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Três meses antes de ser atropelada por marido, jovem protestou contra violência sofrida por amiga em Barretos, SP

Saiu no site G1:

 

Veja publicação original: Três meses antes de ser atropelada por marido, jovem protestou contra violência sofrida por amiga em Barretos, SP

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Letícia Pierini está internada em estado grave na Santa Casa. Amiga dela há 18 anos, a secretária Thainá Cristina foi esfaqueada pelo ex-namorado em março deste ano; suspeito foi preso.

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Três meses antes de ser atropelada pelo marido em Barretos (SP), a jovem Letícia Pierini, de 26 anos, compartilhou nas redes sociais um post de repúdio contra o ataque sofrido por uma das melhores amigas, a secretária Thainá Cristina, esfaqueada pelo ex-namorado.

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Thainá ainda se recupera dos ferimentos causados. O suspeito, Evandro Morelli, foi preso no fim de junho e responde por tentativa de homicídio triplamente qualificado.

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Já Letícia está internada há uma semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Barretos. Segundo o irmão da jovem, a moto em que ela estava foi atingida pelo carro do marido, quando ela seguia para a casa da mãe, onde morava há menos de uma semana após ter deixado o companheiro, viciado em drogas.

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Letícia Pierini está internada na Santa Casa de Barretos, SP (Foto: Reprodução/Facebook)

Letícia Pierini está internada na Santa Casa de Barretos, SP (Foto: Reprodução/Facebook)

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Amigas vivem o mesmo drama

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A secretária afirma que nunca pensou que a amiga pudesse estar na mesma situação. Thainá e Letícia são amigas há 18 anos e as duas costumam conversar por telefone. Um dia antes de sofrer o acidente, Thainá recebeu uma ligação da jovem e percebeu que ela estava um pouco apreensiva.

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“A Letícia me ligou para saber como eu estava e eu disse que sentia muitas dores, que estava tomando os remédios, mas melhorando. Ela perguntou se eu estava morando com a minha mãe e percebi que estava querendo perguntar algo, mas acabou não dizendo nada sobre o que estava acontecendo”, diz.

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Thainá Cristina espera que o ex-namorado seja preso em Barretos, SP (Foto: Reprodução/EPTV)Thainá Cristina espera que o ex-namorado seja preso em Barretos, SP (Foto: Reprodução/EPTV)

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A secretária afirma que ficou arrasada ao saber do acidente e diz que o trauma causado por esse tipo de violência abala a vítima e os familiares.

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“Fiquei revoltada, pois ela é uma pessoa muito boa. Até quando isso vai acontecer? Até parece que agredir mulher virou moda. Se as leis no Brasil fossem mais fortes, esse homem já estaria preso.”

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Thainá continua a recuperação e ainda sente dores nas quatro costelas fraturadas durante as agressões cometidas pelo ex-namorado. As câmeras de segurança do escritório, onde ela trabalhava, registraram o crime. A jovem foi esfaqueada no pulmão e no estômago.

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“A dor maior é na alma, maior do que a dor no corpo. O trauma que fica é o mais difícil”, diz..

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Thainá é esfaqueada pelo suspeito de capacete na imobiliária em Barretos, SP (Foto: Reprodução/Câmeras de segurança)

Thainá é esfaqueada pelo suspeito de capacete na imobiliária em Barretos, SP (Foto: Reprodução/Câmeras de segurança)

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Família preocupada

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O caso de Letícia foi registrado como lesão corporal culposa, mas o delegado Antônio Alício Simões Júnior o encaminhou para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que deverá tratá-lo como tentativa de feminicídio. A reviravolta ocorreu por causa do depoimento da mãe da jovem, que acusou o genro de homicídio. O suspeito, no entanto, ainda não foi ouvido.

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A família de Letícia diz viver momentos de preocupação e apreensão. O irmão dela, Marcos Rogério da Silva Pierini, diz que a vítima tem medo e que não quer ficar sozinha no hospital. Nesta terça-feira (10), ela deve passar por uma cirurgia na mandíbula.

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Marcos conta que o cunhado é usuário de cocaína e que Letícia começou a falar sobre o assunto há pouco tempo.

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“Ninguém sabia o que acontecia, pois ela escondia que ele era usuário de drogas. No início deste ano, ele começou a usar mais, minha irmã cansou e pediu a separação. Ele não aceitou e fez isso com ela”, afirma.

