalhar internamente, vou deixar algumas dicas importantes para vocês:

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1- Observe que tipos de pensamentos você tem a seu respeito. Aquilo que falamos escondido para nós mesmas vai se manifestar extremamente nas nossas relações, na forma como lidamos com o nosso trabalho, e certamente com aquilo que aceitamos que façam com a gente.

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2- Como você tem se comportado consigo mesma ? Você tem um tempo de qualidade para investir em você mesma, ou acaba fazendo tudo para todo mundo e se coloca em último lugar? Se estiver assim, defina todos os dias uma ação que será em seu benefício exclusivo para começar a se valorizar.

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3- Que tipos de emoções tem estado mais presentes na sua vida? Desgaste? Frustração? Sobrecarga? Cansaço? Inferioridade? Todos estes serão sinais para que você comece a se observar, e a tomar a decisão de mudar o que não está mais funcionando para você.

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Você merece o melhor dessa vida, minha negra flor. E mesmo que ainda tenhamos que nos esforçar um pouco mais, precisamos aprender a reconhecer o nosso valor, porque do contrário vamos passar a vida inteira nos esforçando, mas sempre com um sentimento de que não é o suficiente.

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Isso precisa mudar para que possamos ser felizes de verdade. Lá na Escola de Enfoderamento, você encontra conteúdos e sessões de coaching gratuitas que pode acessar para começar a traçar o rumo que você deseja e merece. E sempre conte com a gente para o que precisar! Qualquer dúvida fique à vontade para me escrever, vai ser um prazer te ajudar!

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*Barbara é palestrante, especialista em desenvolvimento pessoal e co-autora do livro Empreendimento de Mulher. Criada na periferia de Belo Horizonte, Barbara enfrentou episódios de racismo em diversos momentos da vida e a perda de um dos filhos ainda bebê. Hoje, ela usa sua história como motivação e através do projeto Arrase Mulher, lidera inciativas em prol de um objetivo comum: Ajudar mais mulheres a descobrirem a versão fodástica que existe dentro delas. 

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Fotos: Fotolia

 

 

 

 

 

 

 

 

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Preliminares rejeitadas Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora Lucimeire Maria da Silva, afastou inicialmente a alegação de inépcia da inicial. Segundo a magistrada, a petição apresentou de forma lógica a causa de pedir e os fatos e fundamentos jurídicos necessários ao exercício do contraditório. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O voto destacou que os réus participaram virtualmente da audiência e tiveram oportunidade de prestar depoimento pessoal, mas a produção da prova foi inviabilizada por eles próprios. Conforme registrado na ata, os réus foram instados três vezes a abrir a câmera. Quando um deles finalmente o fez, constatou-se que ambos estavam no mesmo ambiente. Mesmo após duas determinações para que permanecessem separados, de modo a preservar a incomunicabilidade entre os depoentes, eles não atenderam à ordem. Provas da espionagem No mérito, a desembargadora afastou a alegação de insuficiência de provas. Além da perícia realizada no aparelho, destacou os depoimentos que descreveram como ocorreu a instalação do programa e a forma de acesso às informações. Conforme ressaltou, tanto a vítima quanto os informantes afirmaram que os réus chegaram a mostrar à mulher informações e imagens obtidas pelo aplicativo, em uma espécie de intimidação. Para a relatora, o conjunto probatório demonstrou suficientemente que a mulher foi submetida a reiterada perseguição pelo ex-companheiro e pelo filho, que instalaram o aplicativo para monitorar suas ligações, localização e outros dados pessoais. Violação da intimidade Ao analisar a responsabilidade civil, a magistrada considerou que o monitoramento clandestino representou ingerência abusiva na esfera privada da mulher e violou direitos da personalidade, especialmente a intimidade, a vida privada e a liberdade individual. Segundo o voto, a instalação de mecanismo de vigilância sem consentimento caracterizou ato ilícito, nos termos do art. 186 do CC. Comprovados também o dano e o nexo causal, incidiu o dever de indenizar previsto no art. 927. A relatora o dano moral in re ipsa. De acordo com ela, a gravidade da violação à esfera íntima torna desnecessária a demonstração específica do prejuízo. Conforme afirmou, a vigilância constante, mediante interceptação de dados pessoais e monitoramento da rotina, ultrapassou mero dissabor e atingiu a dignidade, a autonomia e a segurança emocional da vítima. Violência doméstica Outro ponto destacado foi o enquadramento da conduta na lei Maria da Penha. Para a magistrada, o vínculo familiar não reduz a gravidade dos fatos, ao contrário, aumenta a reprovabilidade do comportamento, diante dos deveres de lealdade, respeito e proteção esperados nas relações familiares. A relatora observou que a instalação do aplicativo para acompanhar comunicações, deslocamentos e a rotina da mulher constitui forma de controle abusivo e invasivo no âmbito familiar. Assim, enquadrou a prática nas modalidades de violência psicológica e moral previstas no art. 7º da lei 11.340/06. Segundo o voto, a vigilância clandestina submeteu a vítima a situação de permanente controle e violação de sua esfera íntima, afetando diretamente sua liberdade e integridade psíquica. “A utilização de mecanismos tecnológicos para vigilância não autorizada intensifica a reprovabilidade do comportamento, evidenciando dolo e deliberada intenção de controle”, registrou. Indenização majorada Ao examinar o recurso da vítima, a relatora concluiu que os R$ 5 mil fixados contra cada réu eram insuficientes diante das circunstâncias do caso. Segundo o voto, a definição do dano moral deve considerar a situação das partes, a extensão do dano e a gravidade da culpa, além de observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem permitir enriquecimento sem causa nem reduzir a condenação a montante incapaz de cumprir sua função preventiva e corretiva. No caso, a desembargadora classificou a conduta dos réus como “extremamente reprovável” e destacou o real constrangimento imposto à vítima. Assim, fixou a reparação em R$ 6 mil por réu, totalizando R$ 12 mil, valor considerado mais adequado para compensar a violação aos direitos da personalidade e desestimular novos atos ilícitos. O entendimento foi acompanhado pelo colegiado. Processo: 0710401-64.2022.8.07.0005 Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/462340/filho-e-ex-indenizarao-por-espionar-celular-de-mulher-apos-termino

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