Justiça de Saia na MídiaNotícias

Violência doméstica cresce durante isolamento social decorrente do novo coronavírus

31 de março de 2020

Tempo de leitura:4min

Saiu no site VOGUE

 

Veja publicação no site original:  Violência doméstica cresce durante isolamento social decorrente do novo coronavírus

.

Convivência familiar imposta no período de quarentena e isolamento social intensifica conflitos familiares, que podem levar a agressões de mulheres. Força-tarefa lançada hoje visa dar orientação às vítimas

.

Por Thiago Baltazar

.

A prolongada convivência familiar que foi imposta pela pandemia de coronavírus no início deste ano já tem mostrado seu efeito colateral sobre a vida das mulheres. Dados da Polícia Militar do Paraná indicam aumento da violência doméstica já no primeiro final de semana da quarentena no estado. No Rio e em São Paulo o cenário é o mesmo.

.

“A  violência contra a mulher é principalmente gerada por conflitos interpessoais. Como estamos passando por um período de pressão psicológica o problema tende a se intensificar”, diz a promotora de justiça Gabriela Manssur à Vogue.

.

Tanto a mulher quanto o homem veem sua liberdade de ir e vir tolhida durante a querentena ao mesmo tempo em que a situação econômica vai se corroendo. Aliado a isso, a preocupação com os filhos, que estão em casa após o fechamento das escolas, coloca uma pressão extra sobre os casais, especialmente sobre a mãe.

.

“Se o relacionamento já é abusivo e se há histórico de troca de ofensas entre o casal os conflitos podem ganhar novas proporções levando à violência doméstica”, analisa Gabriela. “Mas a quarentena não é justificativa para agressão contra a mulher”, alerta.

.

Outro fator que leva confrontos é o abuso do álcool. Fabiana* e seu companheiro tiveram discussões por esse motivo nos últimos oito anos de relacionamento. Quando ela tentou colocar um fim ao casamento por suspeitar de uma traição, ele não aceitou. O conflito permaneceu por quase um mês até o dia em que ele chegou em casa sob efeito do álcool. Na briga, Fabiana foi ferida com uma faca em três lugares do corpo.

.

“Levei dois pontos perto do punho, cinco no braço e mais um no ombro”, conta ela à Vogue. “Depois disso, fiz boletim de ocorrência e pedi uma medida protetiva”. O caso foi registrado no início de fevereiro.

.

A orientação para mulheres que passam por situações de violência doméstica à exemplo de Fabiana segue a mesma durante a quarentena: procurar ajuda. No caso de uma medida protetiva, o homem deve deixar a casa, mesmo com o isolamento domiciliar.

.

Mas como proceder com os fóruns fechados? “Ela pode procurar a delegacia da mulher, a Casa da Mulher Brasileira e o Centro de Referência da Mulher. Também tem o disque 180 e o canal de denúncia online. A mulher ainda pode chamar a polícia caso não possa sair de casa (muitas não têm com quem deixar os filhos)”, diz a promotora.

.

Há ainda mais uma alternativa. Foi lançada nesta sexta-feira (27.03) uma força-tarefa chamada Justiceiras para evitar o aumento da violência doméstica no período de quarentena. O projeto, de iniciativa da sociedade civil, é uma parceria entre o Instituto Justiça de Saia, Instituto Nelson Wilians e o Instituto Bem Querer Mulher.

.

O propósito é conectar mulheres voluntárias para oferecer acolhimento às vítimas, bem como dar orientação jurídica, psicológica, médica e socioassistencial neste período de isolamento social.

.

“Criamos uma equipe grande para atendermos a demanda neste momento. Já temos 500 voluntárias em São Paulo e pretendemos avançar para o Rio e o Paraná”, afirma Gabriela.

.

A coordenadora de direitos da mulher de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, Sueli Amoedo, também dá orientações para quem não quiser fazer a denúncia.

.

“Se ela não desejar lavrar boletim de ocorrência nós a encaminhamos para um acompanhamento psicológico, mas também damos orientações quanto a questões legais e jurídicas”, diz ela.

.

“Também implantamos recentemente o aluguel social para mulheres vítimas de violência doméstica. Se a situação for muito grave e a coloca em risco, a abrigamos por um tempo máximo de seis meses”, finaliza.

.

*O nome da vítima foi mudado para preservar sua identidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *