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Quantas mulheres conseguem pensar primeiro em si mesmas?

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Entre os meus 17 e 21 anos, colecionava cadernos. Neles, escrevia sobre tudo o que sentia, pensava e fazia. Período de paixões platônicas, início de faculdade, muito cinema e teatro alternativo, descoberta do sexo. Meu quarto na casa dos pais era um bunker onde eu escutava música e escrevia até tarde da noite. Depois escondia os cadernos no fundo de uma gaveta, embaixo das roupas, torcendo para que ninguém os encontrasse. Não havia neles a confissão de nenhum crime, a não ser o ato ilícito de questionar certos padrões que começavam a me asfixiar. Se alguém lesse, poderia se sentir magoado, mas eu precisava continuar escrevendo, de preferência sem sonegar minhas aflições. Foi quando me refugiei na poesia, criando meus primeiros versos – a literatura também é um belo esconderijo.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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