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Rito alternativo salva milhares de meninas da mutilação genital no Quênia

Saiu no site UNIVERSA

 

Veja publicação original:  Rito alternativo salva milhares de meninas da mutilação genital no Quênia

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Para muitas meninas masais do Quênia, o Natal é sinônimo de mutilação genital e de casamento com homens 40 ou 50 anos mais velhos, práticas que ONGs como a Amref Health Africa combatem com a realização de um ritual alternativo de passagem para a idade adulta.

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Em uma noite, cerca de 150 meninas reunidas na Escola Naningoi – só para mulheres -, em Mosiro, no condado de Kajiado, perto da fronteira com a Tanzânia, iluminam a escuridão com várias velas. Elas estão felizes porque sabem que se tornaram mulheres.

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Amref Health AfricaImagem: Amref Health Africa

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Serão mulheres masais que não precisaram ser mutiladas, o que era impensável há cerca de dois anos na cabeça dos idosos guardiães, líderes religiosos, pais e “Il-murran” (jovens guerreiros) desta comunidade. Para eles, a ablação de toda menina era um pré-requisito para a entrada na vida adulta.

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“Há alguns anos, nós entendíamos que se uma menina não tivesse passado pela ablação ela era impura, e a nossa cultura não permitia que ela casasse. Recentemente, e graças ao projeto “Yes, I do” (Sim, eu aceito), aprendemos que se trata de uma prática perigosa e por conta dela já perdemos muitas meninas”, disse à Agência Efe Jacob Salao Ole Poroko, líder comunitário de Mosiro.

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Este projeto é o resultado de uma parceria com validade de dez anos entre cinco ONGs: Amref Health Africa, Plan Netherlands, Choice for Youth and Sexuality, Royal Tropical Institute (KIT) e Rutgers. Desde 2009, graças a diversos projetos centrados no combate à mutilação genital feminina, 14 mil meninas já foram salvas.

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Amref Health AfricaImagem: Amref Health Africa

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“Este processo não é resultado de uma noite, de uma semana ou de alguns meses. Precisamos de mais ou menos um ano e meio para a comunidade se sentir preparada para acolher um rito de passagem alternativo”, detalhou à Efe Millicent Odingo, responsável da Amref no projeto “Yes I do”.

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Durante este período, membros destas ONGs fizeram rodas de conversa com os mais importantes líderes da hierarquia masai – além de sessões de sensibilização com as meninas – e abordaram as consequências físicas, psicológicas e sociais da mutilação.

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“A tradição está tão arraigada na cultura que eles não concebem outra forma de uma menina se tornar mulher. Então perguntamos: ‘O que acontece com as mulheres de outras culturas? Elas não são mulheres?, Não se casam?, Não têm filhos ou estudam?’ É preciso diálogo e mais diálogo, para que saibam quais são os seus verdadeiros efeitos e não só que é uma lei e que é preciso cumpri-la”, explicou Grace Majaiakusi, que também integra o projeto, lembrando que a lei que proíbe essa prática existe desde de 2011, mas que as mutilações continuam existindo, principalmente em zonas rurais.

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Embora a incidência em nível nacional seja de 21%, de acordo com a Pesquisa Demográfica e de Saúde do Quênia de 2014, na etnia masai – que vive no sul do país e no norte da Tanzânia, com 1,5 milhão de habitantes – esse total chega a 78% em Kajiado.

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No mundo todo, mais de 200 milhões de meninas e mulheres passaram pelo ritual tradicional em 30 países localizados na África, no Oriente Médio e na Ásia, de acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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“A ablação, o casamento infantil e a gravidez precoce estão conectados. A ablação leva ao casamento forçado, à mutilação, ao abandono escolar e à maternidade precoce”, enumerou a ativista e defensora dos jovens Selina Nkoile, nativa de Mosiro.

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Alguns dias antes da cerimônia, já reunidas na escola, meninos de pouco mais de nove anos aprendem a respeitar uma jovem que não passou pela ablação, a querer se casar com ela e a considerá-la como igual. Por sua vez, as meninas aprendem sobre direitos reprodutivos, sexualidade e habilidades sociais. A ideia é fomentar o desejo não apenas de ser esposa e mãe, mas de ter uma profissão.

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“Apaga a chama da mutilação genital feminino, acende a chama da educação”, repetem, em uma só voz, centenas de meninas e meninos em procissão até a casa dos líderes.

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Mais tarde, outra vez na escola e sob o sol quente de meio-dia, as meninas dançam e cantam diante do atento olhar dos pais e das autoridades. Em seguida, uma oração, alguns discursos e finalmente a bênção dos mais velhos.

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“Os mais jovens vão acabar com a mutilação genital feminina. Nós, os mais velhos, a praticamos e nossas filhas passaram por ele. Agora, as novas gerações, que foram educadas, devem abandoná-la”, concluiu o líder ancião Oloosekenke Ole Kamuye, guardião da cultura masai. EFE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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