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Prostituição: Conselho Constitucional da França valida punição aos clientes

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Veja publicação original: Prostituição: Conselho Constitucional da França valida punição aos clientes

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O Conselho Constitucional da França, instância jurídica que controla a legislação em vigor no país, decidiu nesta sexta-feira (1°) que os clientes da prostituição devem ser sancionados. A medida é uma resposta ao recurso lançado por associações, que consideram as multas aos clientes como uma forma de precarização dos trabalhadores do sexo.

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Se prostituir não é ilegal na França. No entanto, desde os anos 1960, o país é signatário da Convenção pela repressão da exploração de seres humanos e a exploração da prostituição, um texto das Nações Unidas que visa proteger os trabalhadores do sexo. Desde então, o governo tenta restringir a prática da prostituição no país.

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Em 2003, o governo adotou uma lei punindo as prostitutas que solicitassem clientes nas ruas. Em seguida, em 2016, o Parlamento francês adotou uma nova legislação. Segundo o texto, as sanções não recaíam mais sobre trabalhadores do sexo, e sim sobre os clientes.

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No entanto, as associações de defesa contestaram a lei, alegando que as prostitutas teriam menos clientes e seriam ainda mais fragilizadas. Em novembro de 2018, um grupo formado por nove entidades, entre elas Médicos do Mundo e um sindicato que protege os trabalhadores do sexo, entraram com um recurso na justiça. Elas defendiam que a lei punindo os clientes feria o respeito à vida privada e à liberdade sexual que, segundo essas associações, é um direito constitucional.

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Lutar contra exploração sexual

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Mas o Conselho Constitucional, conhecido também como “conselho dos sábios”, não se convenceu pelos argumentos e decidiu manter a punição dos clientes, alegando que essa é a melhor maneira de lutar contra a exploração sexual.

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De acordo com a lei, os clientes de prostituição têm que pagar uma multa de € 1.500 (mais de R$ 6 mil) se forem flagrados pela polícia. Caso sejam apanhados uma segunda vez remunerando relações sexuais, a sanção sobe para € 3.750 (mais de R$ 15 mil). Já o fato de contratar prostitutas menores pode levar a penas de três a sete anos de prisão, com multas de até € 100 mil (mais de R$ 400 mil).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Preliminares rejeitadas Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora Lucimeire Maria da Silva, afastou inicialmente a alegação de inépcia da inicial. Segundo a magistrada, a petição apresentou de forma lógica a causa de pedir e os fatos e fundamentos jurídicos necessários ao exercício do contraditório. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O voto destacou que os réus participaram virtualmente da audiência e tiveram oportunidade de prestar depoimento pessoal, mas a produção da prova foi inviabilizada por eles próprios. Conforme registrado na ata, os réus foram instados três vezes a abrir a câmera. Quando um deles finalmente o fez, constatou-se que ambos estavam no mesmo ambiente. Mesmo após duas determinações para que permanecessem separados, de modo a preservar a incomunicabilidade entre os depoentes, eles não atenderam à ordem. Provas da espionagem No mérito, a desembargadora afastou a alegação de insuficiência de provas. Além da perícia realizada no aparelho, destacou os depoimentos que descreveram como ocorreu a instalação do programa e a forma de acesso às informações. Conforme ressaltou, tanto a vítima quanto os informantes afirmaram que os réus chegaram a mostrar à mulher informações e imagens obtidas pelo aplicativo, em uma espécie de intimidação. Para a relatora, o conjunto probatório demonstrou suficientemente que a mulher foi submetida a reiterada perseguição pelo ex-companheiro e pelo filho, que instalaram o aplicativo para monitorar suas ligações, localização e outros dados pessoais. Violação da intimidade Ao analisar a responsabilidade civil, a magistrada considerou que o monitoramento clandestino representou ingerência abusiva na esfera privada da mulher e violou direitos da personalidade, especialmente a intimidade, a vida privada e a liberdade individual. Segundo o voto, a instalação de mecanismo de vigilância sem consentimento caracterizou ato ilícito, nos termos do art. 186 do CC. Comprovados também o dano e o nexo causal, incidiu o dever de indenizar previsto no art. 927. A relatora o dano moral in re ipsa. De acordo com ela, a gravidade da violação à esfera íntima torna desnecessária a demonstração específica do prejuízo. Conforme afirmou, a vigilância constante, mediante interceptação de dados pessoais e monitoramento da rotina, ultrapassou mero dissabor e atingiu a dignidade, a autonomia e a segurança emocional da vítima. Violência doméstica Outro ponto destacado foi o enquadramento da conduta na lei Maria da Penha. Para a magistrada, o vínculo familiar não reduz a gravidade dos fatos, ao contrário, aumenta a reprovabilidade do comportamento, diante dos deveres de lealdade, respeito e proteção esperados nas relações familiares. A relatora observou que a instalação do aplicativo para acompanhar comunicações, deslocamentos e a rotina da mulher constitui forma de controle abusivo e invasivo no âmbito familiar. Assim, enquadrou a prática nas modalidades de violência psicológica e moral previstas no art. 7º da lei 11.340/06. Segundo o voto, a vigilância clandestina submeteu a vítima a situação de permanente controle e violação de sua esfera íntima, afetando diretamente sua liberdade e integridade psíquica. “A utilização de mecanismos tecnológicos para vigilância não autorizada intensifica a reprovabilidade do comportamento, evidenciando dolo e deliberada intenção de controle”, registrou. Indenização majorada Ao examinar o recurso da vítima, a relatora concluiu que os R$ 5 mil fixados contra cada réu eram insuficientes diante das circunstâncias do caso. Segundo o voto, a definição do dano moral deve considerar a situação das partes, a extensão do dano e a gravidade da culpa, além de observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem permitir enriquecimento sem causa nem reduzir a condenação a montante incapaz de cumprir sua função preventiva e corretiva. No caso, a desembargadora classificou a conduta dos réus como “extremamente reprovável” e destacou o real constrangimento imposto à vítima. Assim, fixou a reparação em R$ 6 mil por réu, totalizando R$ 12 mil, valor considerado mais adequado para compensar a violação aos direitos da personalidade e desestimular novos atos ilícitos. O entendimento foi acompanhado pelo colegiado. Processo: 0710401-64.2022.8.07.0005 Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/462340/filho-e-ex-indenizarao-por-espionar-celular-de-mulher-apos-termino

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