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Violência patrimonial e “Pix invisível” travam autonomia financeira de mulheres

Saiu no site ESTADÃO

Pesquisa das organizações Think Eva e Think Olga aponta barreiras que vão da renda desigual ao controle dentro de relações

A autonomia financeira das mulheres ainda esbarra em obstáculos que vão muito além da renda. Do chamado “Pix invisível” à violência patrimonial, um conjunto de práticas — muitas vezes naturalizadas — limita o controle sobre o próprio dinheiro e as decisões de investimento, segundo estudo apresentado no Fin4She Summit, em São Paulo.

Os dados ajudam a dimensionar o cenário. No setor privado, mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que homens em empresas com 100 ou mais funcionários, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego — uma diferença que limita não só a renda, mas a capacidade de poupar, investir e tomar decisões com autonomia.

Um estudo das organizações Think Eva e Think Olga, que promovem projetos em prol da equidade de gênero, mostrou como conquistar a autonomia financeira ainda envolve diferentes desafios para as mulheres. A pesquisa foi apresentada nesta segunda-feira (1º) em painel do Fin4She Summit, realizado na FAAP, em São Paulo.

O estudo nasceu a partir de uma imersão em mais de 100 estudos acadêmicos, matérias jornalísticas, livros, aulas, pesquisas e bases de dados oficiais. As pesquisadoras também ouviram especialistas da área financeira e realizaram uma escuta ativa na comunidade das organizações — a Comunidade Olga — com mais de 400 mulheres.

Um dos pontos abordados foi o conceito de autonomia financeira, que ultrapassa o significado de independência financeira. A autonomia envolve ter recursos e tempo para sustentar escolhas, assumir riscos e romper relações abusivas. É a capacidade de viver sem depender da tutela masculina.

Além da questão salarial, há desafios dentro do próprio casamento, como a infidelidade financeira, situação em que um dos cônjuges esconde recursos, dívidas ou movimentações financeiras do parceiro.

Também há casos de violência patrimonial, que incluem o controle ou confisco de bens e rendimentos, como nas situações em que mulheres entregam todo o salário aos companheiros e acabam ficando sem acesso aos próprios recursos.

Outro conceito apresentado é o do patrocínio invisível da carreira. As pesquisadoras argumentam que o trabalho de cuidado realizado pelas mulheres funciona como um suporte não remunerado para o desenvolvimento profissional dos homens. Enquanto eles podem dedicar mais tempo à carreira, elas assumem responsabilidades domésticas e familiares.

O estudo busca desconstruir a ideia de que mulheres entendem menos de finanças. Segundo a pesquisa, elas administram o orçamento doméstico, tomam decisões de consumo para toda a família, fazem o dinheiro durar até o fim do mês e equilibram gastos cotidianos. “É um conhecimento prático, mas que passa longe de ser percebido”, diz Maíra Liguori, diretora da Think Eva.

O estudo aponta a existência de uma culpa socialmente construída em relação ao dinheiro. Gastar recursos para atender às necessidades da família costuma ser visto como algo natural, mas as mulheres enfrentam julgamentos quando utilizam o próprio dinheiro para si mesmas, ao comprar uma bolsa ou um acessório, por exemplo.

A pesquisa aborda ainda o conceito de “Pix invisível”. O termo descreve pequenos gastos cotidianos relacionados ao bem-estar da família, que acabam sendo pagos pelas mulheres. “É o lanche da escola, o Pix para os filhos, despesas que não entram na planilha oficial de gastos”, explica Nana Lima, co-fundadora e diretora Think Eva.

A relação das mulheres com investimentos

Nos últimos cinco anos, a participação feminina no mercado de renda variável — que inclui ações, fundos imobiliários, ETFs (fundos de índice) e Brazilian Depositary Receipts (BDRs) — cresceu 83,4%, segundo estudo da B3 divulgado em março deste ano. Além de estarem mais presentes nesse mercado, as mulheres também mantêm valores investidos mais elevados. A mediana do estoque aplicado por investidoras na Bolsa de Valores é de R$ 3.034, enquanto entre os homens o valor corresponde a R$ 1.716.

Os dados ajudam a desconstruir estereótipos associados à relação das mulheres com o dinheiro. A pesquisa da Think Olga e da Think Eva mostra que ainda persistem preconceitos, como a ideia de que mulheres entendem menos de finanças ou são conservadoras ao investir. O estudo, porém, indica que o comportamento financeiro feminino está mais relacionado a fatores de socialização do que à falta de conhecimento ou disposição para assumir riscos. Desde cedo, mulheres são incentivadas a evitar erros e a buscar validação constante antes de tomar decisões, o que pode influenciar na forma como lidam com investimentos.

Painel com estudo das organizações Think Eva e Think Olga no Fin4She Summit Foto: Beatriz Rocha/E-Investidor

A autonomia financeira das mulheres ainda esbarra em obstáculos que vão muito além da renda. Do chamado “Pix invisível” à violência patrimonial, um conjunto de práticas — muitas vezes naturalizadas — limita o controle sobre o próprio dinheiro e as decisões de investimento, segundo estudo apresentado no Fin4She Summit, em São Paulo.

Os dados ajudam a dimensionar o cenário. No setor privado, mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que homens em empresas com 100 ou mais funcionários, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego — uma diferença que limita não só a renda, mas a capacidade de poupar, investir e tomar decisões com autonomia.

Um estudo das organizações Think Eva e Think Olga, que promovem projetos em prol da equidade de gênero, mostrou como conquistar a autonomia financeira ainda envolve diferentes desafios para as mulheres. A pesquisa foi apresentada nesta segunda-feira (1º) em painel do Fin4She Summit, realizado na FAAP, em São Paulo.

O estudo nasceu a partir de uma imersão em mais de 100 estudos acadêmicos, matérias jornalísticas, livros, aulas, pesquisas e bases de dados oficiais. As pesquisadoras também ouviram especialistas da área financeira e realizaram uma escuta ativa na comunidade das organizações — a Comunidade Olga — com mais de 400 mulheres.

Um dos pontos abordados foi o conceito de autonomia financeira, que ultrapassa o significado de independência financeira. A autonomia envolve ter recursos e tempo para sustentar escolhas, assumir riscos e romper relações abusivas. É a capacidade de viver sem depender da tutela masculina.

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