Políticas de Saia

Políticas de Saia: Combate à violência política de gênero precisa ter lado: o das mulheres

Mídia, Políticas de Saia, Políticas de Saia - 29 de setembro de 2021

Tempo de leitura: 3min

Saiu na Folha de S. Paulo

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violência contra as mulheres sempre existiu, mas, muitas vezes, era velada. Havia o medo, fosse pela escassez de informação para caracterizar a violência política ou ausente de um canal específico para as denúncias. Ou, ainda, devido à falta de uma previsão legal de que determinadas determinadas crimes .

Devemos lembrar ainda que as mulheres temiam se expor por inúmeros motivos, como vergonha, possibilidade de represália e exposição.

O ministro Wagner Rosário, da CGU (Controladoria-Geral da União), causa tumulto na CPI da Covid após chamar a senadora Simone Tebet (MDB-MS) de “descontrolada” – Reprodução / TV senado

Agora, temos um marco histórico. Na esteira da aprovação da Lei de Violência Política (lei nº 14.192), que segue regras para prevenir, reprimir e combater a política contra a mulher, estamos lançando uma campanha Políticas de Saia , com o objetivo de combater a violência de gênero na política brasileira. A ação está dentro de um guarda-chuva maior, o projeto Justiceiras , liderado por mim e que já conta com mais de 8.000 voluntários envolvidos por sofrer exclusão de abuso e violência.

Com as redes sociais, o contexto de violência política ficou muito mais escancarado . São hipóteses que se materializaram na internet , como a de Joice Hasselmann (PSL-SP), que, querendo ou não, foi uma vítima e estava lá como mulher e deputada federal. E não podemos deixar de citar o caso de Marielle Franco , um feminicídio político. Essa conjuntura afasta as mulheres do meio político , porque elas não querem sua intimidade e vida pessoal expostas.

Acirramento da campanha política multiplica relatos online de violência
Acirramento da campanha política multiplica relatos online de violência

Essa campanha vai garantir que o público feminino seja ouvido. Vamos disponibilizar o canal de denúncias do Justiceiras (@justiceirasoficial) e capacitar voluntárias justiceiras nessa missão. Também queremos, além de quantificar, qualificar esses dados, por meio de uma pesquisa online, com perguntas para eleitoras, candidatas, eleitas e aquelas no exercício do mandato. Será um formulário com perguntas de múltipla escolha para mensurar e apresentar um diagnóstico da mulher no cenário político.

A iniciativa estava sendo gestada há algum tempo. Não é de hoje que várias mulheres me procuram, por meio do Justiceiras. Muitas delas na condição de candidatas e algumas já eleitas, em pleno exercício do mandato. Essas mulheres, que geralmente ocupam um cargo de liderança, ou que proteção dentro de sua própria hierarquia, não vão à delegacia. Elas querem ser ouvidas por uma autoridade de Justiça.

O Políticas de Saia nasceu de uma necessidade social, comprovada por mim. E não há momento mais propício do que agora , às vésperas de mais um ano eleitoral, quando o país se encontra polarizado e fragilizado. Há uma necessidade ainda maior de conscientização de todas nós para que mostrar, independentemente do lado em que estejamos, a força da união. Eu defendo o direito das mulheres na política, não só da esquerda ou da direita. Não estamos do lado de ninguém —estamos a favor das mulheres. A nossa bandeira é rosa.

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