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Priscila Barbosa, a mulher que leva o cultivo da autoestima à favela

Saiu no site HUFFPOST

 

Veja publicação original: Priscila Barbosa, a mulher que leva o cultivo da autoestima à favela

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Ela quer que o desenvolvimento pessoal chegue até mulheres e moradores de periferia.

 

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Imagine uma comunidade com cerca de 35 mil pessoas lutando para, dia após dia, desenvolver uma boa autoestima e ter uma vida mais saudável mentalmente. Parece algo distante da realidade, mas foi o que Priscila Barbosa, de 31 anos, conseguiu fazer com seu projeto AutoestimaDiva. Estudante de pedagogia, ela criou o projeto há cerca de seis anos, e graças a ele milhares de mulheres têm acesso a reflexões sobre amor próprio, autoestima e crescimento pessoal.

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Diferentemente do que está na moda, o trabalho dela não é como o de um coach, por exemplo. O Autoestima Diva tem como foco criar conexão entre mulheres, algo que sempre fez parte da vida de Priscila, que se define como articuladora social. Entre seus objetivos está o sonho de potencializar, principalmente, a comunidade onde vive.

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Eu levei muito tempo para perceber que eu precisava parar e olhar para mim.

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VALDA NOGUEIRA/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
O projeto AutoestimaDiva também é um canal de aproximação entre pessoas que estão em bairros, regiões e até países diferentes.

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Moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Priscila por muito tempo se manteve afastada da rotina da comunidade. Quando iniciou sua vida profissional, trabalhou já na capital, em bairros como Barra da Tijuca. Depois, percebeu que a sua comunidade não a via como pertencente daquele espaço, ou melhor, alguém que alcançou um lugar que a maioria ali nunca conseguiria chegar. Hoje, ela busca mudar essa percepção: “Aqui dentro as pessoas me olham como se eu fosse diferente, mas eu não quero isso. Eu luto para que as pessoas possam viajar para outro país, quero todo mundo que pode usar roupa social, se quiser.”

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E é com esse objetivo, de incentivar os sonhos e expandir as possibilidades de quem a cerca, que a estudante se define como uma pessoa “pé na porta”, que não teme em fazer pedidos a quem tem o poder e a influência nas mãos. Ela conta à reportagem do HuffPost Brasil que, na última década, conheceu pessoas importantes e dedicou seu tempo a conectá-las em prol de ver o crescimento de uma causa, um projeto.

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É importante ser referência mas isso não é tudo.

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VALDA NOGUEIRA/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
O livro autobiográvido “O Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus é um dos preferidos de Priscilla.

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O próprio AutoestimaDiva é um canal de aproximação entre pessoas que estão em bairros, regiões e até países diferentes. Organicamente, hoje a página se mantém e guarda o registro dos tempos áureos mas, nos últimos meses, Priscila percebeu que era hora de dar um tempo. “Acho que todo mundo, ou quase todo mundo, chega num momento em que precisa se aprofundar. E quando este momento chega, a gente precisa parar e se entender naquele processo. Mas eu levei muito tempo para perceber que eu precisava parar e olhar para mim.”

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Quem tanto promoveu e facilitou autoconhecimento também precisa passar por esse processo. Priscila diminuiu a frequência de postagens nas redes sociais e se jogou de cabeça na leitura, na pesquisa e nos estudos. A necessidade de aumentar seu repertório técnico para continuar a conectar e ajudar outras pessoas, veio da vontade de quebrar um estereótipo: “Quero ter bagagem para esfregar na cara de quem diz que favelados não têm técnica, e para receber o que eu mereço.”

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Todo mundo procura um lugar ou alguém para te dar voz, mas quando se chega lá, poucos sabem o que fazer.

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VALDA NOGUEIRA/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
“Não adianta dar a técnica se não desenvolve as habilidades da pessoa.”

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Priscila tem voz firme. Fala rápido. E um ritmo de quem pensa muitas coisas ao mesmo tempo. Ao lembrar de projetos que participou no passado ela detalha cada etapa, como quem reconhece a importância dos passos de sua trajetória. E ela, de certa forma, explica porque cada projeto tem um espaço especial na sua memória.

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“Todos os projetos que fiz são reflexo de quem eu sou e da minha necessidade. Não foi um processo solitário, mas com muitas pessoas. Com ajuda, fomos entendendo juntos que eu estava cansada de falar só de mim, sob a minha ótica. É importante ser referência mas isso não é tudo”, pondera.

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Militante, como não poderia deixar de ser quando se tem acesso às desigualdades sociais, Priscila define essa alcunha como uma extensão de si, “caso contrário é só campanha”. Com o carisma, poder de persuasão e determinação que tem, ela busca canalizar a militância de uma forma bem específica: “Todo mundo procura um lugar ou alguém para te dar voz, mas quando se chega lá, poucos sabem o que fazer. O que eu busco é fugir da superficialidade.”

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Não adianta dar a técnica se não desenvolve as habilidades socioemocionais da pessoa.

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VALDA NOGUEIRA/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
Priscila tem voz firme. Fala rápido. E um ritmo de quem pensa muitas coisas ao mesmo tempo.

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Priscila também trabalha em uma empresa de tecnologia, que tem projetos alocados em duas favelas do Rio de Janeiro. O objetivo é incentivar os jovens a entrar no mercado de tecnologia. Hoje Priscila faz parte da equipe que coordena as aulas “socioemocionais” do programa de tecnologia. Ela explica: “Não adianta dar a técnica se não desenvolve as habilidades da pessoa. Ela vai ganhar mais, ser um bom profissional, mas se não souber lidar com tudo isso, não adianta. Nisso, a gente também inclui aulas de finanças”.

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Com planos de aperfeiçoar suas próprias técnicas, e continuar a trilhar o caminho de um bem viver, a sorridente Priscila planeja retomar seus projetos, mas depois que se sentir mais preparada. Até lá, a palavra de ordem é crescimento: “Eu estou entendendo agora que eu não preciso ser perfeita. Hoje eu vejo que estou em construção. E vou estar sempre.”

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Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Lola Ferreira

Imagem: Valda Nogueira

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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