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Por segurança, apenas os familiares estão autorizados a visitar Letícia no hospital. A família espera que o suspeito seja preso. “Estamos vivendo um momento dramático. É revoltante, mas vamos deixar na mão da Justiça.”

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Familiares dizem que Letícia está com medo do marido, em Barretos, SP (Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

Familiares dizem que Letícia está com medo do marido, em Barretos, SP (Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

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Preliminares rejeitadas Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora Lucimeire Maria da Silva, afastou inicialmente a alegação de inépcia da inicial. Segundo a magistrada, a petição apresentou de forma lógica a causa de pedir e os fatos e fundamentos jurídicos necessários ao exercício do contraditório. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O voto destacou que os réus participaram virtualmente da audiência e tiveram oportunidade de prestar depoimento pessoal, mas a produção da prova foi inviabilizada por eles próprios. Conforme registrado na ata, os réus foram instados três vezes a abrir a câmera. Quando um deles finalmente o fez, constatou-se que ambos estavam no mesmo ambiente. Mesmo após duas determinações para que permanecessem separados, de modo a preservar a incomunicabilidade entre os depoentes, eles não atenderam à ordem. Provas da espionagem No mérito, a desembargadora afastou a alegação de insuficiência de provas. Além da perícia realizada no aparelho, destacou os depoimentos que descreveram como ocorreu a instalação do programa e a forma de acesso às informações. Conforme ressaltou, tanto a vítima quanto os informantes afirmaram que os réus chegaram a mostrar à mulher informações e imagens obtidas pelo aplicativo, em uma espécie de intimidação. Para a relatora, o conjunto probatório demonstrou suficientemente que a mulher foi submetida a reiterada perseguição pelo ex-companheiro e pelo filho, que instalaram o aplicativo para monitorar suas ligações, localização e outros dados pessoais. Violação da intimidade Ao analisar a responsabilidade civil, a magistrada considerou que o monitoramento clandestino representou ingerência abusiva na esfera privada da mulher e violou direitos da personalidade, especialmente a intimidade, a vida privada e a liberdade individual. Segundo o voto, a instalação de mecanismo de vigilância sem consentimento caracterizou ato ilícito, nos termos do art. 186 do CC. Comprovados também o dano e o nexo causal, incidiu o dever de indenizar previsto no art. 927. A relatora o dano moral in re ipsa. De acordo com ela, a gravidade da violação à esfera íntima torna desnecessária a demonstração específica do prejuízo. Conforme afirmou, a vigilância constante, mediante interceptação de dados pessoais e monitoramento da rotina, ultrapassou mero dissabor e atingiu a dignidade, a autonomia e a segurança emocional da vítima. Violência doméstica Outro ponto destacado foi o enquadramento da conduta na lei Maria da Penha. Para a magistrada, o vínculo familiar não reduz a gravidade dos fatos, ao contrário, aumenta a reprovabilidade do comportamento, diante dos deveres de lealdade, respeito e proteção esperados nas relações familiares. A relatora observou que a instalação do aplicativo para acompanhar comunicações, deslocamentos e a rotina da mulher constitui forma de controle abusivo e invasivo no âmbito familiar. Assim, enquadrou a prática nas modalidades de violência psicológica e moral previstas no art. 7º da lei 11.340/06. Segundo o voto, a vigilância clandestina submeteu a vítima a situação de permanente controle e violação de sua esfera íntima, afetando diretamente sua liberdade e integridade psíquica. “A utilização de mecanismos tecnológicos para vigilância não autorizada intensifica a reprovabilidade do comportamento, evidenciando dolo e deliberada intenção de controle”, registrou. Indenização majorada Ao examinar o recurso da vítima, a relatora concluiu que os R$ 5 mil fixados contra cada réu eram insuficientes diante das circunstâncias do caso. Segundo o voto, a definição do dano moral deve considerar a situação das partes, a extensão do dano e a gravidade da culpa, além de observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem permitir enriquecimento sem causa nem reduzir a condenação a montante incapaz de cumprir sua função preventiva e corretiva. No caso, a desembargadora classificou a conduta dos réus como “extremamente reprovável” e destacou o real constrangimento imposto à vítima. Assim, fixou a reparação em R$ 6 mil por réu, totalizando R$ 12 mil, valor considerado mais adequado para compensar a violação aos direitos da personalidade e desestimular novos atos ilícitos. O entendimento foi acompanhado pelo colegiado. Processo: 0710401-64.2022.8.07.0005 Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/462340/filho-e-ex-indenizarao-por-espionar-celular-de-mulher-apos-termino

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