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Presença de mulheres em conselhos de administração de companhias do Ibovespa passou de 21,3% para 22,8% e nas diretorias executivas, de 16,4% para 17,1%
O aumento registrado em 2026 de 6,7% na presença feminina em conselhos de administração de empresas do Ibovespa e de 4,6% nas diretorias executivas superou os crescimentos dos últimos dois anos. Em 2025, as altas haviam sido de 2,8% e 2,6%, respectivamente, e, em 2024, de 3,5% e 1,3%. O ano cujo cenário se destoou foi 2023, quando, impulsionada pela pressão da sociedade no pós-pandemia, a participação das mulheres avançou 22% nos colegiados e 14,5% nas diretorias – à época, as bases de comparação também eram mais baixas, facilitando incrementos mais expressivos.
Para especialistas em diversidade no mundo corporativo, a evolução deste ano, apesar de mais significativa, ainda é lenta e insuficiente. “A proporção de mulheres nessas cadeiras não sobe na velocidade que a gente precisa”, diz Roberta Tedesco, sócia da consultoria EY-Parthenon Brasil.
“Tem uma evolução, mas o Brasil é lento, como um todo”, acrescenta Anna Guimarães, presidente do conselho consultivo do 30% Club Brasil (movimento internacional que defende uma participação feminina de ao menos 30% nos conselhos e cargos de diretoria executiva). A cofundadora do Conselheira101 (organização que trabalha para aumentar a presença de mulheres negras na liderança) Jandaraci Araujo afirma ver o crescimento como “positivo”, mas que os dados mostram que a diversidade na liderança das grandes empresas ainda está “longe do ideal”.
Tedesco, da EY-Parthenon, observa que países com políticas efetivas que impulsionam a inclusão, como Reino Unido e Itália, têm registrado avanços mais relevantes. No primeiro, por exemplo, existe um programa para incentivar as companhias a atingirem metas de diversidade de gênero e, se elas não cumprem seus objetivos, precisam explicar o que aconteceu – no Brasil, a B3 desenvolve um projeto semelhante. Além desse programa, a pressão da sociedade fez com que a presença feminina em conselhos de administração alcançasse 43% nas 100 maiores empresas da Bolsa de Londres.
Na Itália, há uma lei que obriga companhias a terem mulheres em colegiados. Lá, a participação feminina chega a 39% das cadeiras dos colegiados das maiores corporações listadas, de acordo com dados do 30% Club.
Para a sócia da consultoria, são três as principais barreiras para a ascensão feminina. Uma delas é a rede de contatos. Em conselhos de administração, por exemplo, muitas vezes um conselheiro indica algum conhecido seu para as posições. Se a mulher não faz parte dessa “bolha”, dificilmente consegue uma vaga.





